Velocista paralímpico maringaense Vinícius Rodrigues bate recorde mundial nos 100 metros e foca em Tóquio 2020

No Ensino Médio, Vinícius Rodrigues era destaque nas disputas esportivas entre turmas no Colégio Estadual Branca da Mota Fernandes, em Maringá. Agora, aos 24 anos, ele se tornou o atleta mais rápido da história dos 100 metros da classe T63, para amputados de perna acima do joelho.

O cronômetro cravou aos 11s95, quando o maringaense concluiu a prova. O novo recorde mundial foi conquistado durante a abertura da Open Internacional de Atletismo e Natação, no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo.

Nascido em Primavera, distrito de Rosana (SP), ele veio para Maringá aos 10 anos de idade. O menino, que passou parte da infância e adolescência no bairro Vila Nova, tinha o sonho de entrar para o Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Apesar do histórico de atividades físicas, em especial o futebol, o esporte surgiu como uma possibilidade de reabilitação quando Rodrigues amputou a perna esquerda acima do joelho. A cirurgia foi necessária após o envolvimento em um acidente aos 19 anos no trânsito de Maringá.

Após ter a perna amputada, ele não se entregou e decidiu encarar a situação com sorriso no rosto. Ainda na cama do hospital, Vinícius Rodrigues recebeu a visita da medalhista paralímpica nas provas de atletismo para deficientes visuais, Terezinha Guilhermina, e conheceu o esporte paralímpico. Era uma nova oportunidade para se recuperar do acidente e melhorar a vida da família.

Rodrigues conseguiu patrocínio para o tratamento de reabilitação e resolveu se mudar para São Paulo. Dois anos após o acidente, em 2015, ele participou pela primeira vez de uma competição profissional como atleta paralímpico.

Nesse meio tempo, ele recebeu a ajuda e o apoio de amigos e também de padrinhos do esporte. Aliás, a marca que o velocista superou na quinta-feira era do alemão Heinrich Popow, uma das pessoas que o ajudaram no início da carreira.

Após o acidente, ele conseguiu patrocínio para o tratamento e se mudou para São Paulo / Reprodução Facebook

Vinícius Rodrigues se prepara para Tóquio 2020

Para garantir o bom desempenho nas competições, Rodrigues conta que treina cerca de seis horas por dia de segunda-feira a sábado. Ele não quer parar no recorde conquistado na semana passada, mas alcançar outros avanços no esporte paralímpico.

Em novembro, o atleta participa do Mundial Paralímpico de Dubai, nos Emirados Árabes. Se for medalha de ouro, ele está garantido nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020.

Enquanto isso, a família torce pelo velocista, seja presencialmente nas competições ou aqui mesmo em Maringá, pela televisão. “Se não fosse o esporte, não teria uma profissão boa. Poder carregar nossa bandeira é algo que todo mundo sonha, mas se não fosse o esporte teria uma vida mais difícil. Hoje, tenho a possibilidade de mostrar meu talento e fazer tudo o que posso e sonho fazer”, diz Vinícius Rodrigues.

O atleta avisa que até pode parecer clichê o que vai dizer, mas para ele as dificuldades o fortaleceram. “Aprendi a lidar com um mundo novo. Aos 19 anos me vejo jovem e sem perna. Os olhares mudam, aprendi com o tempo que tem preconceito, mas sempre lidei com um sorriso. Com sorriso no rosto a gente prova que, com a nossa deficiência, nos tornamos mais eficientes”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.