Refugiados, motoristas venezuelanos, chegam a Maringá na terça para trabalhar em transportadora

Por: - 7 de julho de 2019
Trabalho de seleção de motoristas venezuelanos em Boa Vista, Roraima / Divulgação Transpanorama

Um grupo de 37 motoristas venezuelanos vai chegar a Maringá na terça-feira (9/7) em aviação da Força Aérea Brasileira (FAB). Eles foram recrutados pela Transpanorama Transportes, junto com a Missão Acolhida, em Boa Vista, Roraima, no mês de junho.

Uma equipe da empresa viajou a Roraima no sábado (22/6) e fez uma seleção entre 130 motoristas venezuelanos que se candidataram às vagas disponíveis.

Assim que chegarem em Maringá, o grupo de motoristas venezuelanos vai passar por um curso de capacitação e aperfeiçoamento de 30 dias, quando vão ter informações sobre a legislação de trânsito e transporte brasileiro, vão conhecer mais sobre a cultura do país e vão ter aulas de Língua Portuguesa.

A empresa vai oferecer alojamento e alimentação. “Esta é uma forma de oportunizar emprego e renda para eles, de conseguirem cuidar das suas famílias. Vamos recebê-los de braços abertos e temos a certeza de que será uma ótima parceria”, diz o diretor Administrativo da Transpanorama, Claudio Adamuccio.

As condições de trabalho vão ser as mesmas dos motoristas brasileiros. O grupo de motoristas venezuelanos vai ser registrado de acordo com a CLT. Após o término do curso, os motoristas venezuelanos vão viajar durante 30 dias pelo país com motoristas padrinhos, ou seja, colaboradores da empresa que vão ajudar na missão de acolhimento.

“Temos um planejamento que foi desenvolvido junto com as autoridades brasileiras, como o Exército, para receber os venezuelanos, que tem como objetivos a acolhida, a integração e o aperfeiçoamento destes profissionais para poderem viver e atuar como profissionais no Brasil”, diz o gerente de RH da Transpanorama, Jean Salgals.

A Transpanorama Transportes foi fundada em 1986, tem 1.100 caminhões, 1.800 colaboradores e atua em todas regiões do Brasil, no transporte de grãos, líquidos, industrializados e cargas postais.

Trabalho de seleção de motoristas venezuelanos em Boa Vista, Roraima / Divulgação Transpanorama

A empresa de Maringá é a primeira transportadora a contratar uma quantidade expressiva de motoristas venezuelanos.

“Hoje a Operação Acolhida faz um chamamento à comunidade e ao empresariado brasileiro para que possam abrir vagas de emprego nas suas plantas ou nas suas indústrias. Temos um grande banco de dados e condições de selecionar candidatos de toda a expertise”, diz o chefe da célula de interiorização da Missão Acolhida e coronel do Exército, Alexandre Carvalhaes.

Antes de fazer o recrutamento e a seleção em Roraima, a Transpanorama apresentou uma série de documentações à Organização das Nações Unidas (ONU) para demonstrar a  capacidade de empregar os motoristas estrangeiros e o cumprimento das obrigações legais, nas mais diversas esferas.

Entre as histórias que os profissionais da Transpanorama encontraram em Boa vista, está a de Felipe Amado Mejias Penaloza, 43 anos, motorista que trabalhava na Venezuela no transporte de cegonheira, container e produtos químicos.

Ele está desempregado há dois anos e há um ano e seis meses mora no Brasil. Boa parte da família dele está do lado de cá da fronteira, morando num abrigo. São quatro filhos, um neto, uma nora e a esposa.

“Na Venezuela cheguei a pesar 100 quilos, mas quando sai de lá, estava com 49. Foi muita fome com a minha família. O dinheiro não rendia. Agora, estou pesando 80. Aqui pelo menos não passo fome. Ter este emprego vai me ajudar a devolver o futuro para os meus filhos, significa muito para mim”, diz.

Nestor Alcedo Cumache, 52 anos, está no Brasil há cinco meses. Começou na profissão de caminhoneiro há 19 anos. Na Venezuela, trabalhou no transporte de sementes, grãos e bobinas. Ele está desempregado há dois anos.

Atualmente, mora nas ruas de Boa Vista, com a família: a esposa, uma filha de 14 anos e uma filha de quatro anos, ficando a maior parte do tempo numa praça da cidade.

“Durmo com a minha mulher numa rede e as minhas filhas ficam na barraca. Na Venezuela, passei muita fome, minha filha de quatro anos pedia café da manhã e não tinha para dar. Vendi tudo para vir para cá, casa, carro. Quero essa oportunidade de trabalhar na Transpanorama, é de ouro”, aponta.

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