Ele é soropositivo e fala abertamente sobre o assunto no canal “Há Vida com HIV”. A coragem do maringaense Lucas o levou a Brasília, onde grava campanha para o Ministério da Saúde

Por: - 20 de junho de 2018
Fonte: Facebook pessoal de Lucas Martins.

Desde 2014, com apenas 19 anos, Lucas Vinícius Martins Pereira é portador do vírus HIV. Há cerca de um ano, ele decidiu encarar de uma forma diferente o fato de ser soropositivo. O jovem, hoje com 23 anos, criou no YouTube o canal “Há Vida com HIV”.

Por meio da rede social, ele compartilha notícias, informações e depoimentos sobre o vírus. Foi a forma que encontrou para combater o preconceito e esclarecer dúvidas da população. A coragem levou Lucas a Brasília, onde a convite do Ministério da Saúde, tem participado de gravações para uma campanha de conscientização do HIV.

Não foi fácil para o jovem falar abertamente sobre ser soropositivo. Mas após receber o diagnóstico e passar por um período mais complicado, Lucas decidiu enxergar a vida com outros olhos.

“A vida não para e ficar se lamentando, não adianta. Estamos vivos e amamos. O que me mantém é a minha alegria, meu sorriso e o meu jeito de encarar a vida. Todos possuem dificuldades, basta querer enfrentá-las”, afirma.

Conheça Lucas, o jovem soropositivo que ama viver

Legenda: Facebook pessoal de Lucas Martins.

Com apenas 19 anos, em 2014, o jovem que morava sozinho e trabalhava em dois empregos, começou a ter crises de convulsões constantemente.

Após ir para hospital, o vírus que já estava em fase aguada, não teve o diagnóstico imediato. Lucas permaneceu internado por vários dias, passou vários hospitais, até chegar ao diagnóstico final.

Com os exames em mãos, descobriu que, além de uma pneumonia, ele se tornou portador do vírus HIV.

“Quando a médica me contou, fiquei quieto e sem reação. Estava tentando entender o que estava acontecendo comigo. Pensei que eu iria morrer e que estava com AIDS, mas hoje sei que é bem diferente”, conta.

Depois de curar a pneumonia, Lucas permaneceu mais onze meses na cadeira de rodas. Nestes período, passou por tratamento com fisioterapeutas e psicológicos.

“Eu estava muito abalado. Não conseguia aceitar o diagnóstico. Mesmo depois de voltar a andar, passei 3 anos sem tomar a medicação correta. Mas minha médica não queria me ver morrer”, lembra.

Quando Lucas começou a aceitar o tratamento no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), passou a ter o apoio gratuito de médicos, psicólogos e assistentes sociais. Assim, aos poucos, ele começou a enxergar a doença com outros olhos.

“Eu já estava fazendo todo o acompanhamento pelo CTA, mas o fato de eu omitir a doença para as pessoas, principalmente para os meus amigos, me incomodava muito”, disse.

A coragem veio com um exemplo semelhante ao que Lucas representa hoje. “Um dia eu estava assistindo um programa de televisão, ao qual, um jovem portador do vírus HIV, assim como eu, contava abertamente para as pessoas os problemas e a vida de portadores do vírus. Fiquei pensando naquilo o dia todo, e quando estava acordado de madrugada, resolvi fazer uma publicação em uma das minhas rede sociais, contando tudo.”

Lucas afirma que tirou um peso imenso das costas e a repercussão foi maior do que imaginava. Com o sucesso da publicação, em maio de 2017, o jovem decidiu criar o canal  “Há Vida com HIV” no YouTube.

No canal, Lucas apresenta depoimentos sobre o vírus, explica sobre a medicação, os efeitos colaterais, fala de preconceitos, medos e sentimentos do portadores.

“Eu não tinha ninguém para conversar. Começar a fala sobre a doença foi o que me levantou e o que me fez seguir em frente. Vi que a vida tem sentido. Posso sonhar e fazer e planos como qualquer pessoa da minha idade”, afirmou.

Atualmente, Lucas responde dúvidas de milhares de pessoas que são ou não portadoras do vírus em todo o Brasil. “Todo o mundo precisa saber o que é o HIV e a AIDS”, ressaltou.

