Número de abelhas tem diminuído. Sabia que isto vai afetar a sua vida? Entenda como e conheça o projeto da UEM que busca conhecer melhor o inseto

Por: - 12 de março de 2018
Resultado da pesquisa ficará aberto ao público no Museu Dinâmico Interdisciplinar (Imagem/Pixabay)

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Já imaginou conhecer as abelhas que estão nas áreas de florestas nativas da cidade? A Universidade Estadual de Maringá (UEM) pretende começar em breve o projeto Abelhas sem ferrão no Museu Dinâmico Interdisciplinar: a educação não formal a serviço da preservação ambiental.

Com o projeto, a universidade quer mostrar a importância das abelhas na sociedade e obter mais dados sobre o mundo das colmeias, que ainda é desconhecido.

Para sair do papel, o projeto, aprovado pelo Fundo de Defesa dos Direitos Difusos,  depende da liberação dos recursos do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Dois professores vão fazer parte da iniciativa.

O interesse dos professores são as abelhas sem ferrão. Também chamadas de meliponíneos, um grupo formado por mais de 300 espécies em todo o mundo.

No Brasil, as mais conhecidas são a jataí, arapuã e tiúba. Essas espécies se caracterizam por terem o ferrão atrofiado, o que impossibilita o uso e as torna inofensivas aos seres humanos.

A professora de biologia da UEM, Maria Auxiliadora, vai cuidar da parte das plantas do projeto. “Vamos coletar amostras nos remanescentes de florestas aqui na região de Maringá. No Parque do Ingá, por exemplo, tem muito ‘bichinho’. Vamos ver as plantas que elas visitam, como é o grão de pólen e coletar toda a parte vegetal”, explica.

O professor do departamento de zootecnia, Vagner Arnaut, vai tentar descobrir quais são as espécies de abelhas sem ferrão que existem na cidade.

A professora Yoko Terada, morta em 2000, chegou a desenvolver um projeto semelhante. Ela coletou abelhas e outros insetos, durante anos no campus da UEM e dou toda a coleção, com quase nove mil insetos, para o Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI).

Desse total, quase 60% são abelhas de diferentes espécies. “A gente vai colocar os alunos para coletar abelhas nas plantas que estão florescendo durante todo o ano. De manhã, à tarde, época de seca e chuva. A ideia é ver se são as mesmas espécies que a professora Yoko tinha coletado”, diz Arnaut.

Os insetos capturados servirão apenas de amostragem, para não causar nenhuma interferência ambiental. Além dos professores, alunos da pós graduação em zootecnia e uma professora e outra aluna da graduação de biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) estarão envolvidos no projeto.

Os resultados da pesquisa serão expostos no MUDI, para que a comunidade tenha acesso.

Pesquisas indicam redução de abelhas nativas

Nos últimos anos, estudos científicos comprovaram que as abelhas estão desaparecendo. “Nós vamos ter abelhas por pouco tempo. O pessoal não sabe para o que servem as abelhas, não pensam no que as abelhas fazem pela natureza. O que vai ser da plantas sem as abelhas?”, questiona Maria Auxiliadora.

De acordo com o painel de biodiversidade das Nações Unidas, divulgado em 2016, na Europa 9% das espécies de abelhas e borboletas estão ameaçadas de extinção. Somente a população de abelhas diminui 37%. Por falta de dados, a análise não pode ser feita em outros continentes.

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E sem abelhas não vai faltar só mel. Esses insetos funcionam como órgãos sexuais das plantas. Elas transportam o pólen das partes masculinas para as femininas de uma flor. Graças a esse processo é que acontece a reprodução de muitas espécies vegetais.

Pelo menos dois terços da nossa comida vem dos vegetais, que necessariamente precisam das abelhas para se reproduzir.

O morango, por exemplo, precisa de 21 visitas de abelhas para ser grande e saboroso, segundo as Nações Unidas. “As abelhas ajudam na produção de sementes, frutos e são agronômicas. A produção de um pomar de maçã sem abelhas da zero”, acrescenta a professora.

O professor de zootecnia, Vagner Arnaut, destaca que as abelhas em extinção são as nativas. Os insetos manejados por agricultores têm aumentado. Segundo ele, as abelhas sem ferrão, responsáveis pela polinização dos vegetais, correm mais riscos.

“Na cidade passam fumacê e as abelhas sem ferrão são muito sensíveis. Outros motivos são o desmatamento desenfreado, uso incorreto e excessivo de agrotóxicos e a monocultura. Esse tipo de ação, faz com que haja uma perda de diversidade”, explica.

Ministério da Justiça ainda não liberou recurso

O projeto “Abelhas sem ferrão no Museu Dinâmico Interdisciplinar: a educação não formal a serviço da preservação ambiental” foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa de Direitos Difusos, em reunião no dia 5 de dezembro do ano passado.

Segundo a professora Maria Auxiliadora a promessa era que o dinheiro já estivesse disponível em fevereiro, mas até agora nada foi liberado. “Esperamos começar em breve. Vai passando e a gente vai perder o verão. As coletas precisam ser feitas em todas as épocas do ano”, afirma.

 

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