Após transplante de medula, maringaense Thiago Ruy Amaral está mais próximo de vencer a luta contra o câncer

Por: - 1 de julho de 2019
Thiago Ruy Amaral foi diagnosticado com linfoma linfoblástico em 2015 / Arquivo Pessoal

“O câncer não é mais uma sentença de morte, hoje em dia existem várias alternativas para a cura”, afirma o maringaense Thiago Ruy Amaral, 30 anos, com propriedade. Ele, que luta contra um câncer desde 2015, conseguiu um doador de medula óssea compatível e fez o transplante no dia 31 de maio.

Na segunda-feira (24/6), o médico deu a boa notícia: a medula “pegou”, e na terça-feira (25/6), o paciente teve alta do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. 

Thiago Ruy Amaral descobriu o câncer quando estava no segundo ano da graduação de Engenharia Ambiental e Sanitária na UniCesumar. “Estava indo para a faculdade, quando coloquei a mão no pescoço e senti um caroço. Como minha irmã teve câncer em 2010, falei para a minha mãe e fomos investigar. Em Curitiba, fiz diversos exames e em cerca de quatro meses, saíram os resultados: era um linfoma linfoblástico”, conta.

Imediatamente, Thiago iniciou o tratamento no Hospital Paraná, em Maringá. Foram oito sessões de quimioterapia, concluídas em janeiro de 2017. Na ocasião, a doença ficou em fase de remissão. “Minha médica me liberou para fazer as atividades normais. Voltei a frequentar faculdade, jogava bola, ia na academia, e andava de bicicleta”, lembra.

Neste período, ele também trabalhou como estagiário na Secretaria do Meio Ambiente e Bem-Estar Animal (Sema). 

Mas, no dia 14 de novembro de 2018, após passar mal com febre e dor de garganta, Thiago foi ao hospital e recebeu a má notícia: a doença tinha voltado e, dessa vez, a quimioterapia não seria mais suficiente. A única alternativa seria fazer um transplante de medula óssea. 

O primeiro passo foi procurar doadores na família, mas os pais de Thiago eram só 50% compatíveis, e a irmã, Daniele Ruy Amaral, de 37 anos, 0%. A segunda opção foi buscar por um doador no Registro de Doadores de Medula Óssea (Redome). Na época, a irmã de Thiago criou uma página no Facebook chamada “Juntos com Thiago Ruy Amaral”, onde compartilhou a história, pediu ajuda e incentivou a doação de medula óssea. 

A chance de encontrar um doador era de 1 a cada 100 mil, mas Thiago encontrou quatro com certa compatibilidade. O mais compatível (95%) foi um turco de 42 anos. A única diferença estava no sangue: Thiago era A positivo e o doador, O positivo, mas isso não atrapalharia o procedimento.

Durante o tratamento, Thiago Ruy Amaral teve diversas infecções, porque seu organismo estava debilitado, sem defesa alguma. Na semana que antecedeu o transplante, ele precisou fazer duas sessões de quimioterapia e seis de radioterapia para eliminar a doença da medula.

Antes do transplante, Thiago foi alertado pelos médicos de que havia riscos. Mas, ele conta que preferiu manter a confiança e a fé. “Durante o tratamento, a fé, o físico e o psicológico precisam caminhar juntos. Mesmo com as piores notícias que eu recebi, continuei confiante e pedindo que Deus me mostrasse o caminho”.  

A medula foi coletada na Turquia e enviada para o Brasil. O transplante foi realizado no dia 31 de maio / Arquivo Pessoal

E funcionou. O transplante foi um sucesso, e a confirmação veio nesta segunda-feira (24/6), quando o médico Dr. Samir Kanaan Nabhan deu a notícia: após 24 dias, a medula “pegou”. “Meu organismo aceitou a medula do doador turco, e eu não tenho mais a medula doente comigo. Agradeço a Deus pela oportunidade que ele me deu de poder viver novamente”, comemora Thiago, que vai fazer exames mais detalhados para confirmação.  

Thiago Ruy Amaral e o médico Dr. Samir Kanaan Nabhan / Arquivo Pessoal

O transplante de medula óssea é um procedimento invasivo para o receptor. Agora, Thiago Ruy Amaral precisa ter diversos cuidados: não pode sair de casa durante dois meses, deve comer apenas alimentos frescos e bem higienizados e, o principal: não tomar sol durante um ano. “Se eu tomar sol posso ter câncer de pele ou a doença do enxerto contra hospedeiro, que é quando as células da medula óssea do doador atacam o receptor”, explica. 

Gradativamente, Thiago vai poder retomar sua rotina, conforme recomendação médica. Em dois meses, ele retorna para Maringá, mas vai precisar ir mensalmente a Curitiba realizar exames. Agora, ele entra na fase de remissão e, se durante cinco anos a doença não voltar, vai estar completamente curado do linfoma linfoblástico. 

Durante todo o tratamento, Thiago Ruy Amaral não desistiu da graduação. “Não tranquei o curso porque precisava ocupar a cabeça com alguma coisa. O tratamento é muito forte, e se a gente não se ocupar, acaba deprimindo”, conta ele, que realizava as atividades de casa. 

Emocionado, Thiago faz um apelo: “Tenho que dar graças a Deus porque teve uma alma boa que foi no hemocentro da cidade dele e se cadastrou como doador de medula óssea. Precisamos ser mais solidários com as outras pessoas. Doem medula, sangue e plaquetas. É algo simples que pode mudar a vida de alguém”. 

Thiago contas que sonha em conhecer seu doador de medula óssea pessoalmente, mas a lei só permite o encontro um ano e meio após o transplante. “Com certeza vou querer conhecê-lo. Hoje, se pudesse encontrá-lo, eu o abraçaria e diria ‘obrigado’”, acrescenta.

No dia 5 de julho, o Provopar vai realizar um bazar chamado “Força, Thiago”, para ajudá-lo a arrecadar dinheiro para custear alguns dos exames que não são cobertos pelo plano de saúde. São itens novos e usados: roupas, sapatos, bolsas e acessórios masculinos e femininos de boa qualidade. Também é possível doar os itens no Provopar, no Paço Municipal. Outra maneira de ajudar é por meio da vaquinha online. 

João Bombeirinho

João Daniel de Barros, que ficou conhecido como João Bombeirinho por conta do sonho de ser bombeiro, é um símbolo de luta contra o câncer em Maringá. Ele foi diagnosticado com leucemia em 2007, antes de completar dois anos de idade, e precisou passar por um transplante de medula óssea, o que aconteceu em 2012, no Hospital das Clínicas, em Curitiba.

A doadora foi Kayla Castilho, nascida na Republicana Dominicana, mas que morava nos Estados Unidos. Em 2014, João Bombeirinho e a família tiveram a oportunidade de conhecê-la em Nova York.

Em 2017, o transplante de medula óssea completou cinco anos, e João Bombeirinho, hoje com 13 anos, está curado da leucemia. Agora, ele tem o tipo sanguíneo do doador: deixou de ser A positivo para ser B positivo. A mudança no tipo sanguíneo também deve acontecer com Thiago Ruy Amaral. 

Tem uma dica de notícia? Fez alguma foto legal? Registrou um flagrante em vídeo? Compartilhe com o Maringá Post, fale direto com o whats do nosso editor-chefe.