Por ser soropositivo, Lucas faz o uso diário de medicamentos, o que não o impede de trabalhar e conviver em sociedade. Recentemente, ele se tornou dono do próprio negócio, um lava-jato em parceria com seu pai, em Maringá.

Nesta semana, Lucas esteve em Brasília. Ele recebeu uma proposta do Ministério Público de Saúde para participar de uma campanha que está sendo preparada para as redes sociais. As gravações estão sendo realizadas em vários cenários da capital brasileira e todos os participantes são portadores do vírus do HIV.

Em relação à vida, com a voz doce e feliz, Lucas respondeu sem preocupações. “Antes, eu não tinha preocupação em me cuidar. A vida que tenho hoje é bem melhor do que antigamente. Faço exames médicos, cuido da minha alimentação e vivo com o sorriso no rosto. Ficar se lamentando não adianta nada! Quem me conhece sabe, ultrapasso minhas dificuldades com bom humor e felicidade.”

Lucas possui a carga indetectável, o que significa que o seu vírus não é transmitido sexualmente. Como a arga viral é abaixo de 200 cópias/ml, ela é considerada “viralmente reprimida”, assim, o portador não transmite o HIV.

Mas o que é o HIV?

Fonte: http://www.zsp5kozuchow.pl/aktualno%C5%9Bci/wyniki-szkolnego-konkursu-wiedzy-o-hivaids-0

HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da aids, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+.

E é alterando o DNA dessa célula que o HIV faz cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção, ou seja, ter o HIV não é a mesma coisa que ter aids.

O vírus pode ser compartilhado por sexo sem camisinha, uso de seringas por mais de uma pessoa, transfusão de sangue contaminada, instrumentos que furam ou cortam que não estejam esterilizados ou por mães infectadas que podem transmitir para seus filhos durante a gravidez. Entretanto, com o avanço da medicina e com tratamentos desde o início da gestação, essas chances são diminuídas e quase anuladas.

O vírus não é compartilhado por sexo com o uso correto da camisinha, beijos no rosto ou na boca, suor e lágrima, picada de inseto, aperto de mão ou abraço, sabonete, toalha, lençóis, talheres, copos, assento de ônibus, piscinas, banheiros ou pelo ar.

O HIV é diferente da AIDS

Fonte: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/doencas-e-tratamentos/

AIDS é uma sigla inglesa que significa “Síndrome da Imunodeficiência Adquirida”, ou seja, é o conjunto de sintomas e eventos que ocorrem devido ao enfraquecimento da imunidade do ser humano.

Neste caso, a queda de imunidade é causada pelo vírus HIV. Uma pessoa pode ser portadora do vírus HIV e não ter a doença AIDS (é o caso do jovem Lucas).

Além disso, o tempo que demora desde o contato com o HIV até o desenvolvimento da AIDS varia de pessoa para pessoa e, mesmo assim, quem faz o tratamento do HIV, interrompe a evolução natural da doença.

Os portadores que fazem o uso da medicação corretamente e mantém carga viral indetectável, não desenvolvem a doença da AIDS.

Enfim, HIV é o vírus, e a AIDS é um estágio da doença desenvolvida.

Conheça o trabalho do CTA

Fonte: http://www.contagem.mg.gov.br/

Os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) são serviços de saúde que, articulados aos demais serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), representam uma estratégia importante para o diagnóstico do HIV, hepatites B e C e sífilis.

De forma gratuita, as unidades oferecem serviços de saúde como testagem rápidas dos vírus,  encaminhamentos, auxílio e acompanhamento de casos positivos.

O sigilo e o aconselhamento pré e pós-teste são garantidos. A equipe conta com médicos, enfermeiros, assistente social, psicóloga e dentistas especificamente capacitados, que acompanharão a pessoa antes e depois da testagem.

Em Maringá, o CTA, fica na Rua Tabaetê, s/n, esquina com Rua Assunção, Jardim Novo Horizonte. O telefone de contato é o (44) 3901-1163.

Se a pessoa tem qualquer dúvida, uma boa dica é seguir o conselho do Lucas. “As pessoas têm preconceito porque faltam informações. Devemos parar de julgar e pesquisar mais. Somos pessoas comuns”.

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