Sobre o carnaval

A criatura humana tem necessidade de espairecer. Allan Kardec com muita propriedade quando estudou as leis morais, estabeleceu a lei do trabalho, mas também a lei do descanso. Naturalmente o indivíduo necessita espairecer para renovar as suas células.

A alegria, o repouso, fazem parte desse processo de equilíbrio do nosso estado psicológico. A nossa Harmonia emocional depende também do equilíbrio das forças entre as ações que desenvolvemos e o repouso que se nos faz necessário.
As saturnais (na Grécia) era uma semana dedicada ao solstítico de inverno, o dia mais curto do inverno europeu, 25 de dezembro. Era também chamada a festa dos escravos, dedicadas ao Deus Saturno e a outros Deuses, havia variações. As pessoas olvidavam tudo aquilo que constitui o equilíbrio para poder se entregar ao prazer.Era o momento hedonista, (…) do gozo, da beleza da insensatez. Durante os dias, os escravos eram livres, mas também os senhores. E havia uma promiscuidade tão tremenda, que os cristãos, na primeira fase que a doutrina foi colocada ao lado do império, procuraram mudar colocando a data do Natal aí.
Mas logo depois essas festas irão aparecer em Veneza nos célebres bailes de máscaras em que as pessoas utilizando-se de pequeninas máscaras procuravam ocultar a identidade para poder entregar às paixões. Daí surgem as figuras mitológicas dos Casanovas, dos Don Juan’s, dos conquistadores de baratos e daqueles que assaltavam as humildes donzelas, que se entregavam com muita facilidade.Então nasce em um vérbete latino, a seguinte frase: “carne nada vale”. Então se colocou isso antes da semana da páscoa, antes da célebre quarta-feira de cinzas, que é uma herança judaica.Então essa tradição vai encontrar agora, no carnaval, em que a carne nada vale, o deixa desbordar o total das paixões. E o que acontece no dia seguinte: a pessoa arrependida, ou fingia-se arrependida, e com as cinzas depurava-se.
O carnaval ganhou rumo e se transferiu para Riviera Francesa e, ali na Riviera francesa passou a ter emoções muito mais graves, já que era período em que a carne nada valia, tudo era válido em nome do prazer. Para ao novo mundo o carnaval veio com a herança portuguesa e espanhola e, na América Latina, particularmente, com a chegada dos nossos irmãos da África. Graças aos instrumentos surdos, a sensualidade do batuque, o ritmo que leva ao transe, o prazer das sensações transcendentais e, de imediato, os portugueses trouxeram para nós o entrudo de lamentável memoria graças a imundície, que lentamente se transformando no “carne nada vale”, no carnaval. (…) o carnaval tornou-se uma tragédia do cotidiano. Eu psicografei um livro, faz 25 anos aproximadamente, que se intitula Nas Fronteiras da Loucura e que estuda profundamente o Carnaval no Rio de Janeiro por volta do ano de 1968, quando as entidades venerandas lideradas por Dr. Adolfo Bezerra de Menezes realizam um socorro às vitimas do Carnaval; às vítimas espirituais; às entidades sanguissedentas, apaixonadas, perturbadas que se utilizam das criaturas para exaurí-las, para que elas desfrutem ao máximo até a exaustão, quando se contaminam, não somente hoje, da perigosa AIDS, mas como em todo tempo da sífilis das enfermidades infecto-contagiosas transmitidas sexualmente.
O desfile das escolas de samba são um espetáculo monumental de arte, de beleza, de magia, de cultura e, principalmente, da história em que grandes artistas populares revelam-se em trabalhos de artesanato dignos de um Michelangelo, das músicas de grandes compositores populares. Mas isso é o espetáculo… a promiscuidade é que é perturbadora. A intenção de criminar, destruir, de poluir as pessoas. O número de assaltos, de violências, de estupros, de agressividades naquela multidão que segue os cordões dos trios elétricos. (…) e o indivíduo compromete-se, ao invés de ser uma festa que renove as energias que prepara o indivíduo para poder enfrentar mais os anos da sua atividade aqueles que buscam a ardência do Carnaval.
O Carnaval tornou-se uma manifestação “thanatos” (o Deus da Morte, na mitologia Grega), uma manifestação de morte por que logo que ele passa fica aquela ilusão carnavalesca em que as pessoas transformam os outros dias num permanente Carnaval, como se a vida fosse constituída apenas de prazer. E quando vem os efeitos danosos: a gravidez não desejada por descuido do anticonceptivo, ou por descuido da camisinha; quando vem as doenças degenerativas; quando vem o abandono, porque aquela ilusão passa. Quando vem o despertar da consciência: o arrependimento; o transtorno emocional; as obsessões dos espíritos que se utilizaram daqueles dias de insensatez para poder perturbar o equilíbrio psicofísico das vítimas.Então, carne nada vale, sim; mas o Espírito é o comandante!
É necessário que valorizemos a carne, que é o Receptáculo Divino onde realizamos a nossa reencarnação para o processo da nossa evolução, então, nos próximos dias do carnaval, que fazer? Para os espíritas temos algumas soluções que podemos oferecer: utilize-se dos dias do Carnaval para uma boa leitura, para visitas aos doentes, para a convivência com a família, para a reestruturação de planos e projetos, para estudos, para a paz, para a meditação. Se tem uma convicção religiosa, siga! Vá fazer o seu retiro católico; vá fazer o seu estudo bíblico; vá fazer o seu encontro espírita.Naturalmente que nós poderíamos utilizar nos do carnaval para festas; podemos ir a bailes. É lógico! Não é o carnaval em si; (o problema) é o comportamento do indivíduo no carnaval… porque muitas vezes o indivíduo pode estar atormentado pelos conflitos do sexo, pelos tormentos do seu próprio comportamento. Podemos ir para as galerias para ver as escolas de samba desfilar; temos nós aquele que nos agrada, a escola que nos toca, (…) isso faz parte da vida, isso nos ajuda a vibrar. É a nossa conduta mental e moral, a maneira como nos utilizamos dos dias de prazer e licenças para nos entregarmos a hediondez e depois recuperarmos a máscara da hipocrisia puritana. Isso sim, que é condenável.
Que este texto, extraído de entrevista com Divaldo Franco, que pode ser visto aqui, sirva para conhecermos uma pouco da história do carnaval e refletirmos sobre como devemos aproveitar esses dias.
Akino Maringá, colaborador

