Secretário diz que este ano foram cortadas 3,5 mil árvores em Maringá: espécies ideais de plantio serão definidas em 2018

Por: - 7 de novembro de 2017
Árvore atingiu residência durante a chuva do dia 30 de setembro / Divulgação Defesa Civil de Maringá

Uma das promessas de campanha do prefeito Ulisses Maia (PDT) é de que nenhuma árvore seria removida sem o plantio imediato de outra no lugar. No Promessômetro do Maringá Post, a promessa encontra-se como não cumprida.

A meta de campanha ainda enfrenta dificuldades para ser realizada. Segundo o secretário de Serviços Públicos (Semusp), Vagner de Oliveira, neste ano já foram plantadas 3,6 mil árvores, cem a mais das que foram retiradas. “Com certeza estamos resolvendo o problema mais rápido”, diz ele.

Para o secretário, a demora do plantio no lugar da árvore erradicada se deve à dificuldade de se tirar o toco, um serviço executado por outra equipe, e pelo equipamento disponível para fazer o serviço, que não suporta as árvores com espessuras mais grossas.

“Herdamos cerca de 7 mil a 10 mil tocos, que vêm de muitos anos atrás. Estamos fazendo  uma licitação na qual exigimos no edital um equipamento moderno para a retirada dos tocos sem estragar a calçada, sem fazer sujeira e que o serviço seja feito em 5 minutos”, afirma Oliveira.

Cerca de 12.220 solicitações para remoção de árvores se acumulam na Semusp, sendo que 4,5 mil já estão com o corte autorizado pelos engenheiros e as restantes ainda aguardam análise para o corte ser autorizado ou vetado.

Atualmente, segundo o secretário, o tempo para o corte da árvore e plantio de outra muda no local varia de acordo com a espécie. “Na Vila Esperança fizemos a retirada em uma semana e na mesma semana já foi feito o plantio”, diz.

De acordo com Vagner de Oliveira, não existem bairros específicos com maior incidência de pedidos de cortes de árvores. “O Jardim Alvorada é maior, tem mais árvores e causa mais problemas, mas no Parque Itaipu, que é menor, tem chuva que derruba até dez árvores por lá, porque o bairro fica em região mais alta.”

Neste ano, Oliveira conta que atendeu solicitações de cortes feitas de 2001. Segundo ele, “é humanamente impossível zerar a fila de solicitações”, porém o secretário acredita que a fila de pedidos de corte deve ser reduzida em 70%.

“Muitas das solicitações são apenas de podas. A gente só retira quando a análise comprova realmente que há necessidade por riscos de queda”, afirma o secretário.

As mudas que são plantadas no lugar das árvores erradicadas são produzidas pelo viveiro municipal e o plantio não tem custo para o morador.

Vagner Oliveira disse que ainda não foi definida a espécie ideal para plantio. “Nós estamos conversando com vários profissionais da área e seguindo o que está sendo definido no Plano Municipal de Arborização (PMA), desenvolvido por engenheiros, no qual é feito todo um estudo técnico”, explica.

Plano vai definir quais espécies são indicadas

O engenheiro florestal da secretaria de Meio Ambiente (Sema), Mauricio Sampaio, disse que o PMA está sendo feito a partir de um manual do Ministério Público, e deve ficar pronto até março de 2018.

Segundo ele, um dos objetivos do plano é realizar o diagnóstico da condição da atual arborização. “A gente quer saber quais são as espécies, ter uma noção de quantas árvores temos na área urbana e quais as condições fitossanitárias das árvores da cidade”, diz Sampaio.

Além disso, outro grupo de profissionais está definindo quais as espécies de árvores mais indicadas para cada rua da cidade, desde o porte das mudas até onde e como devem ser plantadas.

Um banco de dados também deve ser criado, para analisar as condições de cada uma das árvores urbanas. Segundo Sampaio, toda a discussão será aberta à participação popular. “Quando estiver na Câmara, vamos fazer audiências públicas e todo um rito de publicidade”, explica.

Embora os estudos para a definição das espécies mais recomendas ainda estejam em andamento, o engenheiro observa que 40% das árvores de Maringá são sibipirunas, que têm um ciclo de vida curto e cai com certa facilidade: “É a que mais cai na cidade”.

“Estamos tentando evitar o uso de árvores dessa espécie – afirma o engenheiro. Ela será mantida somente onde é muito adaptada ou se existir algum aspecto histórico que recomende o plantio”.

De acordo com Mauricio Sampaio, o PMA também pode auxiliar na redução nas quedas de árvores, que são recorrentes em Maringá no período de temporais.

“Se tiver um banco de dados atualizados e funcionando, a gente já vai ter no sistema árvores com riscos de queda, o que vai ajudar bastante”, diz ele.

Cerca de 35 pessoas estão participando dos grupos que estão elaborando o Plano Municipal de Arborização.

Vários órgãos governamentais e municipais estão representados, como Sanepar, Copel, Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo e Secretaria Municipal de Serviços Públicos.

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