Qual é o conceito de arte?

Por José Luiz Boromelo:

A arte encanta e impressiona. Há séculos o ser humano produz obras-primas belíssimas, um legado de valor inestimável para a posteridade.

Os mais renomados artistas como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Van Gogh, Monet, Renoir, Cézanne, Rembrandt, Picasso, Salvador Dali, Miró, Portinari e tantos outros mostraram todo seu potencial utilizando as mais diferentes técnicas, com resultados que beiram a perfeição. Alguns ousaram se expressar por meio da arte em obras de conteúdo erótico esbanjando competência sem cair na vulgaridade, pré-requisito básico para um trabalho que busca o respeito e o reconhecimento público. Mesmo nas obras que retratam sem disfarces as nuances e a crueza da anatomia humana como a escultura de Davi, do mestre Michelangelo ou o quadro “A origem do Mundo” de Gustave Coubert (que expõe frontalmente a genitália feminina, considerada a obra mais erótica do mundo), é possível distinguir traços perfeitos de genialidade e sensibilidade insuperáveis.
Assim também ocorre com as artes cênicas. Representar para um público teve seus primórdios na Grécia antiga, evoluindo no tempo até chegar aos níveis de sofisticação atuais, que tomaram a forma de espetáculos exuberantes. Porém, há que se questionar a total falta de limites na concepção de determinadas iniciativas, pretensamente classificadas por seus idealizadores como arte. Afinal, qual o conceito de arte? Seria tudo aquilo que expressa, de alguma forma, os sentimentos e a criatividade humana? Poder-se-ia classificar como arte uma tela com fundo branco, entremeada por rabiscos psicodélicos ou por montagens desconexas de imagens? Se a resposta for positiva, então, a quem interessaria promover mostras de obras e “coreografias” de gostos duvidosos, sem qualquer restrição de idade, em que o erotismo exacerbado e totalmente dispensável se transforma em personagem principal? Pior ainda, fazer apologia explícita à pedofilia e à zoofilia, como se a população em geral tivesse interesse por esse tipo de “lixo artístico”, geralmente oriundo de mentes doentias, depravadas e desconectadas com os interesses da sociedade?
Não restam dúvidas de que a permissividade nesse País atingiu níveis insuportáveis, com a insensatez e a ousadia correndo soltas, a ponto de se permitir a uma criança interagir com um homem nu durante uma “performance artística”, ainda que na presença dos pais. Por que as promotorias de Justiça e Varas da Infância e Juventude das respectivas áreas onde ocorreram fatos deploráveis (amplamente veiculados na mídia) não representaram imediatamente contra os responsáveis por essas demonstrações explícitas de afronta ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)? Onde estão aqueles autodenominados e pretensos defensores das causas das minorias, os ativistas ferrenhos que volta e meia aparecem bloqueando alguma avenida importante das metrópoles exibindo camisetas com frases de indignação e inconformismo com alguma situação pontual?
É salutar para o debate democrático o respeito incondicional às opiniões divergentes, quando se avança em uma seara movediça como essa. Porém, se faz necessário nesse momento esboçar algum posicionamento que permita estabelecer, mesmo que subjetivamente, o conceito de arte. A arte poderia ser considerada, grosso modo, como a explosão intimista dos sentimentos que acometem o artista, muitas vezes imperceptíveis ao primeiro contato, mas que carrega em seu bojo a intenção maior de expressão racional do ser humano. Até mesmo para os leigos no assunto, a verdadeira arte tem padrão estético, proposituras factíveis, objetivos definidos e resultados surpreendentemente positivos. Bem diferente daquelas baboseiras pornográficas e seus protagonistas deliberadamente libertinos.
______
(*)b José Luiz Boromelo, escritor e cronista em Marialva. Artigo originalmente publicado em O Diário

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Começou em jornal aos 14 anos, foi editor-chefe dos três jornais diários de Maringá. Pioneiro em blog político, repórter e apresentador de programa de televisão, apresentador de programa político nas rádios Jornal, Difusora e Banda 1, comentarista das rádios Metropolitana e Guairacá, editor de diversos jornais e revistas, como Umuarama Ilustrado, Correio da Cidade, Expresso Paraná, Maringá M9 e Página 9. Atualmente integra o cast da Jovem Pan Maringá.

4 pitacos em “Qual é o conceito de arte?

  1. Parabéns Boromelo, lindo seu texto. Não se pode achar que tudo é normal em nome da Arte ou da liberdade. Existem valores que devemos jamais abrir mão, um deles é a família. Seu texto é muito bom nos ajuda a pensar. Obrigada!

  2. O que é a arte? Qual papel da arte? Como definir o que é arte? O que eu não gosto, deixa de ser arte?

    Não levaria meus filhos, que possuem 12 e 15 anos, para um apresentação artística que envolva pessoas nuas. Não levaria meus filhos para uma amostra de pintura que retrata sexo, seja ele homossexual ou não. Mas, ainda que não os levo por considerar ambas de gosto estético duvidoso, não acho que isso retire delas o dístico de arte. Acho muita pretensão considerar aquilo que não gosto como sendo “oriundo de mentes doentias, depravadas e desconectadas com os interesses da sociedade”.

    A arte precisa ser livre.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Você pode usar estas HTML tags e atributos:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>