Domingo será de manifestações em Maringá: grupos protestam contra o PT e, outros, em memória do mestre de capoeira assassinado na Bahia

Por: - 19 de outubro de 2018
Boneco do juiz Sérgio Moro será utilizado na manifestação contra o PT (Imagem/Reprodução Facebook)

No último domingo (21/10) antes das eleições, deverão ocorrer duas manifestações em Maringá. O grupo Patriotas do Brasil marcou um protesto contra o partido do ex-presidente Lula intitulado “PT Nunca Mais” e o Movimento Baque Mulher está convidando a papulação para um ato em memória do mestre de capoeira Moa do Katendê, morto a facadas em Salvador (BA) por ter manifestado voto a Fernando Haddad (PT).

As duas manifestações estão marcadas para ocorrer quase no mesmo horário, mas em locais diferentes e bem distantes uma da outra. O ato contra o PT começa às 14h na Praça da Catedral, centro de Maringá, e a manifestação em memória do mestre de capoeira às 15h na Praça Farroupilha, no Jardim Alvorada, norte da cidade.

Organizado pelas redes sociais, o ato “PT Nunca Mais” faz parte de um movimento nacional que irá ocorrer em mais de 300 cidades do país. Em Maringá, a manifestação é organizada pelo Patriotas do Brasil, Vem pra Rua , Movimento Brasil Livre (MBL) e Curitiba Contra a Corrupção. A expectativa é que, no mínimo, cinco mil pessoas participem da manifestação.

“A pauta PT nunca mais é muito ampla. Vamos explicar todas as situações que envolvem o PT e porque não queremos de novo. É lógico, sobram duas opções e uma delas é Bolsonaro, mas a gente vai deixar isso nas mãos das pessoas, elas podem anular ou votar em branco”, afirmou uma das líderes dos Patriotas do Brasil, a advogada Cássia Franzoi.

Segundo ela, o ato também é uma homenagem ao juiz Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato. O boneco de 12 metros de altura intitulado de “Super Moro”, também estará no ato. Durante a concentração na praça, serão proferidos alguns discursos. O grupo organiza uma passeata com uma bandeira do Brasil de mais de 30 metros. O trajeto, segundo os organizadores, será definido no momento do ato com a Polícia Militar.

Cássia Franzoi afirmou que as passeatas do grupo em Maringá sempre foram pacíficas e que eles é que são “objetos de ataque da esquerda”. “Acho que vivemos em um país democrático e cada um protesta e faz homenagem para quem quiser. Não concordo que essa pessoa [Moa do Katendê] morreu por esse motivo [por ter declarado voto no PT], o inquérito ainda não foi concluído, mas respeito o direito de manifestação deles”, disse.

Ato em memória do mestre de capoeira é apartidário

Mestre de capoeira, Moa do Katendê foi morto a facadas na Bahia (Imagem/ Reprodução Facebook)

Na página do Facebook, o “Ato de Luta e Resistência Pela Memória do Mestre Moa do Katendê” é descrito como um movimento independente e apartidário. Organizado pelo Baque Mulher, quase 20 entidades e coletivos de capoeiristas, artistas e estudantes estarão presentes na manifestação. Durante o ato, também serão realizadas diversas performances e atrações culturais. A expectativa é que a manifestação reúna, no mínimo, 300 pessoas. 

“A gente vai expor toda essa programação cultural intercalada com diálogos e falas sobre o momento político que a gente vive e, principalmente, do genocídio da população negra e nesse caso especificamente em relação ao mestre Moa do Katendê”, explicou a coordenadora do Baque Mulher em Maringá, Laís Fialho.

Segundo Laís, o movimento é “uma resposta à bandeira conservadora”, mas também é propositivo, já que pretende trazer a arte e a cultura afro-brasileira como elemento de manifestação. ”Por mais que a gente não se levante em defesa do PT, a gente se levanta em defesa dos direitos básicos da democracia”, afirmou.  

Para a coordenadora do Baque Mulher, a realização dos dois movimentos no mesmo dia são reflexo da polarização política no Brasil. “A gente não quer que esse ato se reduza ao ‘Ele Não’, ao Bolsonaro, ou a dizer que o Bolsonaro é fascista. A gente quer ir além e dizer que nos levantamos contra o conservadorismo, mas a gente também está dizendo que existe um grupo que foi historicamente marginalizado, que é a população negra”, disse.

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