Fiep diz que já alertava sobre prejuízos revelados pela Lava Jato

A deflagração, hoje, da 48ª fase da operação Lava Jato, que investiga desvios em concessões rodoviárias no Paraná, reforça o posicionamento da Federação das Indústrias do Paraná de que os valores pagos nos pedágios do Anel de Integração estão acima do aceitável e penalizam a economia e a sociedade do Estado.

No total, seis pessoas foram detidas, incluindo Nelson Leal Júnior, diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem, e Helio Ogama, diretor-presidente da Triunfo Econorte, empresa que administra um dos lotes de estradas.
“Desde 2011, a Fiep tem, insistentemente, alertado que o setor produtivo e a sociedade paranaenses pagam uma tarifa de pedágio muito elevada, fruto de um modelo de concessão distorcido”, afirma o presidente da Fiep, Edson Campagnolo. “As novas revelações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal comprovam essa tese, trazendo à tona uma amostra do tamanho dos prejuízos que o custo do pedágio causa para nosso Estado”, completa.
Segundo declarações feitas por procuradores do MPF, os desvios causados pela corrupção no Anel de Integração podem ter elevado o valor das tarifas para os usuários das rodovias em até quatro vezes. “Isso mostra que, assim como a Fiep sempre afirmou, o setor produtivo do Paraná paga um custo de transporte muito mais alto do que seus concorrentes de outros estados. Com isso, o produto paranaense perde competitividade, tonando-se menos atrativo tanto no mercado interno quanto no externo, o que impacta diretamente nossa economia”, diz Campagnolo.
O presidente da Fiep afirma, ainda, que os desvios revelados foram facilitados, em grande medida, pela falta de transparência e fiscalização nos contratos do Anel de Integração. “A sociedade paranaense, que é quem paga essa conta, nunca teve acesso a detalhes dos contratos ou às planilhas de custos das concessionárias”, explica Campagnolo. “Assim, chegamos a uma situação em que as empresas cobram altas tarifas, sem a realização das obras essenciais para aumentar a capacidade das estradas. Passados 20 anos do início das concessões, é inadmissível que o Anel de Integração não esteja completamente duplicado ou ao menos com grande percentual de terceiras faixas. Além dos prejuízos econômicos gerados por essa situação, a falta de segurança nessas rodovias também já causou inúmeras mortes, criando um passivo social imensurável para o Paraná”, completou.
Por fim, Campagnolo reitera a defesa da Fiep pela construção de um novo modelo de concessão para o Anel de Integração. “Não somos contrários à concessão de obras e serviços à iniciativa privada. Pelo contrário, está claro que o Estado não tem competência para fazer a gestão da infraestrutura. O que precisamos é encontrar um modelo de concessão que, pautado na transparência, possibilite a realização das obras necessárias, mas com tarifas justas para os usuários”, conclui. (Divulgação)

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Começou em jornal aos 14 anos, foi editor-chefe dos três jornais diários de Maringá. Pioneiro em blog político, repórter e apresentador de programa de televisão, apresentador de programa político nas rádios Jornal, Difusora e Banda 1, comentarista das rádios Metropolitana e Guairacá, editor de diversos jornais e revistas, como Umuarama Ilustrado, Correio da Cidade, Expresso Paraná, Maringá M9 e Página 9. Atualmente integra o cast da Jovem Pan Maringá.

4 pitacos em “Fiep diz que já alertava sobre prejuízos revelados pela Lava Jato

  1. João Almeida de Jesus diz:

    O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, está certíssimo.
    Temos que ter estradas pedagiadas sim. Porém com contratos justos, transparentes e com duplicação de todas as rodovias pedagiadas em 100%.

  2. O correto agora é quem tiver com os comprovantes entrar com ações contra estes pedágios absurdos para solicitar reembolso. Se os políticos fossem corretos podiamos estar pagando para o Estado, mas quando fala-se em poder público todo mundo quer meter a mão no jarro.
    Entregue para alguma Entidade séria e fiscalize, solicite prestação de contas mensal e mostre para o povo paranaense. aqui é tudo feito as escuras. uma pena ver um estado tão rico de um povo trabalhador ficar nas mãos de quem só quer tirar proveito.

  3. Estamos fritos, tudo corrompido!!
    O povo sempre prejudicado.
    Quanto foi indevido?

    O público/ o político não funcionam e muito precisa ser investigado, e resolvido.

    O privado também é repleto de cobranças indevidas, e prejuízos ao consumidor.

    Ou seja, falta a base nesse país, respeito as pessoas, honestidade, bondade, integridade!!!

    Horrível!
    Do uma intervenção geral??

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Você pode usar estas HTML tags e atributos:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>