Hospital Universitário tem déficit de 36 médicos, diz reitor da UEM ao falar sobre pacientes aguardarem por atendimento em ambulâncias

19 de novembro de 2018
Júlio Damasceno, reitor da Universidade Estadual de Maringá: falta pessoal no HUM

O problema de falta de pessoal no Hospital Universitário de Maringá (HUM) é crônico e na noite de sexta-feira (16/11), após o feriado da Proclamação da República, mais uma vez veio à tona quando quatro ambulâncias ficaram por cerca de duas horas impedidas de deixar e retirar pacientes na unidade.

Boa parte da manhã desta segunda-feira (19/11), o reitor Júlio Damasceno, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), instituição da qual o HUM faz parte, passou dando explicações sobre o episódio de sexta-feira, que gerou  Boletim de Ocorrência policial e ganhou espaço no noticiário local.

A confusão no Pronto Atendimento (PA) se deu pela falta de médico cirurgião no plantão daquela noite e só foi resolvida quando o superintendente da HUM, Vicente Kira, que é urologista, foi ao hospital e assumiu o atendimento às três vítimas de um acidente entre duas motos que estavam em ambulâncias.

O reitor disse que o HUM vem “tentando equacionar o déficit de 36 médicos, sendo oito cirurgiões, por meio de credenciamento de profissionais para prestação de serviços, mas nesse tipo de contrato as condições de trabalho são diferentes e não é possível obrigar um credenciado fazer plantão”.

Os credenciados são contratados por 20 h ou 40 h semanais e são pagos com recursos gerados pela própria universidade. “São investidos R$ 900 mil por mês em credenciados do Hospital Universitário, que poderiam estar sendo usados na compra de medicamentos, por exemplo”, disse Damasceno.

O reitor observou que apesar dos três pacientes na sexta-feira ficarem mais tempo do que o normal dentro das ambulâncias, “todos foram atendidos”. Acrescentou que “o Pronto Atendimento atendeu e cuidou de 176 pacientes naquele plantão”. Pela unidade passam 4,8 mil pacientes por mês.

Apesar do credenciamento de profissionais de saúde, Damasceno disse que há dificuldades para encontrar cirurgiões dispostos a trabalhar no HUM. “Enfrentamos a concorrência dos hospitais particulares, que financeiramente são mais atrativos para os médicos”, afirmou o reitor.

A solução para recompor o quadro de pessoal do HUM passa por medidas a curto, médio e longo prazos. De imediato, Damasceno defende a contratação de 40 profissionais aprovados e nomeados em concurso público realizado em 2014 e destinação de recursos estaduais para novos credenciamentos.

Mas as soluções definitivas, segundo Damasceno, “só ocorrerão a médio e longo prazo, pois passam pela realização de concursos públicos, para repor o pessoal que se aposentou, por exemplo”. No entanto, a contratação dos 40 concursados, entre os quais existem alguns médicos, não será tão simples.

“Há uma divergência entre a UEM e o governo do Estado em relação ao concurso de 2014. Nosso jurídico entende que, pelo fato dos aprovados terem sido nomeados, eles podem ser contratados mesmo após o prazo de validade do concurso ter vencido. O governo não tem esse entendimento”, disse.

Questionado se o feriado às vésperas do final de semana prejudicou a escala de plantão no PA, Damasceno disse que “não me chegou nada sobre isso”. Na manhã desta segunda, ele concedeu coletiva à imprensa na Reitoria, atendeu jornalistas por telefone e falou na rádio FM da Universidade.