Juíza decreta a falência do jornal O Diário do Norte do Paraná

A juíza de direito substituta Mariana Pereira Alcântara Magoga, da 1ª Vara Cível de Maringá, decretou hoje a falência da Editora Central Ltda., proprietária de O Diário do Norte do Paraná, considerado o terceiro maior jornal do Paraná.

O juízo levou em consideração o argumento da Fazenda Nacional, segundo a qual a editora vinha descumprindo o parcelamento de dívida tributária, um débito superior a R$ 4 milhões, sustentando que a empresa buscava se utilizar da recuperação judicial para dilapidar seu patrimônio e se esquivar de suas obrigações. Foi concedido prazo para o parcelamento, mas ele transcorreu sem que tenha sido comprovada a regularidade tributária, “o que impede o acolhimento do pedido de recuperação judicial”.
A decisão cita ainda que os relatórios apresentados pelo administrador judicial mostravam um agravamento da situação. “Veja-se que a recuperanda durante o tramitar do processo tem mostrado que não consegue adimplir um dos débitos mais básico para o funcionamento da empresa, qual seja, o débito trabalhista atual. A título de exemplo, cito o último relatório mensal (…). Nele constou que os salários dos funcionários estão atrasados há cerca de 3 meses; que até o momento não foram pagos o 13º salário de 2017 e 2018; que está havendo problemas com a entrega diária de jornais aos assinantes, pelo atraso de pagamento dos entregadores; atraso no pagamento de vale alimentação; a receita tem caído; o fluxo de caixa estava negativo na quantia de R$ 500.000,00; houve bloqueio do plano de saúde empresarial por falta de pagamento; que o valor da receita mensal comparada ao mês anterior reduziu em mais de 21%”, diz trecho. Assim, entendeu a juíza, a empresa não apresenta viabilidade econômica e potencial de recuperação, nos termos da lei.
“Neste contexto, conquanto o processo falimentar represente uma forma traumática de buscar a satisfação dos créditos acumulados por uma empresa que já não apresenta viabilidade econômica, não restam alternativas à falência quando o empresário falha em cumprir os requisitos da recuperação judicial. Deixo de determinar a continuidade das atividades empresariais, pois, conforme se depreende do último relatório mensal de atividade apresentado pela Administradora Judicial (ev. 931), a empresa vem sofrendo a perda de faturamento e o aumento dos custos variáveis, acumulando
um prejuízo de mais de dois milhões e meio no último ano, o que demonstra que a continuidade do empreendimento representa prejuízo ao interesse dos credores, dentre eles os trabalhistas. Ademais, o capital circulante da recuperanda é equivalente a apenas 32% de seu passivo, evidenciando um cenário no qual a devedora não possuirá patrimônio suficiente para fazer frente
ao crescente endividamento que tem se observado”.
A decretação da falência determina, assim, a retirada dos sócios da administração da empresa, “ficando consignada a total impossibilidade de continuação das atividades da falida”.
A recuperação judicial da empresa havia sido autorizada em novembro de 2016; o processo tramitava havia 892 dias. Em fevereiro de 2018 jornalistas entraram em greve por causa do atraso dos salários. O Diário do Norte do Paraná foi fundado em 1974; em 29 de junho deste ano faria 45 anos. Pela redação do jornal, o primeiro off-set da região, passaram muitos profissionais da comunicação.

Aqui, a sentença na íntegra.

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Começou em jornal aos 14 anos, foi editor-chefe dos três jornais diários de Maringá. Pioneiro em blog político, repórter e apresentador de programa de televisão, apresentador de programa político nas rádios Jornal, Difusora e Banda 1, comentarista das rádios Metropolitana e Guairacá, editor de diversos jornais e revistas, como Umuarama Ilustrado, Correio da Cidade, Expresso Paraná, Maringá M9 e Página 9. Atualmente integra o cast da Jovem Pan Maringá.

26 pitacos em “Juíza decreta a falência do jornal O Diário do Norte do Paraná

  1. …. Comecei como auxiliar do departamento pessoal (antes ajudei a limpar o chão, tirando as tintas da pintura que caíram do teto para sua inauguração, fui contratado pela dona Rosey por meio salário mínimo e recebi 1) a 1984 e depois como repórter-fotográfico, 85 a 87, Tive a honrar de trabalhar com uma pessoa que seria o melhor é mais ético editor-geral que já trabalhei, Ângelo Rigon. Aprendi a amar a fotografia com o mestre Nelson Pupin (jaca) que ensinou uma geração de fotógrafos. Hoje com certeza é um dia muito triste…

  2. aureos tempos não é Sr. Franklin?

    É meu querido…não a bem que sempre dure, nem a mal que nunca acabe.

    Graças a Deus desse mal chamado O DIÁRIO DO NORTE DO PARANÁ a gente não sofre mais.

