Declaração de estado de greve na UEM, anunciado pelo Sinteemar, não passa de uma ameaça que não será executada

23 de novembro de 2017
Presidente do Sinteemar discursa em assembleia que votou estado de greve (20/11)

Servidores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) estão em estado de greve. Isso, em tese, significa que as atividades da UEM podem ser paralisadas por tempo indeterminado a qualquer momento. Porém, na prática cotidiana, os discursos dos dirigentes não parecem conduzir professores e servidores para essa direção.

Mesmo assim, em um primeiro momento, as informações sobre a decisão de uns poucos presentes em assembleia convocada pelo sindicato dos servidores da universidade, divulgadas nas redes sociais e na mídia, estão causando um certo alarde de preocupação nos acadêmicos.

Isso porque o desmonte do calendário acadêmico causado por paralisações anteriores de anos passados deverá ser regularizado este ano para o início do próximo ano letivo, colocando um ponto final no descompasso de formaturas, férias e início das aulas.

A assembleia que aprovou o estado de greve foi realizada no Auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino de Maringá (Sinteemar) na manhã da última quarta-feira (22/11).

A capacidade do auditório não passa de 200 lugares – e não se sabe se estava lotado, pois o Sinteemar não quis divulgar os números -,  sendo que a UEM possui 4.241 servidores e, mesmo assim, os presentes aprovaram o estado de greve, por unanimidade.

De acordo com informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná, até o final da tarde de ontem (22) não havia nenhuma notificação oficial do Sinteemar a respeito da decisão.

Em 2016, quando a atual diretoria do sindicato foi eleita, a eleição ocorreu apenas numa segunda chamada das eleições. A primeira, em maio, não teve o quórum atingido, a Comissão Eleitoral não apurou os votos e agendou uma nova votação um mês depois.

Fim do reajuste é a principal motivação

O principal motivo da ação do momento, protagonizada pelo Sinteemar, envolve o fim da data-base, quando ocorre, ou pelo menos deveria ocorrer, o reajuste salarial da categoria.

Outros motivos são a implantação do Meta4, uma espécie de programa de gestão que, para quem o defende, promove maior transparência às finanças das universidades, mas para quem se opõe, fere a autonomia das instituições.

A falta de reposição de agentes universitários e de docentes, além de um corte de 30% no orçamento das universidades estaduais também estão nas listas de protestos e reivindicações do movimento.

O presidente do Sinteemar, José Maria Marques, informou que o sindicato propôs uma emenda na Lei Orçamentária Anual (LOA) por meio do deputado estadual Evandro Araújo (PSC) para manter os recursos das universidades públicas, garantir os reajustes, a progressão de carreira, os programas de dedicação exclusiva e a reposição de servidores.

Além disso, na visão de Marques, é essencial que exista uma mobilização do servidor público frente aos “avanços dos governos que tiram direitos do trabalhadores”. Para isso, haverá um ato na próxima quarta-feira (29/11), que busca “servir de alerta contra tais descontentamentos”.

“Na iniciativa privada, o trabalhador tem mais direitos: quando ele se aposenta ou é demitido, pode sacar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e tem acesso ao seguro-desemprego. O funcionário público não tem nada disso. Isso ninguém fala!”, declara o presidente do sindicato.

Ele acrescenta que “quando o servidor da UEM perde, a cidade de Maringá também perde. O dinheiro do servidor é investido aqui”.

Esse raciocínio tem lá sua lógica, à medida que os altos impostos municipais, estaduais e federais brasileiros extrapolam o limite do aceitável,  no entanto, os servidores públicos concursados têm estabilidade, salários e aposentadorias acima dos celetistas.

Greve no fim do ano seria inócua

Questionado sobre a paralisação das atividades ainda este ano, José Maria Marques descartou a possibilidade. “Tem 20 dias para acabar o ano, mais um mês e aí é Natal. Não vamos entrar em greve amanhã, existe todo um protocolo”, afirmou.

Já o presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina e região (Sindiprol/UEL), Nilson Magagnin Filho, disse que lá, existe uma organização, o Comitê Local, formado por representantes de professores, técnicos e estudantes da universidade.

“Estamos organizando uma mobilização no dia 29 para fazer esclarecimentos à comunidade universitária e a cidade sobre os problemas que sofremos com o governo”,  afirmou, informando que não foi declarado estado de greve.

Magagnin Filho afirmou que “os problemas das universidades estaduais não se restringem a uma única instituição e afetam todas as entidades de ensino do Paraná, como o Meta 4, a contratação de novos servidores e cortes orçamentários”.

“Não vai haver paralisação, no nosso entendimento não é o momento, a ação seria inócua”, justificou. Na atual situação, haveria um prejuízo maior ao calendário letivo, ainda desregulado devido à greves em anos recentes, acrescentou o presidente do Sindiprol.