Crea-PR alerta para a prevenção à Covid-19 nos canteiros de obras

Por: - 19 de maio de 2020

A Construção Civil foi incluída na lista dos serviços públicos e atividades essenciais durante a pandemia do novo Coronavírus no Brasil. O funcionamento do setor deve obedecer às determinações do Ministério da Saúde, conforme o decreto federal nº 10.342 assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo o decreto, “são serviços públicos e atividades essenciais aqueles indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade, assim considerados aqueles que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população”.

Em Maringá, as atividades nos canteiros de obras foram paralisadas no dia 20 de março e retornaram no dia 12 de abril por meio do decreto municipal 461. Nas cidades da região Noroeste as atividades foram paralisadas quase que no mesmo período, também em função de decretos municipais. Para retornar aos trabalhos, a categoria trabalhou em Maringá em conjunto com a administração pública para definir os procedimentos necessários para evitar a propagação da Covid-19.

“Apresentamos estudos mostrando que os trabalhadores da construção civil utilizam pouco o transporte público; propomos escalas diferenciadas para a retomada das obras; escalonamentos nos horários de refeições; fora todas as outras ações padrão, como o uso do álcool em gel e reforço sobre o distanciamento, explica o Engenheiro Civil João Aguiar, diretor executivo do Sinduscon/PR-Noroeste”.

Aguiar ainda diz que, entre as medidas tomadas, a ação principal foi a colocação de três equipes do Serviço Social do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná Região Noroeste (Seconci-PR/Noroeste) para vistoriar as obras das empresas associadas, prestando toda a assessoria técnica para a volta segura das atividades.

O Engenheiro Civil Hélio Sabino Deitos, coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Civil do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), ressalta que entende que a Construção Civil é uma atividade essencial, uma vez que a sociedade depende dela no seu dia a dia, como por exemplo as edificações, ruas e estradas pavimentadas, pontes, viadutos, redes de água e de esgoto, drenagem, barragens, portos, aeroportos, entre outros. Para ele, a importância do setor é primordial em diversos aspectos.

“Imagine uma obra de pavimentação paralisada. Com a ocorrência de chuvas, você pode perder todo o trabalho. O mesmo acontece com um edifício ou outro tipo de obra paralisada. Além da depredação, pode haver corrosão da ferragem e outros problemas estruturais causados pela falta de continuidade dos serviços. E na atual situação, a construção de hospitais de campanha, reforma e ampliação de hospitais reforçam mais esta questão”, frisa o coordenador.

Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), o setor movimentou R$ 230 bilhões em 2019, e representa 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, que foi de R$ 7,3 trilhões. No Paraná, o setor da Construção Civil já havia sido considerado serviço e atividade essencial, que não pode ser interrompido, no decreto 4.317/2020 de 21 de março deste ano. Por esse motivo, os trabalhos seguiram o andamento de seus cronogramas.

“Creio que poucas obras foram paralisadas no Paraná. As do Governo do Estado, onde trabalho, estão com os andamentos normais, principalmente da Secretaria do Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas”, comenta o coordenador.

Proteção redobrada
O Crea-PR, por meio da Câmara Especializada de Engenharia Civil, faz um alerta aos profissionais da Engenharia Civil para que, além de se proteger, redobrem os cuidados com os locais de trabalho, exigindo dos demais trabalhadores a utilização dos equipamentos de proteção individual (EPIs) recomendados pelas normas, e reforcem a importância do uso de máscaras.

Entre as demais medidas de proteção, o coordenador da Câmara Especializada do Crea-PR cita que “é importante disponibilizar água e sabão para lavar as mãos e equipamentos dos trabalhadores, bem como distribuir álcool em gel 70% em vários locais da obra, além de evitar aglomerações, principalmente nos intervalos para refeições, procurando intercalar turnos de trabalho. Também é essencial fixar cartazes nas obras com informações sobre os cuidados e prevenção com relação à Covid-19, tanto no trabalho como no deslocamento e volta para as suas casas”, reitera o Engenheiro Civil.

O Gerente do Crea-PR Regional Maringá, Engenheiro Civil Hélio Xavier da Silva Filho, lembra de mais uma das responsabilidades dos Engenheiros neste momento. “O Engenheiro Civil, por exemplo, se responsabiliza tecnicamente pela obra. Este profissional promove a aplicação do regramento legal, bem como a utilização dos protocolos de segurança e saúde”, pontua.

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