Angolanos são agredidos em comércio de cervejas em Maringá. Caso gera revolta

Por: - 11 de novembro de 2020
Angolanos são agredidos em estabelecimento na região sul de Maringá / Reprodução

No sábado (7/11), dois homens imigrantes angolanos, de 27 e 28 anos, foram agredidos em um comércio de cervejas próximo à Universidade UniCesumar (UniCesumar), na região Sul da cidade. No domingo (8/11), colegas das vítimas e o advogado e presidente da Associação dos estrangeiros residentes na região Metropolitana de Maringá, Ronelson Furtado Balde, voltaram ao local e foram agredidos.

Um dos advogados das vítimas, Mário Henrique Alberton, relata que as agressões ocorreram no sábado (7/11), por volta das 23h30, e no domingo (8/11), às 12h.

Veja vídeo do momento da agressão:

Mário Alberton explica que uma das vítimas havia deixado cinco cervejas pagas na loja de conveniência e também estava tomando cerveja no estabelecimento ao lado. Em determinado momento, vendo que a conveniência estava fechando, o imigrante resolveu consumir as cervejas que havia deixado pagas no local.

Segundo o advogado, quando o imigrante foi buscar a quarta cerveja, o segurança, que aparece nas imagens de camiseta rosa, espancando a vítima e depois o arrastando pelas pernas, disse que a vítima não poderia mais entrar porque ele era folgado. Então, um funcionário do bar, que nas imagens aparece de boné cinza, camiseta branca e calça jeans azul e não participou das agressões, trouxe a cerveja que já havia sido paga, e a vítima foi para o estabelecimento ao lado.

“Depois de tomarem a quarta cerveja, ele retornou à conveniência para pegar a última cerveja. Então, o segurança começou a dizer novamente que ele era folgado, dando início a uma rápida discussão e já em seguida às agressões. A outra vítima tentou apartar a briga e também passou a ser agredida”, conta o advogado Mário Henrique Alberton.

Segundo o advogado, os dois imigrantes sofreram múltiplas agressões e foram apagados com um mata-leão, sendo arrastados para fora do bar. Acordaram ainda com o disk cerveja aberto e dali foram embora. Uma das vítimas chamou o SAMU e foi conduzida para o Hospital Universitário Regional de Maringá (HU), onde ficou internada até no domingo (8/11).

Ainda no domingo, quatros colegas voltaram a loja de conveniência para conversar com o gerente e verificar se alguma medida tinha sido tomada. Segundo Alberton, quando a pessoa indicada pelo funcionário como gerente do estabelecimento chegou, o suposto responsável pelo estabelecimento começou a agredir um dos colegas da vítima. Quando estavam indo embora, outro colega chegou a ser atingido por um pedaço de pau arremessado pelo suposto gerente.

Quando perceberam que estavam sendo perseguidos pelo mesmo homem, as vítimas chamaram o advogado e presidente da Associação dos estrangeiros residentes na região Metropolitana de Maringá, Ronelson Furtado Balde, que foi também insultado.

Segundo o advogado Mário Henrique Alberton, foi registrado boletim de ocorrência na delegacia de Polícia Civil e solicitadas as imagens do local. Além disso, as vítimas passaram por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Maringá na manhã de terça-feira (10/11).

A loja de conveniência Cacique, onde ocorreu o caso, emitiu nota na noite de terça-feira nas redes sociais. Na nota, o estabelecimento afirmou que está há mais de cinco anos no mercado e que sempre respeitou os clientes.

“Repudiamos qualquer tipo de preconceito e não concordamos com qualquer tipo de violência. Estamos analisando todas as imagens e averiguando os fatos”, afirmou. No comunicado, a conveniência afirmou que vai se pronunciar novamente nesta quarta-feira (11/11).

A Cáritas Arquidiocesana de Maringá, entidade que assessora à população em vulnerabilidade social de Maringá e região, divulgou nota de repúdio sobre o caso.

“Independentemente das motivações e do possível desfecho da investigação ora em curso, repudiamos o emprego de violência contra pessoas e a forma truculenta e desprezível com que os cidadãos imigrantes foram tratados. Tal ação violenta, além de deixar lesões corporais e psíquicas nas vítimas, abre fraturas profundas no tecido social, pois quebra as normas mais básicas de convivência social e ofende os princípios e as formas legais de resolução de conflitos.”

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