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Começou em jornal aos 14 anos, foi editor-chefe dos três jornais diários de Maringá. Pioneiro em blog político, repórter e apresentador de programa de televisão, apresentador de programa político nas rádios Jornal, Difusora e Banda 1, comentarista das rádios Metropolitana e Guairacá, editor de diversos jornais e revistas, como Umuarama Ilustrado, Correio da Cidade, Expresso Paraná, Maringá M9 e Página 9. Atualmente integra o cast da Jovem Pan Maringá.

3 pitacos em “Sobre o carnaval

  1. Como toda doutrina ou conjunto de idéias que a burguesia adota, o espiritismo é cheio desses recalques falso-moralistas disfarçados de virtudes:

    “Não é o carnaval em si; (o problema) é o comportamento do indivíduo no carnaval… porque muitas vezes o indivíduo pode estar atormentado pelos conflitos do sexo, pelos tormentos do seu próprio comportamento. (…) É a nossa conduta mental e moral, a maneira como nos utilizamos dos dias de prazer e licenças para nos entregarmos a hediondez e depois recuperarmos a máscara da hipocrisia puritana. Isso sim, que é condenável.”

    Acho no mínimo irônico que um kardecista venha falar de hipocrisia quando essa mesma doutrina espírita diz que as pessoas que nasceram com deficiências físicas, pobres ou não-brancas estão pagando penitência por “erros” de outras encarnações.

  2. continuando caro ,Akino Blogue: Leia um pouco mais sobre o assunto;
    Vamos dividir nosso assunto em três partes:
    1º – Quem é o deficiente mental?

    2º – Como se realiza o processo para que nasça com esses problemas.

    3º – Ajuda espiritual e prevenção para que diminuam essas possibilidades.

    Vamos encontrar em O Livro dos Espíritos, q.371 a 374, respostas dos Espíritos a Kardec sobre a idiotia, hoje deficiência mental. Q.371 – A opinião de que os cretinos e idiotas, teriam uma alma de Natureza inferior tem fundamento? Não. Eles têm uma alma humana, freqüentemente mais inteligente do que pensais e que sofre com a insuficiência dos meios de que se dispõe para se comunicar.
    Q.373 – Abuso da inteligência… É a base da Doutrina. Vamos encontrar na vasta literatura espírita mais e mais argumentos que nos mostram com clareza quem é o deficiente mental. Dr. Bezerra de Menezes, no livro Recordações da Mediunidade, psicografado pela médium Yvone Pereira – nos mostra que muitos casos de retardamento mental e problemas epiléticos profundos são ocasionados pelo suicídio.
    Podemos citar dois casos:

    Trem de ferro: entorpecimento dos músculos, nervos e até da medula espinhal provocado pelo traumatismo violento, o perispírito é lesado pela violência.
    Grande Altura: predisposição à loucura e epilepsia, as convulsões nada mais são do que vínculos mentais revivendo o passado (zona de remorso).

