Entrada de animais vacinados contra a febre aftosa fica proibida no Paraná a partir desta segunda

Por: - 5 de janeiro de 2020
Paraná passa a proibir entrada de animais vacinados contra a aftosa / Divulgação/Agência Estadual de Notícias

A partir desta segunda-feira (6/1) fica proibida a entrada no território paranaense dos animais vacinados contra a febre aftosa. A medida é parte das normativas que passam a ser adotadas para o Paraná conquistar junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) o status de área livre de febre aftosa sem vacinação.

Atualmente, apenas o Estado de Santa Catarina possui o reconhecimento no Brasil. No Paraná, o trabalho se intensificou a partir de outubro de 2019, quando se dispensou a vacinação do rebanho. A proibição da entrada de animais vacinados contra a febre aftosa é mais um passo importante.

Em maio de 2020, quando a última aplicação de vacinas contra a febre aftosa no Estado completar um ano, o Ministério da Agricultura vai fazer um inquérito sorológico no rebanho paranaense com o objetivo de constatar que não há circulação viral no território.

Com a confirmação laboratorial, o Ministério vai pedir à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) que reconheça o Paraná como área livre de aftosa sem vacinação. Com os parâmetros técnicos dentro das exigências internacionais, a conquista do novo status sanitário tende a ser oficializada em assembleia-geral da OIE, em maio de 2021.

O diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, explica que o conjunto de normas é apenas uma das etapas de reforço da sanidade animal e vegetal com o fim da vacinação.

“Para isso, reforçamos as barreiras do Estado e contamos com apoio dos assistentes de fiscalização, fiscais de defesa agropecuária e Polícia Rodoviária Estadual para fortalecer nosso trabalho”, diz.

A Instrução Normativa determina a proibição de ingresso e incorporação de animais vacinados contra a febre aftosa no Estado do Paraná.

A exceção é para a entrada de animais (bois e búfalos) destinados a abate. Eles devem estar necessariamente em veículo lacrado e ter como destino abatedouro com inspeção oficial.

Caso se destinem à exportação, os animais precisam ser encaminhados diretamente para estabelecimento de pré-embarque autorizado pelo Serviço Veterinário Oficial.

Se o animal é vacinado e tem como destino outra unidade da Federação, ele vai receber autorização para transitar pelo Paraná desde que sejam obedecidas as rotas previamente estabelecidas pelo Serviço Veterinário Oficial.

Pelas regras, ficam autorizados a entrar no Estado cargas compostas por: carne fresca, miúdos in natura, vísceras e produtos cárneos de suínos e ruminantes, exceto os obtidos da região da cabeça, incluindo faringe, língua e os linfonodos.

Também há permissão para leite cru destinado ao beneficiamento em indústria integrante do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi), couro salgado, couro piquelado ou curtido, cascos, chifres e pelos, além de material genético.

Segundo Robson Mafioletti, superintendente da Ocepar, entidade que representa as cooperativas paranaense, a Portaria da Adapar vai ao encontro do esforço do setor produtivo do Paraná.

“Pedimos a atenção dos produtores e cooperados para que cumpram as determinações da Adapar. O novo status sanitário do Paraná, que deverá ser reconhecido pela OIE em 2021, será um fato sem precedentes na história e abrirá muitas oportunidades de negócios para os nossos produtos”, conclui.

Há estimativas de que com o statos de livre de aftosa sem vacinação, o Paraná vai ter condições de lucrar com a criação de novos rebanhos e que possa dobrar a exportação de carne suína.

Em outubro, quando do anúncio das medidas de suspensão da vacinação e controle do trânsito de animais, o presidente da FAEP, Ágide Meneguette, destacou a importância das medidas para o futuro.

“Com esse esforço conjunto, o Paraná se credencia como fornecedor de alimentos, mas de alimentos seguros. Nossos produtores abastecem boa parte do mercado interno e já têm uma importante projeção nas exportações. Estamos dando um passo em direção a mercados internacionais. Precisamos gerar empregos e riquezas, para termos paz social”, disse.

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