Entidades divulgam manifesto contra campanha da Faep e Ocepar

A antecipação do fim da vacinação da aftosa dividir entidades da agropecuária. Leia o manifesto do setor da bovinocultura, subscrito pela Sociedade Rural do Paraná e Sociedade Rural de Maringá, contra a campanha encetada pela Faep e Ocepar:

Entidades paranaenses e nacionais representativas da bovinocultura no Estado e a indústria frigorífica manifestam-se contrários à campanha que vem sendo desenvolvida pela Faep (Federação de Agricultura do Estado do Paraná) e Ocepar (Organização das Cooperativas Paranaenses) para antecipar o fim da vacinação contra a febre aftosa no Paraná e contestam a informação equivocada de que todos os segmentos da agropecuária apoiam irrestritamente a iniciativa.
Nós, entidades que efetivamente representam a pecuária, reivindicamos que o Estado siga o calendário do Plano Estratégico de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA), traçado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que prevê a retirada da vacina no Paraná em 2021, junto com os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O Mapa fez estudos de risco criteriosos para definir um calendário nacional de retirada da vacinação, visando declarar o Brasil zona “livre de febre aftosa sem vacinação”, e não entendemos o posicionamento de alguns segmentos que buscam a suspensão imediata da imunização, ainda que em desacordo com a classe produtiva diretamente afetada.
Na quinta-feira, 26 de outubro, ao dar início ao PNEFA, em Porto Velho (RO), o diretor do Departamento de Saúde Animal (DSA) do Mapa, Guilherme Marques, ressaltou que a decisão da retirada gradual da vacinação contra a aftosa já foi tomada e que “é preciso atender aos requisitos sanitários para obter o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) de país livre da doença sem vacinação”.

Qual a vantagem?
Isolar o Paraná de outras regiões do País é vantajoso para quem? Alega a Faep que ganhariam os setores da suinocultura, avicultura e lácteo, com a abertura de novos mercados externos. Mas isso é verdade? Vejamos o exemplo de Santa Catarina, que parou a vacinação do seu rebanho em 2007 e nem por isso teve valorização do seu produto. Prova cabal é que o Estado reduziu em 3,4% suas exportações de suínos, entre 2007 e 2014, enquanto o Paraná aumentou em 16,22% (dados Secex/Decex/MDIC).
A vacinação contra aftosa tem sido uma garantia da sanidade de nossos rebanhos perante o mercado internacional. Não fosse assim, nossas exportações não viriam crescendo. Entre 2002 e 2016, dobramos as exportações de suínos, aves e bovinos in natura (dados da Secretaria de Comércio Exterior / Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e das carnes industrializadas tivemos o expressivo crescimento de 200%.
Importante lembrar que o isolamento do Estado do Paraná criaria barreiras para os nossos pecuaristas, que hoje recebem cerca de 30% de animais vindos de outras regiões para recria e engorda, o que derrubaria o processo de produção, com consequente dispensa de mão-de-obra, tanto no setor produtivo, quanto na indústria, causando ainda um grande problema para a melhoria genética, na aquisição de touros e matrizes e descolamentos para feiras e exposições.
Mais preocupante ainda são os danos que podem ocorrer para os produtores, caso a doença volte a aparecer. Em 2005, quando se registrou o último foco de aftosa no Estado, a cotação da arroba do boi despencou de R$ 90,00 para R$ 48,00, sem contar as centenas de cabeças sacrificadas. Ora, voltando a ocorrer algo semelhante, quem pagaria o ônus? As entidades que defendem o fim antecipado da vacinação, responderiam por isso?
Considerando que a transição de status sanitário contempla a posição geográfica e estrutural do país, fatores de risco, fronteiras internacionais, movimentação de rebanho, indicadores de comercialização e interesses comuns, nós, representantes das entidades que assinaram o manifesto entregue ao Governador Beto Richa, no dia 4 de outubro, solicitando cautela nesta decisão, requeremos que o Paraná cumpra o cronograma estabelecido pelo MAPA, altamente técnico e precavido quanto aos cuidados que se deve ter, depois de anos de luta do setor produtivo e órgãos sanitários, para que a aftosa seja definitivamente erradicada e o Brasil possa ser reconhecido como zona “livre de aftosa sem vacinação”.

Gostaríamos de salientar a existência de um bom relacionamento do setor com o Governo do Paraná, ADAPAR e SEAB. Aprovamos e aplaudimos todo investimento que o Governo vier a fazer para aparelhar a Adapar, para que possamos ser exemplo de sanidade para o Brasil e exterior.

SOCIEDADE RURAL DO PARANÁ / SOCIEDADE RURAL DE MARINGÁ
Representando outras 38 entidades estaduais e nacionais

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Começou em jornal aos 14 anos, foi editor-chefe dos três jornais diários de Maringá. Pioneiro em blog político, repórter e apresentador de programa de televisão, apresentador de programa político nas rádios Jornal, Difusora e Banda 1, comentarista das rádios Metropolitana e Guairacá, editor de diversos jornais e revistas, como Umuarama Ilustrado, Correio da Cidade, Expresso Paraná, Maringá M9 e Página 9. Atualmente integra o cast da Jovem Pan Maringá.

2 pitacos em “Entidades divulgam manifesto contra campanha da Faep e Ocepar

  1. O governo nem terminou de nomear os fiscais agropecuários para a Adapar poder fazer o trabalho de fiscalização de forma mais consistente e segura, e quer retirar a vacinação? Não têm fiscais suficientes para verificar se vacinou ou não, não terão ficais averiguar o início de um surto de aftosa.
    Sem dinheiro o governo não vai nomear todos os que têm direito às vagas do último concurso e ainda vai fazer campanha dizendo que acabou com a aftosa aqui…

  2. Importante lembrar que os laboratórios que fornecem as vacinas subsistem e estão BILIONÁRIOS só com a entrega da vacina contra Aftose, uma verdadeira máfia, pensem sob está perspectiva………………….quem ganha? quem deixaria de ganhar? estamos no Brasil.

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