Taça Jules Rimet passou por Maringá pouco antes da Copa de 1966, vencida pela Inglaterra. O troféu com 3,8 kg de ouro ficou em um cofre bancário no centro da cidade

Por: - 20 de junho de 2018
Taça Jules Rimet, no Gabinete do Prefeito Luiz Moreira de Carvalho (de bigode, sem óculos), que administrou Maringá de 1965 a 1968. Da esquerda para a direita: Joe Silva; vice-prefeito Ivo Assmann; o quarto é Navarro Mansur, ex-presidente e x-diretor do Grêmio; o prefeito Luiz Carvalho; o penúltimo é Domingos Danhone, diretor do Grêmio

Para alguns, a história de que a Taça Jules Rimet, conquistada pelo Brasil ao ser tricampeão em 1970, passou por Maringá, seria uma lenda urbana. No entanto, fotos históricas mostram que o fato efetivamente ocorreu, pouco antes da realização da Copa do Mundo de 1966, vencida pela Inglaterra, quando o Brasil já era bicampeão mundial.

Com o tricampeonato conquistado em Guadalajara (México) por 4 a 1 em cima da Itália, em 1970, o troféu com 3,8 quilos de ouro passou a ser da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Isso até ser roubado, em 19 de dezembro de 1983. Mas aí é outra história, que por sinal tinha ocorrido em 1966, na Inglaterra, onde foi achada pelo cachorro Pickles.

Duas fotos registrando a passagem do troféu por Maringá estão expostas à visitação pública. Uma no Museu Esportivo de Maringá (MEM), inaugurado em outubro de 2017 pelo jornalista e escritor Antonio Roberto de Paula, e outra no ônibus “Eu Amo Maringá”, projeto do também jornalista e blogueiro Angelo Rigon. A Jules Rimet foi disputada de 1929 a 1970.

Foto em exposição no Museu Esportivo de Maringá: da esquerda para a direita, Edi Eri Floiming, José Reinaldo Gabriel, Massami, Mizuto (paletó escuro), Luiz de La Torre, Navarro Mansur (mais alto e calvo), José Gaspar e Alaíde, no balcão do Banco Sul Americano do Brasil S.A. A foto foi cedida ao MEM por José Reinaldo Gabriel

A data e as circunstancias em que a Taça Jules Rimet passou um dia e uma noite em Maringá não são muito precisas. Sabe-se que ocorreu durante a gestão do então prefeito Luiz Moreira de Carvalho (1965-68) e que, à época, estava com o Brasil, que havia sido bicampeão em 1962 e se preparava para a Copa de 1966.

A foto que o blogueiro incorporou ao acervo do museu itinerante ele conseguiu junto à família Danhone. “Faltava um pedaço e eu restaurei”, conta Rigon, acrescentando que a imagem foi feita no Gabinete do Prefeito. O troféu, observa De Paula, “passou a noite no cofre do Banco Sul Americano do Brasil, na Getúlio Vargas com a Santos Dumont”.

A imagem exposta no MEM foi doada a De Paula por Luiz Lourenço Júnior, genro de José Reinaldo Gabriel, que aparece na foto e na época era funcionário do banco, “que tinha um dos poucos, senão o único, cofre-forte da cidade”. Supõe-se que a passagem da taça por Maringá fez parte da divulgação da Copa do Mundo realizada na Inglaterra.

Há uma dúvida, bastante pertinente, se a taça que passou pelo Gabinete do Prefeito e que durante a noite ficou trancada em um cofre no centro da cidade era a verdadeira ou uma réplica. Há quem sustente que era a original e que, se fosse a cópia, não precisaria ser guardada no banco. Mas não é bem assim…

A taça feita pelo artesão francês Abel Lafleur sob a encomenda do então presidente da FIFA, Jules Rimet, quando foi roubada na sede da CBF no Rio de Janeiro estava exposta em uma estante de vidro e madeira, enquanto a falsa se encontrava muito bem guardada em um cofre. Com a morte do cartola, a taça passou a ter o nome do seu idealizador.

A ideia, quando foi criada, é que a taça em ouro permaneceria quatro anos com o campeão e só ficaria definitivamente com o país que conseguisse vencer três mundias, o que consideravam improvável em 1929. Apesar do Brasil conseguir seu terceiro título em 1970, a Jules Rimet verdadeira já não existe desde quando foi roubada e derretida.

Veja os gols de Brasil e Itália, na final da Copa de 1970

 

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