UEM paralisa as atividades na segunda-feira (29/4), dia de mobilização de outros servidores do Paraná

Por: - 23 de abril de 2019
Paralisação foi decida na manhã desta terça-feira (23/4) em assembleia no Sinteemar / Valdete da Graça

A Universidade Estadual de Maringá (UEM) vai paralisar as atividades na segunda-feira (29/4), quando está prevista uma mobilização geral dos servidores no Paraná. A paralisação foi decidida em assembleia realizada na manhã desta terça-feira (23/4) no Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino de Maringá (Sinteemar). No entanto, a reitoria da UEM afirmou que vai manter o calendário acadêmico.

A categoria reivindica o pagamento da data-base. Segundo o presidente do Sinteemar, José Maria Marques, os servidores estão sem reajuste inflacionário desde 2016 e os salários acumulam defasagem de 16,24%. Ele afirmou que o governador Ratinho Junior (PSD) não cumpriu a promessa feita durante a campanha eleitoral de reunir as entidades sindicais e fazer um planejamento de reajuste para os próximos quatro anos.

No dia 15 de abril desse ano, durante entrevista coletiva sobre os 100 primeiros dias de gestão, Ratinho Junior afirmou que os servidores não terão reajuste salarial em 2019. O governador disse que, se concedesse o reajuste nesse ano, não poderia garantir que teria dinheiro para folha de pagamento em 2020. No entanto, para o presidente do Sinteemar, não há impedimento para conceder o reajuste.

“O que a gente quer é que o governo cumpra com a palavra dele durante a campanha ou a política dele vai ser a mesma do Beto Richa? Se a política desse governo vai ser a mesma, os trabalhadores vão mostrar que estão mobilizados”, afirmou José Maria Marques.

Além do Sinteemar, outras entidades como o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Paraná (APP-Sindicato), o Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindarspen) e o Sindicato Estadual dos Servidores Públicos da Agricultura, Meio Ambiente, Fundepar e Afins (Sindiseab) também anunciaram que vão paralisar as atividades na segunda-feira.

Uma das coordenadoras do Fórum das Entidades Sindicais (FES), Marlei Fernandes, também afirmou que o Estado tem condições de conceder a data-base para os servidores e que o Paraná tem a melhor condição financeira dos últimos 10 anos. “Os servidores cumpriram sua cota de sacrifício, são três anos sem reposição da inflação”.

Segundo cálculos do FES, sem a reposição inflacionária desde 2016, os servidores estão deixando de receber, por ano, o equivalente a dois meses de trabalho. De acordo com Marlei Fernandes, o objetivo da mobilização é retomar o diálogo com o Governo do Estado.

“Sempre agimos de forma institucional. Mudou o governo e nós protocolamos uma pauta e insistimos em reuniões com o governo que não aconteceram. Isso é muito ruim, porque significa o não debate, o não respeito e significa não acontecer o que é um direito dos servidores, que é ter uma mesa de negociação. Nós não queremos retornar a política anterior, o governo precisa mudar sua postura”, disse Marlei.

Nesta terça-feira (23/4), uma audiência pública no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) vai discutir o pagamento da data-base e a paralisação do dia 29 de abril. Marlei Fernades afirmou que as entidades sindicais esperam a presença de algum representante do governo para discutir a questão.

Governo afirma que existe diálogo com os servidores

Por meio da assessoria de imprensa, o governo estadual disse que a manifestação dos servidores é direito legítimo da categoria, desde que não prejudique o público e a prestação de serviços essenciais. Sobre a data-base, a assessoria respondeu que aspectos fiscais, financeiros e legais impedem que a reposição seja concedida nesse ano.

“O limite fiscal é que o Estado ocupa quase 50% da arrecadação com folha de pagamento e financeiro porque depende da arrecadação e hoje o governo gasta aquilo que a arrecadação permite. O limite legal é da Lei de Responsabilidade Fiscal, que o governo está a um ponto percentual do limite prudencial”, justificou a assessoria de imprensa do governo.

A assessoria de imprensa garantiu que o governo mantem diálogo com os servidores e reforçou o compromisso de chegar a um acordo com a categoria. Segundo a assessoria, o líder do governo, deputado Hussein Bakri (PSD), que faz da equipe do governo, vai estar na audiência pública nesta terça-feira na Alep para discutir a questão.

Reitoria da UEM afirma que vai manter calendário acadêmico

Por meio da assessoria de imprensa, a reitoria da UEM informou que a paralisação dos servidores é “uma decisão sindical que a universidade respeita, bem como a decisão pessoal de cada servidor em aderir”. No entanto, a instituição disse que vai manter o calendário acadêmico.

A UEM reafirmou que o Sinteeemar é o responsável por convocar a mobilização e que a universidade não está a frente da paralisação.

  • Reportagem atualizada na quarta-feira (24/4), às 11h, com informações da assessoria de imprensa da UEM

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