Negras são homenageadas em Maringá com Mérito Comunitário; Festival Afro-Brasileiro traz Chico César e Demônios da Garoa

Por: - 16 de novembro de 2017
Maria Madalena Martins Alves, a Mada, canta à capela durante homenagem da Câmara de Maringá / Foto C MM

A Câmara de Maringá homenageou na sessão desta quinta-feira (16/11) a cantora Maria Madalena Martins Alves e a secretária municipal da Mulher com títulos de Mérito Comunitário, entregues pelo prefeito Ulisses Maia e pelo vereador Paulo Rogério do Carmo.

Roselene Aparecida Bernardo, conhecida como Rose da Coleta, também foi agraciada com o título, mas não compareceu à sessão desta manhã para receber a comenda. Segundo a assessoria da Câmara, “ela teve um imprevisto”.

A homenagem às duas mulheres negras, às vésperas do Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado na próxima segunda-feira (20/11), cria uma boa oportunidade para se refletir sobre preconceito e racismo no Brasil.

O autor do projeto de lei, Do Carmo, lembrou que dos 15 vereadores maringaenses,  apenas um, no caso ele, é negro. De fato, é absolutamente desproporcional a quantidade de legisladores municipais, estaduais e nacionais negros em relação aos brancos.

Vereador Paulo Rogério do Carmo, a homenageada Aracy Adorno Reis e o prefeito Ulisses Maia / Foto CMM

O número de deputados federais negros, por exemplo, não chega a 10% dos 513 eleitos, embora a metade da população nacional seja negra. A marginalização e o preconceito se estendem de forma absurda à questão econômica.

Pesquisa Mensal do Emprego de 2015, mostrou que os trabalhadores negros ganharam, em média, 59,2% do rendimento dos brancos. E nesta quinta-feira, um estudo do Instituto de Pesquisas Locomotiva mostrou que um homem negro, com as mesmissímas qualificações de um branco, ganha 29% menos.

O pior é que apenas 3% dos 2,4 mil entrevistados pelo Locomotiva, disseram ter algum tipo de preconceito em relação a cor de pele, embora 93% tenham afirmado que existe preconceito e racismo no Brasil.

O prefeito, em seu pronunciamento, disse que “devemos fazer um ‘mea culpa’ em relação a importância dos negros na construção da identidade brasileira” e disse que “devemos ser intolerantes sim, em relação ao racismo”.

A secretária Aracy defendeu a volta do feriado municipal no dia 20 de novembro. “Não posso morrer sem ver que Maringá transforme novamente o dia 20 como feriado. Já foi e nos tiraram”, afirmou.

Já a cantora Maria Madalena cantou duas músicas à capela. Uma delas, como não poderia deixar de ser, foi “Maringá, Maringá”, que lamenta a partida de uma cabocla, o que entristeceu a cidade. Ela fez dois vereadores e o prefeito cantarem.

Este ano, a nona edição do Festival Afro-Brasileiro da cidade começou no dia 16 do mês passado, mas o auge será mesmo de sexta-feira (17) até segunda-feira (20), com shows na Vila Olímpica.

No dia 17, se apresenta a cantora Janine Matias. No dia 18, às 21h, o show é do cantor Chico César e no dia seguinte (19), às 20h, é a vez dos Demônios da Garoa. Na segunda-feira (20), a programação do festival conta com inúmeras atividades, como oficinas e danças.

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