Desfile cívico, feira de flores e jogo de futebol marcam as comemorações de 71 anos da Vila Operária neste domingo. Bairro que nasceu junto com Maringá tem hino e bandeira próprias

Por: - 17 de agosto de 2018
Segundo moradores, desfile no ano passado reuniu 700 pessoas (Imagem/Cary Bertazzoni)

A Vila Operária, que nasceu junto com Maringá, comemora o aniversário de 71 anos neste domingo (19/8). O bairro fundado, em 17 de agosto de 1947 para abrigar os operários da cidade, está bem diferente dos primeiros anos de criação. Porém as histórias sobre a criação da Vila Operária permanecem vivas na memória de quem viu de perto os primeiros anos do bairro.

Entre as atrações para comemorar o aniversário está o Desfile Cívico, que começa às 10 horas na praça do centro esportivo na Avenida Paissandu e vai até a Rua Pombal, próximo ao portão 2 do Parque do Ingá. Com apoio da secretaria de Cultura, esta é a segunda edição de desfile. O primeiro ocorreu no ano passado e, segundo os moradores, reuniu cerca de 700 pessoas.

O Desfile Cívico será divido em 30 alas, que vão contar a história do bairro. Cerca de mil pessoas, entre estudantes, pioneiros da Vila Operária e convidados de outros bairros, estarão participando do desfile. A expectativa neste ano é que duas mil pessoas assistam ao Desfile Cívico.

“Algumas alas do desfile vão retratar os vinte primeiros anos do bairro, os trabalhadores que se dirigiam logo de manhã para o Maringá Velho, as lavadeiras e a escola de datilografia”, explica Ítalo Maroneze, membro da associação de moradores e da comissão que está organizando o evento.

A programação oficial começa antes do desfile, às 9h em frente ao portão 2 do Parque do Ingá com a feira de flores e a van da educação ambiental. Durante o evento serão entregues sacolas recicláveis e a equipe da Secretaria de Meio Ambiente estará orientando os moradores sobre os materiais recicláveis.

No período da tarde, a comunidade poderá acompanhar a partir das 14h o jogo de futebol entre veteranos do Esporte Clube Vila Operária no centro esportivo Brinco da Vila.

Para Ítalo Maroneze, cria da Vila Operária, morador há 26 anos no bairro, este domingo servirá para reviver a história e demonstrar o carinho que os moradores têm pela Vila Operária. “Principalmente para nós, que não vivemos esses anos iniciais do bairro, é importante registrar essa história e as dificuldades que os pioneiros passaram para desfrutarmos o que a gente tem hoje”, diz.

Bairro quase deixou de se chamar Vila Operária

A família de Tereza Baldo, de 73 anos, é uma das pioneiras do bairro e ela, mesmo com alguns percalços da idade diz com orgulho e sem titubear: “Moro na Vila Operária desde 30 de maio de 1953″. Compositora e poetisa desde os 9 anos quando compôs a primeira música, ainda em Valparaíso (SP) onde morava, é de autoria dela a letra do hino e a bandeira da Vila Operária.

Com alegria e para manter a história do bairro viva, ela conta que a composição do hino surgiu como uma forma de proteger o bairro. Há cerca de 20 anos, Tereza diz que começou um movimento na cidade para que o bairro mudasse de nome e deixasse de se chamar Vila Operária. “Ela estava expandindo e vários prédios já tinham sido construídos. Pensavam em mudar para Parque São José ou só usar Zona 3 e isso nos levou a ideia de compor um hino”.

Como membro da associação de moradores, Tereza decidiu consultar moradores e comerciantes do bairro que também achavam que não existia necessidade de mudança no nome. Porém, ela afirma que não foi fácil convencer o prefeito da época para que ele reconhecesse o hino.

“O prefeito achou que seria um excesso de bairrismo e que não iria pegar bem, mas a Vila Operária não tinha nada a ver com as outras vilas porque ela tinha um fator histórico importante. Mesmo não contente, o prefeito aceitou e fiz o hino e a bandeira”, conta.

Ela afirma que quando jovem era mais animada, mas que mesmo assim está contando os dias para o desfile de domingo. Tereza que diz viver de música e poesia, estará em uma das alas levando a bandeira e cantando com orgulho o hino que compôs para o bairro.

Antes de encerrar a entrevista, ela fez questão, como uma boa anfitriã, de convidar toda a equipe do Maringá Post para o desfile de domingo e aproveitou a deixa para cantar um trecho do hino. Se bairrismo é sinônimo de amor e orgulho pela história que viveu e ajudou construir, isso Tereza tem de sobra.

Região abrigava operários, hoje é cheia de prédios

A região conhecida como Vila Operária ganhou esse nome por causa dos operários que vieram morar no local, próximo a antiga área industrial de Maringá. Os registros históricos mostram que existia uma certa rixa entre os moradores da Vila Operária, pois esses não queriam se sentir diferentes, mas também maringaenses.

Com o passar do tempo as características do bairro mudaram. As casas de madeira começaram a dar lugar para os prédios. Segundo a Secretaria de Planejamento Urbano, 10% dos prédios em construção na cidade estão na Vila Operária.

Com a mesma idade de Maringá, o bairro coleciona fatos pioneiros que envolvem a história da cidade. O primeiro prefeito de Maringá, Inocente Villanova Júnior, eleito em 1952 era empresário e morador do bairro.

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