Em Madagascar, médico maringaense relata como um dos países mais pobres do mundo combate o coronavírus

Por: - 26 de março de 2020
Médico maringaense, Paulo Mai está em missão humanitária em Ambovombe, ao sul da ilha de Madagascar / Reprodução Facebook

Em meio à pandemia do coronavírus, o médico maringaense Paulo Henrique Mai participa de uma missão humanitária em Madagascar, país situado perto da costa sudeste da África. No décimo de 14 dias de isolamento, ele relata as ações do governo de Madagascar frente ao avanço da doença. No entanto, o médico também mostra outra problemática ainda mais assustadora: a fome.

Paulo Mai está em Ambovombe, ao sul da ilha de Madagascar, uma das regiões mais pobres do mundo. Ele saiu de Maringá no dia 13 de março e pretende ficar no local por um ano, atuando como médico por meio da ONG Fraternidade Sem Fronteiras. Em Maringá, ele atuou em alguns projetos como a pesquisa com moradores em situação de rua, realizada pelo Observatório das Metrópoles.

Assim como todos que entraram no país nos últimos 14 dias, Paulo Mai está em isolamento. Em um relato publicado no Facebook, ele conta que médicos e agentes do governo o visitaram, verificaram a temperatura e solicitaram informações diárias sobre o estado de saúde dele.

Para o Maringá Post, Paulo Mai diz que onde está não há transmissão comunitária do coronavírus. “É uma região muito isolada. Não tem muita razão para alguém viajar para cá”, explica o médico. Quando questionado se há casos importados de coronavírus na região, ele revela outra realidade ainda mais assustadora para os moradores: “tem fome”.

“Em janeiro, foi a última epidemia de sarampo. Em 2017, a ilha enfrentou a peste bubônica (peste negra, a mesma medieval). Pacientes com cromoblastomicose [micose subcutânea] são amputados porque não há tratamento com medicação antifúngica. O coronavírus certamente faria um gigantesco estrago aqui, mas não seria o maior medo da população”, diz o médico.

De acordo com mapa da BBC News Brasil atualizado com dados da Universidade John Hopkins, são 19 casos de coronavírus registrados em Madagascar. No entanto, as autoridades do país adotaram medidas para combater o avanço da doença. O médico Paulo Mai conta que todas as fronteiras estão fechadas há oito dias e ninguém entra ou sai do país. Nenhum voo internacional, regional ou interno está autorizado.

“O governo garantiu um subsídio para autônomos, taxistas, vendedores e prostitutas para que não não precisem trabalhar nesse período. Suspendeu todos os cortes de água e luz e garantiu que as próximas contas públicas como impostos, água e luz possam ser pagas até dezembro”, escreveu ele em relato no Facebook.

Segundo Mai, o governo comprou testes rápidos da China em que o resultado fica pronto em 20 minutos. Ele explica que não é possível comparar as medidas adotadas em Madagascar com as do governo brasileiro, já que são dois países completamente diferentes.

“As medidas tomadas pelo governo de Madagascar são as que se mostraram importantes aqui nesse momento. Essa região não tem como dar suporte a pacientes com coronavírus, então o governo está tomando todas as medidas possíveis para evitar a chegada”, diz o médico.

Na região onde ele vai trabalhar, por exemplo, são apenas três concentradores de oxigênio funcionando. Cada concentrador pode atender um paciente por vez.

Pela ONG em que o médico maringaense está participando da missão humanitária é possível apadrinhar um projeto ou fazer a doação. Acesse aqui o site da Fraternidade Sem Fronteiras e saiba como ajudar.

“Podem ter certeza que o valor de um cachorro quente no Brasil pode salvar mais de uma criança da desnutrição em Madagascar”, afirma Paulo Mai.

Equipe da clínica compartilha material e empresta concentrador de oxigênio para o secretário local de saúde / Paulo Mai

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