Iniciativa maringaense, movimento Prospera incentiva o engajamento popular na formulação das políticas públicas

Por: - 16 de março de 2019
Observatório Social de Maringá é uma das entidades que apoiam o Prospera / OSM

O engajamento da sociedade é a peça principal para formulação de políticas públicas que atendam às necessidades da população. Em Maringá, o movimento Prospera, com a participação de representantes de entidades da sociedade civil, tem esse objetivo. A ideia é promover o protagonismo social interagindo com o poder público na busca de bons serviços.

Para isso, o Prospera pretende dar visibilidade para organizações maringaenses que participam ativamente nesta interação com o poder público e vai promover ações para mostrar que a sociedade também pode se organizar e contribuir com o desenvolvimento das cidades. O projeto vai ao encontro da Campanha da Fraternidade 2019 da Igreja Católica que pretende refletir sobre políticas públicas.

O movimento é formado inicialmente por cinco entidades maringaenses, alguma delas pioneiras no país na fiscalização do poder público, como o Observatório Social de Maringá (OSM). Além do OSM, também participam da iniciativa a Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM),  Instituto Cultural de Maringá (ICI), Conselho Comunitário de Segurança de Maringá (Conseg) e Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem).

“Quando a gente tem a participação da sociedade civil organizada, os resultados da comunidade são melhores. Em Maringá, são esses pequenos detalhes [dessas entidades] que contribuem para os excelentes indicadores, além da excelente gestão pública e da capacidade de empreendedorismo”, afirma Luís Fernando Ferraz, um dos idealizadores do  Prospera.

Para ele, a participação popular não deve estar ligada somente ao trabalho dessas entidades. Na visão do idealizador do movimento, a política pública nasce da atuação e participação de cada indivíduo em pequenas ações do dia a dia.

“O fato de avisar a prefeitura que tem uma lâmpada queimada na rua é estar interagindo com o poder público para manter a cidade iluminada. A participação da sociedade, de ligar na ouvidoria, é uma responsabilidade e oportunidade que o cidadão tem para fazer uma cidade com mais qualidade”, disse Ferraz.

Momento participação popular, diz presidente do OSM

A sensação é que nunca se falou tanto sobre engajamento popular, mas para a presidente do Observatório Social de Maringá (OSM), Giuliana Lenza, essas discussões estão ligadas ao atual cenário do Brasil. “A gente vive um momento que, em termos de evolução da gestão pública, a participação cidadã vai ser importante para consolidar o que já conseguimos e promover novos avanços”.

Giuliana Lenza diz que, ao dar visibilidade para exemplos que deram certo em Maringá, o Prospera pode incentivar mais iniciativas que promovam a participação popular. “É uma amostra de que isso pode funcionar e que aqui já está funcionando. Então pode ser replicado por outras organizações, em outras cidades e Estados. Quanto mais longe isso chegar, melhor”.

Assim como OSM, que foi o primeiro observatório social a ser criado no Brasil com objetivo de fiscalizar e acompanhar as ações do poder público, o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de Maringá também foi uma das primeiras iniciativas no país que se debruçou a discutir segurança pública. Toda segunda-feira, um grupo de cerca de 40 pessoas se reúnem para apontar soluções sobre o tema.

O Conseg foi criado há 36 anos e busca desenvolver planos de segurança para a cidade, desenvolve iniciativas com crianças que vivem em bairros com maior vulnerabilidade social. Outro projeto desenvolvido é o “Visão de Liberdade”, realizado na Penitenciária Estadual de Maringá (PEM). A ideia de incentivar os detentos para confeccionarem livros digitados em braille e outros materiais foi ganhadora do Prêmio Innovare em 2017.

Para o presidente do Conseg, Antônio Tadeu Rodrigues, ao estimular a participação cidadã, o projeto Prospera colabora para a discussão da segurança. Segundo ele, o engajamento popular contribui para que o investimento na segurança seja feito de forma técnica e não com viés político.

“A gente gostaria que a sociedade se envolvesse mais nas eleições e cobrassem os candidatos depois de eleitos. Quem está debatendo segurança hoje é o Conseg, a sociedade e as pessoas que sofrem e trazem o problema do seu bairro. Nós temos essa preocupação, de que as pessoas participem e nos ajudem também a cobrar nossos governantes”, afirma Rodrigues.

Para entidades, Prospera colabora para o desenvolvimento e a cidadania

O Instituto Cultural Ingá (ICI), fundado em 2011, atua como agência de fomento e incentivo à cultura na região de Maringá. O instituto é responsável por eventos culturais como o espetáculo “A Paixão de Cristo” e o “Auto de Natal” na cidade. O presidente do ICI, Carlos Eduardo Peinado, destaca que o Prospera colabora para o exercício da cidadania e, consequentemente, para o desenvolvimento da cidade.

“O Prospera é importante por estar fazendo essa discussão sobre a importância da cidadania, do empresário pensar no ponto de vista da cidadania. Isso no ICI é importante porque nos projetos a gente procura apoiar ações que buscam o desenvolvimento da cidade, tanto o desenvolvimento social quanto econômico”, disse Peinado.

Na opinião do presidente da ACIM, Michel Felippe Soares, Maringá é um celeiro de bons projetos que contam com a participação da sociedade civil. Ele afirma que esse trabalho tem contribuído para que as iniciativas públicas e privadas tenham um diálogo em prol do desenvolvimento. “Agora com o movimento Prospera deverá haver uma maior sinergia entre as entidades e a interface com o poder público. E, claro, voluntários são bem-vindos”.

Segundo o presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), José Roberto Mattos, o próprio nome do projeto apresenta a importância do movimento, que é trazer prosperidade para a cidade e para as pessoas ao dar visibilidade a instituições importantes de Maringá. “É a sociedade civil organizada mais uma vez se movimentando com objetivo de buscar a prosperidade”.

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