PM de Maringá começa policiamento com bicicletas em dezembro. Ciclistas cobram da prefeitura plano municipal de mobilidade urbana

Por: - 26 de novembro de 2018
Policiais Militares em etapa final do treinamento para implantar projeto piloto com policiamento de bicicletas em Maringá (Imagem de arquivo /4º Batalhão)

A partir dezembro a Polícia Militar vai começar o policiamento com bicicletas na região central de Maringá. A modalidade de policiamento é um projeto piloto que irá durar até janeiro de 2019 para verificar a possibilidade do uso de bicicletas por PMs na cidade.

De acordo com informações da Comunicação Social do 4º Batalhão da PM, seis policiais vão participar da fase de testes. As equipes vão trabalhar, de forma especial, nas praças Raposo Tavares e Napoleão Moreira da Silva, em turnos de 6 horas diárias.

As equipes serão compostas por quatro policiais de bicicleta e dois em uma viatura que irá auxiliar no encaminhamento de detidos. A Comunicação Social afirmou que “não há previsão alguma” para que a modalidade de policiamento seja efetivada na cidade.

As bicicletas foram cedidas pela secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) da Prefeitura de Maringá. Após o período de testes, será feita avaliação dos resultados para decidir se a PM vai ou não implantar a modalidade de policiamento com bike, que já opera em outros municípios do Paraná.

Na quinta-feira (22/11), os PMs realizaram policiamento com bicicletas em algumas ruas da cidade. A Comunicação Social informou que a ação “se tratava da etapa final do treinamento dos policiais que foram voluntários para a instrução”.

Os policiais também foram à Londrina para receberem instruções sobre o modelo de policiamento, onde existe o Ciclo Patrulhamento desde 2016.

Maringá não tem plano de mobilidade

Enquanto a Polícia Militar discute a possibilidade de implantar modelo de policiamento com bicicletas, a Associação dos Ciclistas do Noroeste do Paraná (Ciclonoroeste) cobra da prefeitura o plano de mobilidade urbana.

Para o coordenador-geral da Ciclonoroeste, Felipe Violi Monteiro, antes da prefeitura pensar em qualquer política pública para o ciclismo é necessário elaborar o documento.

No início deste ano, os municípios com mais de 20 mil habitantes, que são obrigados a elaborar o plano, ganharam prazo limite até abril de 2019. O município que não tiver o documento fica impedido de contratar recursos federais para investir na área.

O plano de mobilidade urbana é o instrumento de efetivação da Política Nacional de Mobilidade Urbana sancionada em 2012 pela então presidente Dilma Rousseff (PT). O objetivo é integrar os diferentes modos de transporte e melhorar a mobilidade das pessoas.

“Com o plano, a gente consegue saber de onde vem e para onde vão os deslocamentos e traçar as melhores vias para se construir ciclovias. A implantação de ciclovias sempre é necessária, mas muitas vezes os projetos são feitos sem embasamento”, disse Felipe Monteiro.

Segundo dados da secretaria da Semob, até outubro deste ano Maringá registrou nove mortes de ciclistas. Na visão do coordenador-geral da Ciclonoroeste esse é um dado preocupante, principalmente se forem analisados o número de acidentes envolvendo todos os tipos de veículos.

Gráficos montados pela Ciclonoroeste com informações do Detran do Paraná revelam que Maringá só fica atrás de Curitiba no número de acidentes de trânsito, de 2006 a 2016.

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A licitação para contratar empresa para elaborar o plano de mobilidade do município teve os envelopes abertos no dia 6 de novembro. A Comissão de Licitação decidiu suspender a reunião por tempo indeterminado para análise dos apontamentos das empresas e da documentação.

A concorrência de R$ 3,1 milhões teve quatro empresas interessadas. A gerente de projetos de mobilidade da Semob, Elise Savi, reconhece que o plano não ficará pronto no prazo estabelecido pelo Governo Federal, mas “provavelmente no final do ano que vem”.

Ela disse que mesmo que o plano não fique pronto, o município não corre o risco de perder recursos federais para investir na área. “O que se fala é que o plano é necessário para que se tenha recursos, mas como em abril vai estar em uma fase bastante adiantada isso não vai atrapalhar os recursos”.

40 km de vias serão reservados para ciclovias

Segundo informações da assessoria de imprensa da Prefeitura de Maringá, o município tem mais de 30 quilômetros de ciclovias e até o final de 2019 deverá ter 40 quilômetros de vias destinadas para ciclistas.

Neste mês, devem ser concluídos os 3,6 quilômetros da ciclovia na Avenida Gastão Vidigal. Na via, um espaço será destinado para pedestres fazerem caminhadas.

A ciclovia na Avenida Gastão Vidigal dará continuidade a via destinada para ciclistas que já existe na Avenida Brasil e seguirá até o Anel Viário Prefeito Sincler Sambatti. A obra tem custo de R$ 1,3 milhão e está em fase de pintura. A previsão é que fique pronta no final de novembro.

Outro trecho de ciclovia de 2,5 km está sendo implantado na Avenida Carlos Correia Borges. A faixa irá desde o cruzamento com a Avenida Luiz Teixeira Mendes até o Contorno Sul e deve ficar pronta no ano que vem, junto com as obras de duplicação da avenida.

Segundo a gerente de projetos de mobilidade, Elise Savi, sem o plano que poderia orientar a construção das ciclovias, a Prefeitura de Maringá se baseia em pesquisas que foram feitas em 2012, pelas solicitações recebidas no 156, a Central de Atendimento da Prefeitura, e nos pedidos dos vereadores.

De acordo com ela, a prefeitura tem projetos para construção de ciclovia na Avenida Tuiuti e a continuação de pistas exclusivas para ciclistas na Avenida Cerro Azul. “A gente entende que na região leste e oeste temos bastante ciclovias, como na Avenida Brasil e Horácio Racanello. Agora estamos pretendendo focar na ligação norte e sul”, afirmou.

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