Estudantes da UEM vencem Startup Weekend Maringá com protótipos de aplicativos com promoções da xepa

Por: - 16 de abril de 2019
Alunos são membros do Grupo Manna de Pesquisa e Inovação da UEM / Divulgação

Já imaginou receber todas as promoções da hora da xepa na tela do celular ou comprar produtos fresquinhos da feira sem sair de casa? Essas foram ideias de aplicativos que conquistaram a 1ª e 2ª colocação, respectivamente, no Startup Weekend Agrotech Maringá, o maior evento do planeta para criação de empresas inovadoras.

Os dois projetos reuniram alunos da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e membros do Grupo Manna de Pesquisa e Inovação, ligado ao departamento de Informática da instituição.

A ideia que conquistou o primeiro lugar veio da estudante de Ciência da Computação, Beatriz de Jesus Costa, de 19 anos. Para conectar os feirantes com os consumidores, a estudante e mais quatro pessoas criaram o protótipo do aplicativo “Xepa”. A ideia é que os clientes possam ter acesso, por meio do celular, as promoções do fim da feira e à localização de cada barraca, para se locomover até o local e comprar o produto com preço mais baixo.

“Além de não conseguir vender, muitas vezes o feirante tem que transportar de volta aquele produto e conseguir um local para descartar. Com o aplicativo, ele conseguiria um dinheiro a mais e um sustento melhor, já que a única renda dele é a feira”, afirma Beatriz.

A equipe que desenvolveu a ideia do aplicativo não se reduziu apenas a estudantes da área de informática. Além de Beatriz e outros dois membros que cursam Ciência da Computação, a equipe contou com auxílio de um estudante de Direito e dois participantes que fazem cursos técnicos.

Como prêmio, o grupo ganhou um miniprocesso de aceleração na EVOA Aceleradora, com direito a uso de US$ 5 mil em serviços da Amazon Web Services, o que pode ajudar a equipe a colocar a ideia em prática e transformá-la em uma empresa. No entanto, para Beatriz, o prêmio maior foi vencer a timidez e desenvolver autoconfiança.

“Antes eu não conseguia falar em público e na Startup Weekend eu consegui. Quando minha ideia venceu, fiquei muito feliz. Se não tivesse falado e apresentado a ideia, nunca teria a chance de ganhar”, conta a estudante.

O grupo de Beatriz de Jesus conquistou o primeiro lugar com a ideia do aplicativo “Xepa” / Arquivo pessoal

Delivery de produtos da feira

Mestrando em Ciência da Computação na UEM, Juliano Cézar Chagas Tavares, de 22 anos, também decidiu se arriscar e pensar em soluções e ideias que não ficassem restritas ao ambiente acadêmico. Ele e mais oito participantes criaram um delivery de produtos da feira e batizaram o aplicativo de “Minhafeira.com”.

A ideia é que os consumidores possam fazer encomendas para o feirante e pagar pela mercadoria por meio da plataforma. Para que os negócios não fiquem restritos às barracas, o aplicativo também aposta no segmento delivery, em que os feirantes podem fazer entregas dos produtos pela cidade nos dias de feira.

“Fizemos um levantamento com o pessoal da feira e isso é um problema muito forte para eles. Os feirantes até têm capacidade de aumentar a produção, mas por estarem restritos à feira é difícil produzirem mais porque não têm a garantia da venda”, afirma Juliano Tavares. O grupo também pretende colocar a ideia em prática e está em busca de possíveis patrocinadores que ajudem no processo de aceleração do protótipo.

O mestrando conta que a ideia de escolher os feirantes como público alvo surgiu com objetivo de aproximar o pequeno produtor, que muitas vezes não tem acesso
a soluções inteligentes, a novas formas de resolver situações do dia a dia. “Quando a gente conversou com eles, de cada 10 feirantes, oito tinham interesse, mas não tinham familiaridade com a tecnologia”, diz Tavares.

Para a professora e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação da UEM, Linnyer Beatrys Ruiz Aylon, é importante desmistificar a ideia de que a inovação está ligada apenas à tecnologia, à computação ou à engenharia. “É uma maneira de fazer as coisas de forma original. Então, a gente tem vários casos que não é só um aplicativo, mas novas maneiras de viver as experiências do dia a dia”.

Segundo ela, será necessário pensar novos caminhos para todas as áreas do Ensino Superior. Na visão da professora, a disciplina de inovação, ofertada no curso de Ciência da Computação, e que deve ser estendida para outras graduações, é uma das ferramentes que pode ajudar o aluno a se aproximar de um perfil inovador e empreendedor ainda dentro da faculdade.

A professora afirma que os projetos desenvolvidos durante o Startup Weekend ajudaram a despertar esse novo perfil nos estudantes. “Eles saíram de lá mais motivados e comprometidos. Eles não vão esperar a formatura para pensar em um projeto. Agora, eles já têm, a partir da competição e da disciplina (de inovação), um compromisso com o futuro deles”.

Protótipo de um delivery de produtos da feira foi desenvolvido pelo grupo de Juliano Tavares

Para quem gosta de ir às feiras livres, o Maringá Post tem um guia que mostra todas as feiras realizadas na cidade.

Tem uma dica de notícia? Fez alguma foto legal? Registrou um flagrante em vídeo? Compartilhe com o Maringá Post, fale direto com o whats do nosso editor-chefe.