Depois de polêmicas e mudanças de data, horário de verão começa neste domingo. Economia gerada pela medida vem caindo anualmente

Por: - 3 de novembro de 2018
A partir de 4/11 é necessário adiantar os relógios em uma hora.

Para muita gente, ele é a promessa de sair do trabalho e ainda ter a luz do dia para aproveitar. Para o Governo e as companhias elétricas, o horário de verão é capaz de gerar economia de energia em momentos de pico. O fato é que neste domingo (4/11), brasileiros de dez estados e do Distrito Federal vão precisar adiantar os relógios em uma hora se não quiserem se atrasar para os compromissos.

O chamado Horário Brasileiro de Verão vai durar até 16 de fevereiro de 2019. Isso se não houver alguma mudança como as que já ocorreram em relação à data de início. Ainda no ano passado, o presidente Michel Temer assinou um decreto que reduzia em duas semanas a duração do horário de verão. A decisão atendeu a um pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o objetivo de não atrapalhar as eleições.

A intenção era que os relógios só fossem adiantados depois do segundo turno do pleito de 2018. Segundo o tribunal, a medida facilitaria a apuração dos votos, porque com o horário de verão em vigor a diferença de fusos no País fica muito extensa. Vale lembrar, que os números da votação para presidente só puderam ser divulgados a partir das 19h, quando a votação foi encerrada em todos os estados.

Depois dessa primeira mudança, o Ministério da Educação (MEC) também pediu o adiamento para o dia 18/11. O motivo eram as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) que em 2018 vão ser realizadas nos dias 4 e 11/11. O Governo chegou a cogitar a mudança, mas de acordo com informações da Agência Brasil, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) se manifestou contra a mudança.

A Abear alegou que a medida poderia trazer transtornos a pelo menos 3 milhões de passageiros e que a “antecedência na definição do período do horário de verão é fundamental para garantir o pleno funcionamento do setor aéreo, seja em voos domésticos (onde há diferentes fusos horários), seja em voos internacionais”.

A indecisão parou por aí e finalmente o dia 4/11 ficou definido como “estreia” do horário de verão em 2018. Mas com tantas idas e vindas, o sistema de muitas operadoras de celular deu “bug” e acabou adiantando automaticamente a hora dos usuários. O problema ocorreu nos dias 14 e 21/10, quando foram registrados alguns transtornos. Nas redes sociais muita gente relatou problemas.

A confusão ocorreu porque antes do decreto presidencial assinado em 2017, o horário de verão começava, desde 2008, sempre no terceiro domingo do mês de outubro. As operadoras de celular, por meio de nota, explicaram que houve problemas de programação nos sistemas e pediram desculpas.

Polêmica no horário de verão começou em 2017

O horário de verão não é exclusividade do Brasil e é utilizado para economizar energia elétrica durante aquele que foi considerado como período de pico de consumo por muitos anos: 18h às 21h. Em 2017 surgiu uma discussão sobre acabar com a medida. No Brasil, o horário de verão existe desde 1931, mas vem sendo utilizado anualmente desde 1985, ou seja, há 33 anos.

A possibilidade de acabar com o horário entrou em pauta por causa de um estudo do Ministério de Minas e Energia que apontou mudanças nos padrões de comportamento e consumo da sociedade. De acordo com o estudo, o antes “vilão” chuveiro foi substituído pelo ar condicionado e assim, os picos de consumo costumam ser entre o fim da manhã e o começo da tarde, quando as temperaturas ficam mais altas.

A discussão não foi levada adiante. De acordo com o Governo, a população deveria ser consultada sobre a mudança, já que o horário de verão se transformou em uma questão cultural no País. A única mudança realmente feita até agora foi a redução de 15 dias na duração da medida, que foi estabelecida por decreto presidencial e deve permanecer nos próximos anos.

Economiza mesmo?

Vale reforçar que a tal economia de energia elétrica atribuída ao horário de verão se aplica aos cofres públicos. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), entidade privada e sem fins lucrativos regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), só a redução da sobrecarga no sistema de geração e transmissão de energia já é vantagem. Isso evita apagões e mantém as usinas termelétricas – caras e poluentes – desligadas.

Dados do Ministério de Minas e Energia apontam que a economia vem caindo nos últimos anos. Houve um pico em 2013, com a economia de mais de R$ 375 milhões, e depois os números vieram diminuindo gradativamente. Em 2017, a economia foi de pouco mais de R$ 150 milhões – menos da metade do alcançado quatro anos antes. Atualmente, o ONS considera que a economia gerada é neutralizada pelo consumo.

Como ficam os fusos com o horário de verão

A partir deste domingo (4/11) o horário de verão começa a vigorar no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Espírito Santo. As regiões Norte e Nordeste não adotam a mudança. Veja como ficam as diferenças de horário (fusos):

  • Horário de Brasília: Estados do Sul, Sudeste, Goiás e Distrito Federal seguem horário de Brasília;
  • Uma hora a menos: Estados do Nordeste e Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Tocantins e Amapá;
  • Duas horas a menos: Amazonas, Rondônia e Roraima.
  • Três horas a menos: Acre.

 

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