Crescimento da frota de veículos de Maringá apresenta desaceleração

Por: - 15 de maio de 2020
Reprodução de imagem do trânsito de Maringá feita pela RPC

O aumento da frota de veículos de Maringá entre 1016 e 2020 de 5%. Porcentual bem mais baixo do que o registrado de 2011 a 2015, quando a frota cresceu 25% na cidade.

A frota maringaense ainda é a segunda maior do Estado, mas uma análise do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) mostra que o aumento de veículos em Maringá desacelerou bastante. Em 2015, o crescimento anual era de quase 4%, enquanto de fevereiro de 2019 a fevereiro de 2020 o aumento atingiu 1,3%.

A desaceleração se torna ainda mais perceptível ao analisar os dados de 2011, quando a frota crescia, em média, 7,5% ao ano. Os cálculos da engenheira Bárbara Andrea Marchesini, especialista em Trânsito e Transportes, têm como base as estatísticas do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran).

Segundo a especialista em Trânsito, há seis anos Maringá trabalha intensamente as questões de mobilidade urbana e os resultados das ações adotadas para o trânsito estão surgindo.

“A reestruturação do transporte público com aumento das linhas e pontos de ônibus. A implantação de ciclovias e semáforos. A construção de rotatórias e a conclusão do Terminal Intermodal são algumas melhorias que podem ter colaborado na desaceleração da frota maringaense”, avalia. Ela Lembra que a economia também contribui com a queda na compra de veículos, pois o poder aquisitivo fica menor.

Até fevereiro de 2020, Maringá tinha 319.740 veículos registrados no Detran, sendo os automóveis (174.286), as motocicletas (43.595) e as caminhonetes (27.481) os três tipos de veículos mais utilizados na cidade. No mesmo período de 2019 eram 315.430 registros. De 2011 a 2020, o crescimento da frota maringaense foi de 33%. Porém, o maior índice de aumento é registrado entre os anos de 2011 e 2015, que somou 25%.

Crescimento no Paraná
A frota paranaense de veículos cresceu 4% de fevereiro de 2019 a fevereiro de 2020, de acordo com levantamento do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR). O salto, em um ano, foi de 7.237.435 para 7.496.666 veículos no Estado.

No ranking estadual, os três tipos de veículos mais utilizados não mudam em relação a Maringá, são automóveis (4.377.981), motocicletas (1.092.305) e caminhonetes (652.694).

Para o diretor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Engenheiro Civil e Especialista em Infraestrutura e Transportes, Rafael Fontes Moretto, com o aumento de veículos nas ruas, ano após ano, principalmente nas grandes cidades, o trânsito em breve atingirá sua capacidade máxima.

“Sem política de investimentos no trânsito, em uma década teremos problemas sérios. É necessário e urgente o investimento em outros meios de transporte, como as modalidades ferroviária, metroviária e hidroviária, para que a sociedade não fique tão dependente somente do sistema rodoviário, como ocorre atualmente, tanto para escoamento de produção quanto para transporte de pessoas. Os problemas que ocorrem nas cidades de grande porte já começam a surgir nas cidades de médio porte”, avalia o diretor do Crea-PR.

Um dos impactos diretos da utilização intensa das rodovias é o número de acidentes. Em 2019, a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) registrou 9.896 acidentes, em sua maioria ocasionados por colisão traseira (1.796), abalroamento lateral (1.513), choque (1.413) e abalroamento transversal (1.229). Os acidentes registrados no ano passado resultaram em 6.841 vítimas feridas e 699 óbitos.

“Pode-se afirmar que 90% dos acidentes são ocasionados por fator humano, sendo grande parte por imprudência, mas outros fatores são considerados, como falta de manutenção da rodovia ou falta de manutenção do veículo. Por isso, é preciso uma mudança de cultura das pessoas e investimentos em estruturas de trânsito alternativas”, afirma Moretto. Entre as sugestões de investimentos apontadas pelo especialista em Infraestrutura e Transportes constam:

– Construção de centros de distribuição longe das grandes cidades;
– Foco em outras malhas, como ferrovias, metrovias, hidrovias e ciclovias;
– Cumprimento das projeções de pavimentação anunciadas pelo poder público;
– Melhoramento das vias existentes, com ampliação da capacidade e obras especiais (viadutos, pontes, túneis) para melhorar a fluidez.

Um dos pontos principais ressaltados pelo Engenheiro é o investimento em transporte coletivo e ciclovias como uma forma de estimular a construção de uma cultura social mais sustentável em termos de trânsito. No Paraná, atualmente, estão registrados 40.504 ônibus e 23.645 microônibus, e em Maringá 936 e 558 respectivamente, números muito baixos quando comparados à frota de veículos particulares.

Maio Amarelo
A Campanha Maio Amarelo teve início em 2010 a partir da Assembleia-Geral das Nações Unidas que editou uma resolução definindo o período de 2011 a 2020 como a década de ações para a segurança no trânsito. Desde então, atos de conscientização são realizados no mundo, para chamar a atenção dos motoristas e, consequentemente, diminuir os acidentes de trânsito. Com o tema “Perceba o risco. Proteja a vida”, as ações presenciais da campanha de 2020 foram adiadas para o mês de setembro, com base nas orientações do Ministério da Saúde referentes à Covid-19. Veja mais informações sobre o Maio Amarelo no site do Detran do Paraná.

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