Maringá é pioneira em oferecer produtos gratuitos a portadores de psoríase. Medicamentos foram criados na cidade

Por: - 26 de outubro de 2017
Prosríase
Perna do comerciante Alessandro Bernardi, no início do tratamento da Psoríase, quando a doença apresentava quadros mais críticos

Maringá será a primeira cidade do Brasil a disponibilizar gratuitamente aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) uma linha de produtos farmacêuticos para tratamento de psoríase, uma doença que, além dos sintomas físicos, muitas vezes causa constrangimentos aos pacientes.

O lançamento oficial do programa será neste sábado (28) e, o que também chama a atenção afora o pioneirismo, é que os medicamentos foram desenvolvidos por uma dermatologista, Sineida Berbert Ferreira, e uma farmacêutica, Suzana Ogawa, da cidade.

A psoríase é uma doença de base genética, com influências ambientais – como infecções, estresse e alterações hormonais -, que afeta a pele e as articulações. Durante muito tempo a doença foi interpretada de maneira equivocada, tida apenas como manchas na pele.

A dermatologista maringaense Sineida, que desenvolveu a linha de produtos, observa que pessoas com a doença têm, comprovadamente, 300% de chance a mais de ter derrame ou infarto. “Quando o paciente é diagnosticado com psoríase, a gente tem que pedir exames de sangue e avaliá-lo com riscos vasculares”.

Tendo em vista a gravidade da doença e o misticismo que a cerca – por muitas pessoas crerem que é uma doença contagiosa, mas não é -, “a linha já está disponível por meio de um projeto piloto realizado por mim e pela Secretaria Municipal de Saúde de Maringá”, disse.

“Estamos, inicialmente, distribuindo os medicamentos como esmalte, shampoo, hidratantes com produtos específicos para pacientes com psoríase que, comprovadamente, participam de um projeto social voluntário no encontro Lins de Vasconcellos, que reúne pessoas carentes e que também são atendidas pelo município, nas UBS”, explicou a dermatologista.

De acordo com Sineida, os princípios ativos da linha de produtos são substâncias já consagradas na prática dermatológica. “Estão entre as substâncias ureia, ácido salicílico e clobetazol, associados a produtos naturais com comprovada ação anti-inflamatória, como a calêndula”, explicou.

Maringá tem associação de portadores da doença

Presente em estados como Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, a Associação dos Portadores de Psoríase no Paraná tem sede em Maringá e o grupo se reúne periodicamente para tratar de diversos assuntos – de discriminação à mobilização por tratamentos.

A dermatologista Sineida destaca que a doença ainda é bastante estigmatizada e a associação é um espaço para que as pessoas compartilhem experiências e lutem pelos direitos.

“Uma pessoa com a doença que vai a um clube e vai entrar na piscina, as vezes, é mal vista. Houve um caso de uma criança que estava no balé e, ao prender o cabelo, ficou aparente a mancha e sofreu algumas discriminações. Na associação as pessoas lutam pelos direitos a remédios e tratamentos”, explicou.

De acordo com a médica, existem medicamentos que estão contemplados na rede pública, mas para adquirir um ou outro medicamento que não está disponível é mais difícil.

“Muitas vezes o paciente tem que ir à justiça para conseguir do tratamento. Isso acontece com pacientes que estão em quadros mais moderados ou graves. Em casos mais simples, uma pomada, creme ou fototerapia já pode resolver o problema”, ponderou.

Infecção na garganta gera manchas no corpo

O comerciante Alessandro Bernardi tem a doença e descobriu-a após uma infecção. “Eu tive uma infecção na garganta e apareceram manchas no corpo, mais precisamente nas pernas e nas costas. Fui a uma dermatologista e ela pediu alguns exames, mas já suspeitava de psoríase. Depois de uma biópsia confirmou-se a doença”.

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Bernardi utilizou dois tipos de pomada: o primeiro manipulado a base de corticoides e o segundo com bases naturais.

“A doutora me explicou que meu tipo de psoríase era mais simples. Ela me passou um creme a base de corticoides e as manchas nas minhas costas logo sumiram. Nas pernas, as manchas persistiram. Pesquisei na internet e vi um creme com bases naturais. Comprei e deu certo”, contou.

Prosríase
Perna do comerciante Alessandro Bernardi, no início do tratamento da Psoríase, quando a doença apresentava quadros mais críticos

Segundo o comerciante, o que mais o incomodava, quando a doença apresentou quadro mais severo, foi o aspecto estético.”Não tenho mais manchas. As vezes aparece uma ou outra bem pequena, mas continuo usando o creme natural nas manchas que aparecem e logo elas somem”, disse.

 

 

Encontro anual dos portadores de psoríase

O VI Encontro Anual de Pessoas com Psoríase, será realizado no auditório Hélio Moreira, a partir das 8h horas. O evento é voltado para pessoas portadoras da doença, familiares e profissionais da saúde.

O encontro é organizado pela Associação Paranaense de Pessoas com Psoríase (Psoripar) e tem como objetivo mobilizar pacientes e dermatologistas a lutar pelo acesso completo de medicamentos, que hoje, não são disponibilizados totalmente pela rede pública.

Participam do evento e das discussões dermatologistas, reumatologistas, nutricionistas, cardiologistas e representantes da Regional de Saúde e Secretaria Municipal de Saúde de Maringá – além de pessoas que possuem psoríase. O evento é aberto a toda a comunidade e a entrada é franca.

O lançamento oficial dos medicamentos durante o encontro. Os produtos foram desenvolvidos pela dermatologista Sineida Berbert Ferreira e pela farmacêutica chefe da farmácia de manipulação da Secretaria Municipal de Saúde, doutora Suzana Ogawa.

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