Mortes por doenças respiratórias durante a pandemia crescem entre amarelos, pardos e pretos no Paraná

Por: - 14 de julho de 2020
Registro de mortes por causas naturais cresceram mais entre pretos e pardos / Reprodução Jovem Pan

O número de mortes por doenças respiratórias cresceu mais entre pessoas declaradas como amarelas, pardas e pretas no Paraná desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus, se comparado ao mesmo período do ano passado. As informações estão no novo módulo do Portal da Transparência, que reúne os registros de óbitos feitos pelos cartórios brasileiros.

A população mais atingida foi a amarela, representando aumento de 17,1% de óbitos por doenças respiratórias, seguidos dos pardos, que tiveram aumento de 9,6%. O crescimento de óbitos por estas doenças entre os pretos ficou em 4,8%. Os brancos registraram queda de 5,4% e os indígenas de 45,5%.

Os números são de mortes ocorridas entre 16 de março e 30 de junho de 2020. Os dados são de óbitos causados por Covid-19, insuficiência respiratória, pneumonia, septicemia e síndrome respiratória grave (SRAG). No período, houve queda de 0,3% no número de óbitos em relação ao ano passado no Paraná.

No Brasil, nesse mesmo período, o total de mortes teve um aumento de 34,5%, com os pardos e pretos sendo os mais atingidos: a população parda viu crescer 72,8% os óbitos por doenças respiratórias, enquanto os pretos registraram aumento de 70,2%. O crescimento de óbitos entre os brancos ficou em 24,5%. Os índios registraram aumento de 45,5% e amarelos de 40,4%.

Mortes por causas naturais crescem entre pretos e pardos

O número de mortes por causas naturais cresceu entre pessoas declaradas como pretas e pardas no Paraná, desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus. Entre 16 de março e 30 de junho deste ano, o Estado registrou uma queda de 1,8% no total geral de mortes por causas naturais, mas a distribuição foi desigual entre a população em comparação com 2019.

Enquanto o número de mortes de brancos registrou queda de 4,3%, os pardos viram o número crescer 7,7% e para os pretos o crescimento foi de 3,3%. Os óbitos entre a população indígena registraram queda expressiva de 38,7%, enquanto o número de mortes entre amarelos aumentou 2,5%.

Em números absolutos, as mortes registradas em cartórios paranaenses neste período totalizaram 18.824, sendo 12.410 óbitos de pessoas declaradas brancas, 2.653 de pardos e 593 de pretos. Os indígenas representaram 19 falecimentos e a população declarada amarela 124. Constam, ainda, 3.025 óbitos cuja raça/cor não foi declarada pelo médico ou o declarante no momento do registro de óbito.

Coronavírus

No Paraná, 52,5% óbitos por coronavírus foram de pessoas declaradas brancas, 13,6% de pessoas declaradas pardas e 3,2% da população preta. Os declarados amarelos representaram 0,8% dos mortos, enquanto que a população indígena não teve nenhum registro de óbito por Covid-19. Os que constam como raça/cor ignorada representam 29,8% dos óbitos causados pela doença.

Em contrapartida, os números nacionais mostram uma porcentagem menor no registro de óbitos de pessoas brancas e mais mortes de pessoas pardas e pretas, em comparação com o Paraná. No Brasil, 44,4% de óbitos por Covid-19 foram de pessoas declaradas brancas, 38,4% de pessoas pardas e 8,2% da população preta. Os indígenas representam 0,24% e os amarelos 1,5% dos óbitos. Constam com raça/cor ignorada, 7,2% dos óbitos causados pela doença.

Doenças cardíacas

Os dados de óbitos por doenças cardíacas disponíveis no portal, AVC, infarto e demais doenças cardiológicas (que correspondem a morte súbita, parada cardiorrespiratória e choque cardiogênico) – também registraram queda de 1,2% no mesmo período.

Entre as mortes ocasionadas por doenças cardíacas, registraram maior aumento os pretos (19,2%) e os pardos (7,6%). As pessoas declaradas brancas, amarelas e indígenas registraram diminuição no período: 4,1%, 3,3% e 42,9%, respectivamente.

Os números nacionais representam, no total, um pequeno aumento no mesmo período analisado: 0,7%. O aumento de óbitos está presente entre os pretos 13,7%, pardos 8,4% e indígenas 2,2%. A população branca (-0,5%) e a população amarela (-0,3%) tiveram queda nos números.

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