Árvores e bosques fazem de Maringá uma cidade atrativa para os pássaros. Casal de Tucanos apareceu em centro universitário

Por: - 15 de janeiro de 2019
cidade atrativa para os pássaros
Tucanos-toco têm sido avistados em campus da Unicesumar, em Maringá / Unicesumar

Nos últimos meses, um casal de tucanos tem buscado abrigo em uma árvore no campus da Unicesumar. A espécie avistada é de tucano-toco, o maior e mais conhecido entre esses pássaros. Mais comuns em regiões de cerrado e pantanal, eles têm chamado a atenção em Maringá.

A professora do curso de Medicina Veterinária da instituição, Jussara Maria Leite Oliveira, diz que essa não é a única espécie que vem fazendo visitas. “Já registramos mais de 20 espécies que nos visitam, entre elas algumas raras, como o Tucano-Araçari, Gavião-Carijó e Carcará. Isso ocorre principalmente porque com o avanço da monocultura, as aves acabam encontrando abrigo e alimento nas árvores da cidade”, explica.

Em cidades da região Centro-oeste, os moradores convivem com essas espécies em meio às cidades, mas a vinda de tucanos e outras aves do cerrado para Maringá mostra que esses animais têm perdido espaço em seus habitats naturais.

“São pássaros que gostam de áreas abertas. Eles não viriam para cá se ainda tivéssemos grandes áreas de florestas, mas como a agricultura faz cada vez mais áreas de campo, nossa região tem ficado cada vez mais atrativa para essas aves”, explica a pesquisadora, mestre em ecologia Priscila Esclarski.

Atualmente, Priscila estuda os pássaros da Mata Atlântica em 17 estados para o desenvolvimento de uma tese de doutorado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Ela também faz parte do grupo da universidade que trabalha na atualização do Plano de Manejo do Parque do Ingá.

“Nossa expectativa até o fim do trabalho é identificar de 100 a 150 espécies de pássaros no Parque”, relata. É um número maior que o registrado no Plano de Manejo do Horto Florestal, de 2013, que apontou no local 77 espécies de pássaros de 30 famílias diferentes.

A família mais presente é a Tyrannidae, que inclui bem-te-vis, cabeçudos, tororós, ferreirinhos-relógio e outros. Mas também há tico-tico, canários-da-terra, sabiás, joão-de-barro, maritacas, papagaios, rolinhas, quero-quero, gaviões, urubus, pica-paus, pombas e pardais.

Em algumas épocas do ano, o número de espécies avistadas na cidade é maior do que em outras por causa das aves migratórias como as andorinhas, o falcão-peregrino e as tesourinhas. No inverno, elas costumam voar para a região norte do País em busca de calor e voltam no verão.

A pesquisadora explica que esse número crescente só é possível porque Maringá tem bosques e parques que servem como esconderijos reprodutivos e de proteção para as aves. “Geralmente as nativas ficam dentro dessas áreas remanescentes de floresta. As que circulam pela cidade são as de fora, como bem-te-vis e pardais, que são comuns, e até o pica-pau branco ou birro, que é do cerrado e tem aparecido muito na cidade”, diz.

Em cidades sem as reservas que Maringá possui, seriam encontradas em média apenas 30 espécies de aves, acredita Priscila. “Nós temos realmente uma área verde com uma variedade importante de árvores. São espaços bem distribuídos pela cidade, com bosques que acabam funcionando como refúgios”, avalia.

O convívio entre pássaros nativos e exóticos é equilibrado porque, segundo a pesquisadora, as nativas ficam escondidas em matas mais fechadas, nos bosques, enquanto as exóticas ficam nas árvores das ruas, o que evita que haja uma competição prejudicial por alimento.

Priscila diz que a arborização geral da cidade também é essencial para a preservação dos pássaros. Ela diz que por enquanto não há pesquisas que comprovem mas que, por observação, é possível perceber que a quantidade de árvores nas ruas auxilia na locomoção dessas aves entre um bosque e outro.

Para quem gosta de observar, a pesquisadora recomenda os horários da manhã, até dez horas e o fim da tarde, quando começa a movimentação das aves para dormir. “A temporada de reprodução, entre o fim de julho e os meses de outubro e novembro, também favorece muito a observação de pássaros”, diz.



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