PPP do Trem Pé Vermelho esbarra na crise econômica, em tecnologia superada e demandas desatualizadas

Por: - 7 de novembro de 2017
Traçado proposto para o Trem Pé Vermelho, entre Paiçandu e Ibiporã / Governo do Paraná

O Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) do Trem Pé Vermelho, lançado em 2015, com adesão de três consórcios em 2016, e com expectativas de definições, em 2017, sofreu um grande revés nos últimos meses.

No começo do ano, dois, dos três consórcios autorizados a aprofundar os estudos de viabilidade econômica e financeira da operação desistiram do projeto.

O consórcio formado pela Viaponte Engenharia Ltda, Viaponte – Projectos e Consultoria de Engenharia S.A., IP Engenharia e Albino Advogados Associados informou “não ter encontrado segurança no mercado para abordar um empreendimento desta dimensão e complexidade”.

Decisão semelhante foi tomada pelo consórcio formado pela Egis – Engenharia e Consultoria Ltda, Logit Engenharia e Consultoria Ltda e Esteio Engenharia e Aerolevantamentos S.A..

“Apesar de todos os ingentes esforços das empresas envolvidas, não foi possível agregar à parceria um investidor para suportar os custos preliminares deste PMI”, informaram as empresas em nota oficial.

Com as desistências, sobrou no processo do Trem Pé Vermelho o Consórcio G&P, formado pelas empresas Gapi – Global Ace Participações e Investimentos e Pullinconsult – Pullin e Campano Consultores Associados Ltda.

Segundo o coordenador de Concessões e Parcerias da Secretaria de Estado de Planejamento, Murilo Noronha da Luz, a resposta inicial do consórcio que manteve interesse no projeto também ficou aquém da aguardada pelo Governo do Paraná.

“Entregaram não exatamente o esperado, mas um parecer mais simplificado com os equívocos do Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental (Evtea)”, explicou.

O Evtea do Trem Pé Vermelho foi realizado pelo Labtrans, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a cerca de dez anos. O estudo, hoje, se mostra desatualizado em termos de demanda projetada de passageiros para o serviço de transporte e para as tecnologias que poderiam ser empregadas.

“Decidimos manter a PMI aberta. Agora, com o apoio do consórcio, temos procurado deixar o projeto mais atrativo”, explicou Luz.

Para evitar o fim do sonho do Trem Pé Vermelho, idealizado na década de 1980 como Metronor, o coordenador destacou a criação de um grupo interno de trabalho com participação das secretarias de Planejamento e Infraestrutura e Logística.

“Estamos reestruturando o projeto e preparando uma nova pesquisa de demanda. Buscamos a proposta para um serviço mais moderno, mais próximo às exigências do mercado”, afirmou.

Luz afirmou que uma nova reunião de trabalho será realizada nesta terça-feira (7/11). “Analisamos se cabe uma reestruturação mais impactante. Precisamos decidir como oferecer novamente o projeto para o mercado. O passo posterior é o leilão de concessão, da Parceria Público-Privada (PPP)”, disse.

Analise de segurança do Trem Pé Vermelho virá depois

Questionado sobre a análise das questões de segurança que envolvem a operação, principalmente dentro de Maringá, o coordenador de Concessões e Parcerias da Secretaria de Estado de Planejamento, Murilo Noronha da Luz, diz que esta avaliação não é feita agora. “A segurança não entra nesta fase”, disse.

Sobre o os dois túneis ferroviários e pareceres que indicam problemas no uso dos atuais trilhos, Luz concordou que este é um “ponto bem complexo, porque a compatibilização (dos trilhos) terá de ser bem estudada. E tem a  questão de ventilação. Será necessário fazer uma readequação”, afirmou.

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