  3. Estranho ne? foi só os Barros perderem, para o repasse de “propagandas”, essa porcaria faliu, foi tarde, tomara que o pinga fogo vá a falência também

  4. Uai,o Sr Frank cheio de ostentação.carrões,aps em praias famosas.não teve a competência para nào deixar isso acontecer?ah,as tetas generosas do poder público secaram né,os barros despejavam dinheiro ali né,governo estadual e federal também.e como ficam os empregados agora?tem mais uma empresa de comunicação maringaense que tá no mesmo caminho(incompetência pura)

  5. Uma pena muito da comunicação de Maringa nasceu ali. Inclusive Eu. Silas Augusto , aprendi fotografia ali nos idos de 1979 1980 junto com o amigo ANGELO RIGON

  6. Frank Silva está dando adeus a casamento em Las Vegas, adeus as rosas colombianas, adeus ao Costão em Bal Camboriú, adeus aos Gran Reserva, adeus a Viuve Glicot, adeus a Land Rover, adeus a Mercedes, adeus ao Royal Garden. Resume: aqui se faz, aqui se paga.

  7. É muito triste a situação do nosso Jornal O Diário, infelizmente as empresas e o povo brasileiro empobreceraram, graças ao Bandidos do PT, que saquearam os cofres do povo brasileiro.Dr.hosine Salem.
    Se

  8. É muito triste a situação do nosso Jornal O Diário, infelizmente as empresas e o povo brasileiro empobreceraram, graças aos Bandidos do PT, que saquearam os cofres do povo brasileiro.Dr.hosine Salem.

  9. E os empregados? O CNPJ fali mas o CPF do patrão e familiares continua bem. Tem gente que fica com dó dos empresários mas esquece que na maioria das vezes os bens já estão no nome de parentes bem longe do alcance da justiça. Tem empresário que passa tudo para o nome da esposa e se separa justamente para não ser executado, aí ele continua bem e os coitados dos assalariados nem os INSS deles deve ter recolhido. Olho vivo trabalhadores.

  10. É uma pena, mas estava escrito, a substituição dos meios de comunicação pela redes sociais, o desemprego no mundo inteiro é motivado pela substituição da mão de obra pela máquina, quem não acreditar na evolução desaparece.
    Muitos desempregados são também considerados falidos pela desatualização e não mais tem espaço no mercado de trabalho. Voltar e reciclar é o que recomenda-se em todos os sentidos procurar ser o melhor possível em sua especialidades, adaptar -se, regenerar-se e colocar que a vida inteira é um processo de aprender continuadamente.
    Não só O Diário do Norte do Paraná sucumbiu, outros virão, cadê o Estado do Paraná, Gazeta do Paraná, está última tentando sobreviver através de Jornal virtual. A notícia hoje é dada no momento que acontece, o escrever o ontem já era. Concluindo, então vamos atualizar os e com força total.

  11. Para mim a notícia da decretação da falência do O Diário me entristeceu profundamente! Tinha muito carinho por este jornal. Quantas vezes, quando criança, aos 8 anos de idade, no início de suas atividades, no antigo endereço na Avenida Tuiuti em 1974, acompanhei meu pai (Joaquim Dutra) com sua equipe, sempre concentrados nas notícias do dia seguinte e preocupados com a melhor diagramação, melhor conteúdo. Quantas vezes acompanhei o meu pai até altas horas da noite porque, perfeccionista que era, queria ver o trabalho pronto e enquanto não pegava o jornal em suas mãos, quentinho, não dava seu trabalho por encerrado. Acompanhava o Gumercindo que era responsável pela off-set, na época. Ficavam a postos até o final do processo. Mesmo sendo criança pude perceber quanta dedicação e quanta responsabilidade de toda equipe, resultando para mim um exemplo fundamental, um legado para minha vida. Mesmo pequeno lembro-me de grandes profissionais que começaram suas atividades no O Diário: Cito aqui: o Moracy Jacques; o Jaça; o Gumercindo; pessoas que eram muito queridas de meu pai e muitos outros que por ser muito pequeno na época não me lembro de seus nomes. Foi indubitavelmente um grande jornal à sua época! e não podemos esquecer que em suas edições estão registradas a história de nossa tão querida Maringá, dia a dia. Foram quase 45 anos, exatas 13.782 edições relatando o dia a dia de nossa cidade proporcionando a cada leitor a oportunidade de analisar seu conteúdo e tirar suas conclusões. Quando lí a fundamentação da falência feita pela Exmª. Dra. Mariana Pereira Alcantara Magoga, percebi que o Jornal tinha sido ferido de morte! Não existia mais tratamento pois todo o tratamento oportunizado na Recuperação Judicial foi desperdiçado, descumprido; As dívidas parceladas de credores diversos, não foram adimplidas; salários atrasados; agravamento da situação econômica com sua dívida aumentando mês a mês perdendo desta forma o potencial de recuperação. O Diário, infelizmente, foi ferido de morte e impossibilitado na continuação das atividades. Sinto grandemente! principalmente, pelos funcionários atuais que dedicaram suas vidas, seu trabalho, seu tempo pelo jornal e que não tiveram a contrapartida de seus salários e direitos trabalhistas; pelos diversos credores prejudicados pela falta de pagamento. Neste cenário triste Procurarei guardar em minha memória as boas lembranças, a boa memória do Diário que foi, um dia, UM GRANDE JORNAL.
    Marcelo Dutra

  12. Ricardo Antonio Balestra diz:

    Uma pena! Abstraindo-se os defeitos, as vicissitudes e as falhas de quem tem a ver com essa falência, a realidade é que Maringá foi quem perdeu: tínhamos uma janela para o mundo, que agora foi fechada. O que não podemos é ficar sem um jornal impresso, que é o que dá visibilidade para qualquer periódico sério. As lideranças da Cidade Canção têm agora mais um desafio…

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