Número de engenheiras aumenta quase 50% na região de Maringá. Homens são maioria nas obras e elas criam movimento contra assédio

Por: - 13 de dezembro de 2018
Número de engenheiras aumentou, mesmo assim, elas ainda são apenas 12% dos profissionais. Foto: Divulgação

O número de engenheiras aumentou 48,60% em Maringá, Cianorte, Campo Mourão, Paranavaí e Umuarama nos últimos cinco anos. Em 2013 elas eram 825 e em 2018 são 1.226. Em todo o Paraná as engenheiras – de todas as especialidades – são 11.031, um número ainda distante dos 79.035 homens que atuam na profissão.

Os números são do Crea – Conselho de Engenharia e Agronomia do Paraná. Como elas vêm ocupando um espaço cada vez maior no mercado, principalmente na área de Engenharia Civil, novas demandas e desafios estão surgindo. Como as obras ainda são ambientes muito masculinos, as mulheres encontram resistências e dificuldades.

Com mais engenheiras, o Crea tem adotado estratégias de fortalecimento e consolidação das mulheres. Em 2017 foi criado o Comitê Mulheres, que fomenta a participação feminina nas decisões que envolvem o sistema Confea – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia.

Foi dentro do Comitê que surgiu o “Movimento contra Assédio em Obras”, liderado pela engenheira civil Keila Uezi, que preside a Associação de Engenheiros e Arquitetos de Maringá (AEAM). Ela conta que começou o movimento depois de ouvir histórias de amigas que sofreram tanto assédio durante a execução de uma obra que tiveram que abandonar o trabalho.

“Elas se sentiram coagidas e com medo por terem ouvido comentários indecorosos e de conotação sexual por parte de operários”, relata. Para Keila, toda mulher enfrenta desafios comuns também aos homens ao assumir uma obra, como ter que conquistar o respeito dos subordinados, mas o assédio é o mais difícil e um problema que atrapalha apenas as mulheres nessa área.

Para mudar essa situação, o Movimento contra o Assédio pretende criar campanhas de conscientização em canteiro de obras, com palestras, distribuição de panfletos informativos e divulgação na mídia. Para ela, a união das mulheres é que vai trazer resultados e para isso, o Comitê Mulheres pretende definir no início de 2019 o detalhamento das ações que devem ser feitas.

Keila é a primeira mulher a assumir a presidência da AEAM, uma instituição que tem 59 anos de existência. Ela comemora o aumento de mulheres na engenharia e relembra os tempos de faculdade, quando em um turma com 80 estudantes, no máximo dez eram mulheres. “Só queremos ser valorizadas e ter igualdade de oportunidades. Não precisamos de cotas, o nosso espaço nós mesmas podemos conquistar”, conclui.

Panfleto informativo produzido para a campanha Chega de Assédio./ Crea-PR

Curiosidades históricas

A primeira mulher a se formar engenheira civil no Paraná se chamava Enedina Alves Marques; era negra, pobre e conquistou o diploma em 1945, aos 32 anos, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). No ano seguinte ela foi responsável pelo primeiro registro de uma mulher no Crea-PR.

Mesmo tendo enfrentado muitos preconceitos desde a faculdade, no início da carreira trabalhou na secretaria de Viação e Obras Públicas. Ocupou vários cargos e participou de levantamentos e obras das usinas Capivari Cachoeira e Parigot de Souza.

Quem também enfrentou preconceitos foi a primeira aluna de Engenharia Civil da USP São Carlos, Evelyna Bloem Souto. Ela teve que desenhar barba e bigode no rosto, se vestir de homem, para poder visitar a obra de um túnel em Paris, na França, onde estudava com uma bolsa.

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