Cenário para construção do campus da UTFPR em Maringá piorou. MEC confirma que não há previsão

Por: - 3 de junho de 2019
Campus da UTFPR em Dois Vizinhos / Divulgação

Em meio ao contingenciamento de recursos nas universidades federais, o Maringá Post voltou a questionar o Ministério da Educação (MEC) sobre a construção do campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) em Maringá, anunciada em 2015.

A resposta do Ministério continua a mesma da reportagem produzida no ano passado. O MEC informa que não teve participação no projeto e que por esse motivo os recursos não foram liberados.

Em 2018, o Assessor de Desenvolvimento Institucional da UTFPR, Vilson Ongaratto, disse que, por causa da crise, o governo federal não estava autorizando nenhum projeto. Segundo ele, o cenário só piorou desde então.

“Nesse momento, não tem espaço e nem clima para implantação de nada. Com a atual conjuntura do governo, sem pessoal, sem dinheiro para custeio e com corte no que existe, vamos ter que esperar passar tudo isso”.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa do MEC confirmou que não há perspectiva de quando a instituição deve inciar as atividades na cidade. “A atual prioridade do Ministério é consolidar a expansão e sustentabilidade econômica dos campus federais em funcionamento”, disse a assessoria.

O anúncio da construção do campus em Maringá foi feito em 2015 e a previsão inicial era que estivesse pronto em 2017. Segundo o Assessor de Desenvolvimento Institucional da UTFPR, naquela ocasião foi apresentado estudo preliminar para a Secretaria de Educação e Ensino Superior do MEC, mas a análise não teve andamento.

O projeto, orçado em R$ 68,8 milhões, previa a oferta de seis cursos de graduação: design de jogos, engenharia biomédica, engenharia de materiais, engenharia eletrônica, engenharia mecatrônica e licenciatura em informática.

O terreno viabilizado pela Prefeitura de Maringá e a GRP Borges Empreendimentos Imobiliários permanece à disposição da universidade. Porém, se nada for construído no terreno durante 10 anos, a propriedade volta para os doadores.

O Assessor de Desenvolvimento Institucional da UTFPR, Vilson Ongaratto, disse que quando for colocado em prática, o projeto e a relação de cursos que deveriam ser ofertados serão revistos. Ele classificou que o projeto da construção do campus em Maringá está na fase do “interesse”. O que existe, segundo ele, “é a vontade de construir o campus e a doação de uma área pela prefeitura”.

A UTFPR foi uma das instituições afetadas pelo contingenciamento de recursos do governo federal. De acordo com Ongaratto, os cortes em algumas ações chegaram a 36%. Ele afirmou que a universidade termina o ano letivo, mas que para isso vão ser necessárias adaptações orçamentárias. “A gente ainda está avaliando o que vamos ter que deixar de fazer, mas trabalhamos com a probabilidade de que o governo libere os recursos”.

Sargento Fahur pretende falar com Ministro da Educação

Na época do anúncio do projeto, os deputados federais prometeram agilizar a construção. Agora, segundo Ongaratto, o deputado Sargento Fahur (PSD) procurou a UTFPR e afirmou que vai levar a demanda da construção do campus para Brasília.

Em entrevista ao Maringá Post, o Sargento Fahur disse que vai marcar uma reunião com o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, para tratar sobre o tema.

No entanto, ele disse acreditar que, por causa do contingenciamento do governo, as chances de conseguir liberar recursos para construção do campus são mínimas. “Falando com ele, posso entrar em uma lista para que quando a economia virar, eu possa ser atendido”, avaliou.

Fahur afirmou que o Ministro da Educação esteve na Câmara dos Deputados para explicar o contingenciamento dos recursos. Segundo o deputado, a ação do MEC atinge apenas uma parcela dos repasses para as instituições federais. Na opinião do parlamentar, alguns grupos estão “fazendo tempestade em copo d’água” sobre o contingenciamento.

Aliado de Jair Bolsonaro (PSL), Sargento Fahur afirmou que aceitou o contingenciamento dos recursos, mas que é necessário que o governo libere o dinheiro quando for possível.

“Na minha opinião, o presidente tem a caneta, a autonomia e entende o que é necessário. Agora, é obvio que a gente tem que cobrar, gostaria que revertesse isso o mais rápido possível. Precisamos valorizar a educação e a pesquisa e o presidente sabe disso”.

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