Artistas registram boletim de ocorrência após ataques racistas no Festival Afro-Brasileiro de Maringá

Por: - 12 de abril de 2021
Festival Afro-Brasileiro de Maringá
Mestre Raiz e Liberta Maré fazem parte da Associação de Capoeira Mandinga-Ê, que foi alvo dos ataques / Aldemir de Moraes

A Polícia Civil vai investigar ataques racistas proferidos durante a apresentação da Associação de Capoeira Mandinga-Ê no 12º Festival Afro-Brasileiro de Maringá neste domingo (11/4). As ofensas foram feitas por duas contas falsas durante a transmissão do evento no Youtube. Os usuários chamaram os participantes de “macacos”.

O secretário de Cultura, Victor Simião, e os artistas Raiz e Liberta Maré, da Associação de Capoeira Mandinga-Ê, registraram boletim de ocorrência na manhã desta segunda-feira (12/4).

“Esperamos que a polícia abra uma investigação porque não podemos naturalizar o racismo, porque o racismo não é natural. Não vamos deixar passar nada, nem um olhar, nenhum comentário ou gesto de racismo. Já passou dessa época, chega disso”, disse a artista Liberta Maré.

Durante a transmissão, o usuário identificado como “jOaOZIN lEgAl”, se referiu aos participantes como “tudo macaco”. Ao ser repreendido por uma mulher que acompanhava o evento, ele voltou a dizer: “mais uma macaca”. O usuário ainda disse que “denunciar não adianta nada”.

Outra conta, identificada como “lula seu maior amiguinho”, também chamou os participantes de “macacos” e disse para o mestre ir para a Angola.

Veja os comentários:

 

Secretaria de Cultura repudia ataques no Festival Afro-Brasileiro de Maringá 

Em nota divulgada ainda no domingo, a Secretaria de Cultura repudiou os ataques. “Não toleramos esse tipo de ação. Menos ainda em nossa gestão da Cultura, que visa fortalecer grupos minoritários politicamente, como a população negra”, afirmou o secretário de Cultura, Victor Simião, no comunicado.

O Conselho Municipal de Políticas Culturais de Maringá declarou que as publicações anônimas demonstram covardia e crueldade. “Todas as pessoas de bem podem e devem lutar para que atos dessa natureza sejam extintos e que fiquem somente nos registros da história para que possamos lembrar o quanto o ser humano pode ser cruel com seu semelhante”, disse em nota.

Com o tema “Culturas Negras Importam”, a 12ª edição discutiu a importância da cultura negra na sociedade brasileira, a tradição, coletivos, religiosidade, ativismos, práticas antirracistas e culturas urbanas. No total, sete ações foram apresentadas, atingindo mais de 600 pessoas.

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