Morre aos 88 anos Jean-Paul Belmondo, um dos maiores astros do cinema francês

6 de setembro de 2021
Jean-Paulo Belmondo
Jean-Paul Belmondo era o ator preferido dos maiores diretores de sua época Photo by Patrik STOLLARZ / AFP

O cinema perdeu nesta segunda-feira um de seus maiores astros de todos os tempos, o ator francês Jean-Paulo Belmondo, astro da Nouvelle Vague francesa e o preferido dos maiores diretores. Ele tinha 88 anos e morreu em casa, em Paris.

Belmondo ficou conhecido por filmes como “Acossado” (1960) e “O Demônio das Onze Horas” (1965), ambos dirigidos por Jean-Luc Godard. Outro grande filme estrelado por Belmondo foi “O Homem do Rio” (1964), rodado no Brasil.

Depois de construir uma carreira inconteste no cinema francês, principalmente interpretando homens frios e sisudos, mas que encantavam o público, Belmondo teve uma virada na carreira de ator. Passou a atuar em filmes mais populares. Sem dúvida, foi um dos grandes atores da história do cinema mundial. “Nenhum ator desde James Dean inspirou tamanho sentimento de identificação com público”, escreveu o crítico Eugene Archer no New York Times em 1965.

 

Jean-Paul Belmondo
Cena do filme ‘O Homem do Rio’ (1964), de Philippe de Broca, com Jean-Paul Belmondo Foto: Les Films Ariane

 

Cena do filme ‘Acossado’, de Jean-Luc Godard, com Jean Seberg e Jean-Paul Belmondo Foto: Zeta Filmes

Belmondo lançou um novo tipo de astro. O antigalã, com seu nariz amassado de boxeador. O jovem – nascido em Neuilly, em 1933 – era um imitador nato. Incorporava tiques de célebres durões de Hollywood. Humphrey Bogart, James Cagney, Henry Fonda. Perfeito para um filme dedicado a um estúdio B de Hollywood, o Monogram. Mas o modelo, nada secreto, do filme e do ator foram Cais das Sombras, da dupla Marcel Carné e Jacques Prévert, e Jean Gabin.

 

Jean-Paul Belmondo
O atores Jean-Paul Belmondo (esq.) e Alain Delon Foto: Patrick Kovarik / AFP

Nas pegadas de Cartouche, de 1962, fizeram no Brasil O Homem do Rio, uma jóia da comédia de aventuras, e prosseguiram com As Fabulosas Aventuras de Um Playboy O Magnífico. De volta a Godard, fizeram Pierrot le Fou, lançado no Brasil como O Demônio das Onze Horas. Bebel e Anna Karina, uma imagem do filme – o beijo dos dois, cada um na direção de um carro, em sentidos contrários – virou o pôster do Festival de Cannes de 2018. Nova parceria com Melville produziu Técnica de Um Delator, mas a par de Godard os maiores filmes de Belmondo com autores ligados à nouvelle vague foram O Ladrão Aventureiro, talvez a obra-prima de Louis Malle, e mais para um velho e cansado Arsène Lupin do que para nova onda, e Stavisky, um suntuoso Alain Resnais. Seu François Truffaut não foi dos melhores – A Sereia do Mississippi -, desconstrução dolorida de uma ligação amorosa.

Por volta de 1970, Jacques Déray juntou-o a Delon em Borsalino, homenagem aos filmes de gângsteres de Hollywood (e aos famosos chapéus que portavam). O filme fez história nas bilheterias. Durante pelo menos quatro décadas – cinco -, Jean-Paul Belmondo deu uma cara ao cinema francês autoral, filmando com grandes diretores, e também ao de qualidade, feito por grandes profissionais. Nesses últimos, ele não apenas atuava, produzia. São filmes escritos para ele, baseados em histórias – e até piadas – que ele propunha. Com Belmondo, vai-se toda uma era do cinema francês.