    Sobre o remorso, André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, nos fala sobre “Predisposições Mórbidas”, gerando anomalias muito grandes no corpo físico e explica:”A recordação dessa ou daquela falta grave que ficam calcadas no Espírito sem que tenha tido oportunidade de desabafo ou corrigenda, cria na mente um estado anormal que classificamos de zona de remorso, provocando distônias diversas de uma encarnação para outra.” Epilepsia, no livro “Mundo Maior”, de André Luiz encontramos a história de um jovem com crises de epilepsia, provocadas apenas pela percepção da proximidade dos obsessores, apesar de estar ao lado de antigos amigos espirituais em seu quarto, a ligação e a sintonia com esses espíritos por causa do crime, do ódio e o remorso provocam a manifestação da modéstia.

    Manoel Philomeno de Miranda, no livro “Grilhões Partidos”, psicografia de Divaldo P. Franco, relata a história de uma jovem epilética que em reencarnação anterior, assassinou o marido e o amante, tendo de viver o resto de seus dias mentindo e escondendo seu crime, com isso lesando os centros perispirituais que alteraram o novo corpo afetando o metabolismo endócrino. Ainda quando causados por traumatismo craniano, sífilis ou tumores, o Espírito já tem a predisposição para a enfermidade. Dr. Jorge Andrea, no livro “Psicologia Espírita” aborda a temática do deficiente mental no cap. “Dinâmica Espiritual do Excepcional”, falando da participação do espírito na formação do seu próprio corpo. “Os genes cromossomiais responsáveis pelos fatores da herança, teriam em seu íntimo as influências dos vórtices do psiquismo profundo a comandar, orientar e ditar normas no mecanismo da vida. “Essa colocação completa o que André Luiz nos mostra sobre a zona de remorso.”

    Vemos, então, a influência enorme da consciência do reencarnante modelando seu próprio corpo, influenciando os genes da hereditariedade. A epilepsia congênita muito comum no excepcional seria distúrbio ligado a causa pregressa. O deficiente mental (congênito) não foge a essa regra.
    Outro ponto importante é quando ele coloca: “O Espírito reencarnante com suas deficiências, buscando a futura mãe, sintoniza-se, afiniza-se mais facilmente com as células sexuais que carregam deficiência e desajustes em suas estruturas íntimas, isto é, aproveitamento da Lei para que o Espírito não escape ao seu destino doloroso, mas necessário.”

    O deficiente mental apresentando distúrbios múltiplos, não pode ser traduzido como um acaso biológico, inclusive no phpecto hereditário que a Doutrina Espírita nos mostra relativa. No livro “Missionários da Luz”, cap. 12, André Luiz nos mostra inúmeras experiências onde o Espírito reencarnante pede que sejam alteradas certas condições físicas para que possa vencer as suas provas.

    Em “Evolução em Dois Mundos – cap. 7, André Luiz fala:…” no ser em formação toda permuta entre os cromossomos é presidida por agentes magnéticos ordinários (lei de hereditariedade), ou extraordinários (pela intenção dos Organizadores do Progresso).

    Em razão disso, atendendo-se aos objetivos finalistas do Universo, não será possível esquecer o plano Divino, quando se trate de qualquer imersão mais profunda na genética, ainda que isso contrarie aos cultores da ciência materialista.”Boletim Médico Espírita, Junho e Agosto de 1987, “Evolução em Dois Mundos”, “O corpo herda do corpo, a primeira célula formada após a fecundação é a primeira expressão do próprio corpo, depois na formação não há ação dos Espíritos ou da mente do reencarne.”

    Ajuda espiritual e prevenção:
    Consiste que apenas o corpo está atrofiado, incluindo o cérebro e pela resposta que os Espíritos dão a Kardec, na questão 374 sobre a lucidez da consciência, a terapia espiritual deve ser com vibrações, preces, palestras, pois ouvem e entendem o passe, e em alguns casos, de maior rebeldia, esses passes são aplicados duas ou três vezes na semana e ainda a Evangelização aos que têm um pouco mais de entendimento.

    Terapia Preventiva:
    Divulgação Doutrinária intensa; Palestras nos Centros; Cursos de Doutrina; Programas nas Emissoras, mostrando a Lei de causa e Efeito -as conseqüências oriundas dos erros, egoísmo, etc. É a única maneira de evitar que nasçam, no futuro, deficientes mentais.

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