De pichador de muros a instrutor de grafite. Adolescente participará de oficina na Rede Feminina de Combate ao Câncer

Por: - 30 de novembro de 2017
Funcionários da prefeitura limpam obelisco no Novo Centro após uma das inúmeras vezes em que o monumento, inaugurado em dezembro de 1996, foi alvo de vandalismo / Prefeitura de Maringá

Apreendido várias vezes por danos ao patrimônio público, mais especificamente por pichar muros e paredes de edifícios em Maringá, um adolescente de 17 anos decidiu converter o vandalismo em grafite. Após cumprir uma medida socioeducativa em regime aberto, ele apresentou um projeto ao Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo (Sinase).

Foi assim que nasceu o projeto Cura Rua, que será realizado pela primeira vez nesta sexta-feira (1/12) e sábado (2/12) na Rede Feminina de Combate ao Câncer. “Este adolescente decidiu participar da mudança de outros adolescentes e populações que podem estar em risco”, afirma a coordenadora do Sinase, Dayane Goes.

Ela explica que o Sinase trabalha com a liberdade assistida e a prestação de serviços à comunidade e a ideia do grafite veio ao encontro do trabalho de inclusão social e ressignificação de valores.

“A oficina dentro da Rede Feminina, voltada às crianças atendidas pela instituição, levará empoderamento e protagonismo a uma população que também precisa de atenção”, diz.

O trabalho terá parceria com a Gerência da Juventude e grupos de grafiteiros. A proposta da oficina é dar cor e vida aos muros internos e externos da entidade, dentro de uma atividade lúdica que agregue bons sentimentos na vida dos participantes.

Neste primeiro projeto do Cura de Rua, foram convidadas crianças de 8 a 10 anos e alguns adolescentes atendidos pela Rede Feminina.

Dayane conta que as crianças da Rede Feminina e uma turma do Instituto de Educação de Maringá também irão participar na terça-feira (5/12) de um projeto de contação de histórias na Biblioteca Central.

“Neste projeto, as histórias serão contadas por adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas que passaram por uma oficina de leitura. A intenção é que estas atividades passem a ser desenvolvidas de forma contínua e sejam disseminadas em escolas, centros de educação infantil e outas instituições”, conta Dayane.

As bibliotecas da cidade são apenas uma das instituições que acolhem os adolescentes que são penalizados por atos infracionais leves. Há outros trabalhos desenvolvidos nas áreas da saúde, educação e assistência social.

Maioria dos adolescentes se envolveu em atos leves

A coordenadora do Sistema Municipal de Atendimento Socioeducativo, Dayane Goes, diz que a maioria dos adolescentes de Maringá, que são encaminhados para o cumprimento de medidas socioeducativas, se envolveu em atos de menor potencial ofensivo.

“O perfil do adolescente em conflito com a lei em Maringá é de porte de drogas, brigas em escolas, direção não habilitada, pequenos furtos e tráfico em decorrência do uso de drogas”, afirma.

Dayane faz a ressalva de que também há um pequeno grupo que “apavora”. “Mas são muito poucos. A maioria se envolver em atos de menor potencial ofensivo”. Quando há envolvimento em roubos, homicídios e latrocínios, por exemplo, os adolescentes cumprem as medidas em regime fechado no Centro de Socioeducação de Maringá (Cense).

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