Primeiro elevador inclinado do Brasil, na Catedral de Maringá, fica pronto este mês. Reforma na basílica começou há oito anos e já consumiu R$ 6 milhões

Por: - 8 de agosto de 2018

A Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória, símbolo nacionalmente conhecido de Maringá, terá o primeiro elevador do Brasil com percurso em um fosso inclinado. Em construção há dois anos, o fosso que vai do térreo ao 17º andar da basílica, onde existe um mirante com vistas para a cidade, terá uma inclinação de 80º, quando o usual são 90º.

A previsão é que as obras para a instalação do elevador, que vai possibilitar à Igreja Católica utilizar espaços atualmente ociosos e para o transportar visitantes, fiquem prontas ainda neste agosto. Já o restante das obras, em execução há oito anos e nas quais foram investidos cerca de R$ 6 milhões, só deverá ser concluído em 3 ou 4 anos.

“Não temos uma data final de entrega. Estamos fazendo devagar, um passo de cada vez. Há uma estimativa de que todas as obras terminem em 3 ou 4 anos, mas a gente encontra surpresas o tempo todo e isso estende o prazo de conclusão”, explica o padre Virgílio, responsável pelas obras na basílica. A catedral possui 21 pisos.

O padre disse que as obras nos andares superiores são necessárias para melhorar a ocupação da catedral. “A gente quer aproveitar os espaços para nossas atividades. Temos um espaço físico muito ocioso e temos carência dele”, afirma o padre. Enquanto todas as obras não forem concluídas, o elevador não poderá ser usado pela população.

Imagem divulgada pela empresa responsável pela instalação do elevador inclinado

Espaço para o fosso estava previsto, mas foi refeito

O espaço para o fosso de um elevador estava previsto desde o início do projeto de construção da catedral, porém toda a estrutura teve que passar por diversas adaptações para que fosse possível a instalação. Essa dificuldade se deu devido ao formato de cone da catedral, onde um elevador não conseguiria subir e descer em 90º.

Para resolver o problema, a equipe de engenheiros da empresa contratada, a Rays Elevadores, precisou inclinar o fosso em 10º. “Para quem está dentro do elevador, a inclinação será imperceptível”, explica o engenheiro responsável Mairon Barbosa. Segundo ele, a Rays foi a única do ramo a aceitar o desafio de desenvolver o projeto.

A empresa é de Maringá e já “instalou mais de 500 elevadores em todo o Brasil, mas tem o projeto da Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória como especial, já que o elevador será o primeiro do Brasil a ter um plano inclinado”, diz um texto promocional publicado no site da Rays Elevadores.

O novo elevador, feito em aço inox, é todo fechado. Tem capacidade para 8 pessoas ou 600 kg e sobe a uma altura de 90 metros, o equivalente a um prédio de 30 andares. O mirante tem dois níveis e possibilita uma visão de 360º da cidade, inclusive do Parque do Ingá. Do lado de fora da igreja, é possível ver o mirante, quase no topo, em blocos vazados.

Elevador também será usado para turismo

O elevador possui um grande potencial turístico, já que a catedral é o monumento mais alto da América Latina e sua arquitetura atrai não só os fiéis como turistas de diversos lugares do mundo. Segundo o padre Virgílio, há intenção de desenvolver a atividade turística no local, e para tanto, a basílica conta com o apoio da pastoral do turismo.

“Esse não é o objetivo principal das reformas, mas existe uma série de ideias para desenvolvermos depois. Vamos estudar tudo certinho e ver as melhores opções”, afirma o padre. Além do elevador, a basílica conta com duas escadas que levam até o topo. Uma vai até a base da cruz e tem 600 degraus. No momento, serve apenas para serviços internos.

Quanto ao conjunto das obras, financiadas com recursos do dízimo e doações dos fies, elas são quase um mistério. Pouco se fala sobre suas especificidades e a empresa de engenharia responsável pela parte civil, a Restart Engenharia, diz apenas que é uma honra participar do projeto, mas que não pode dar detalhes devido a uma cláusula contratual.

Fieis desejam conhecer mirante da basílica

Para os fieis, a reforma é um passo importante. Dona Deomira Neves, 45 anos, que frequenta a catedral há quase 20, ter um elevador será uma oportunidade conhecer um outro lado da igreja. “Venho todas as segundas e quartas-feiras e não conheço lá em cima. Vai ficar ainda mais linda e atrair muita gente. Meus parentes, de outra religião, gostam de visitar a catedral quando vêm a Maringá”, conta.

Para Osmar Henrique de Almeida, estudante de 23 anos, a catedral é um marco na história de Maringá e da sua própria vida. “A catedral me dá muito orgulho. Vivi muitas coisas aqui. Além disso, é um ponto turístico maravilhoso para vir com os amigos e família”. Quanto ao elevador, ele confessa: “Vou pensar seriamente porque altura não é muito a minha praia”.

 

 

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