O Brasil é realmente
independente?

Independência

Visitando minha mãe, recentemente, uma irmã entregou-me uma redação que fiz no segundo ano do colegial, em 1970 e que tinha sido guardada por uma tia e da qual não me lembrava mais.

São 47 anos, e foi escrita na semana da pátria daquele ano, por um então jovem de 19 anos, que até os 17 anos e meio morou na zona rural, onde fez até o curso ginasial num apequena cidade do interior paulista, e veio para o Paraná, morar com avós e tios, para continuar estudos e trabalhar no cartório de Iguatemi, de um tio.
Vejam o texto, que reproduzo ipsis litteris. Obviamente que é um estilo juvenil, com erros, mas vale como curiosidade de como um quase garoto, em pleno regime militar, via a situação do Brasil. Desculpem, eis minha redação:

A 7 de setembro de 1822, fato que sempre foi festivamente comemorado, o Brasil ficava oficialmente desligado de Portugal.
A proclamação da independência deu a muitos, ou a quase todos os brasileiros, a falsa impressão de que o Brasil estava realmente livre e que não precisava mais de outros países para progredir.
Estava realmente independente, mas no sentido de que não seria mais explorado por Portugal e suas riquezas seriam exploradas por ele mesmo, seria enfim responsável por seus atos.
Nos primeiros anos teve realmente um progresso, sua independência estava sendo aproveitada. Mas com o passar dos anos, as riquezas naturais foram esgotando-se, os problemas financeiros aumentando, falta de um maior aprimoramento técnico e outros problemas mais que ele, Brasil, não podia resolver.
Surgiu então a grande potência que preponderava sobre quase todas as nações sul americanas, Estados Unidos. O Brasil encontrou nos Estados Unidos, um alívio para seus problemas. Veio a primeira ajuda, outras, outras, e sem perceber ele estava, se bem que indiretamente,ligado aos americanos.
Claro está que em troca eles queriam algo do Brasil: prioridade na compra dos nossos produtos,por preços compensadores, licença para instalar sua indústrias aqui e explorar as riquezas da Amazônia, uma das poucas que nos restam. Tudo isso foi conseguido, e hoje somos uma espécie de filial dos Estados Unidos.
Então a tão apregoada independência não existe totalmente. Houve praticamente uma troca de Portugal por Estados Unidos, se bem que o domínio dos americanos sobre nós não chega ser perfeitamente perceptível.
Enfim o domínio existe, e para nos libertarmos totalmente não é necessário um outro D. Pedro, mas sim a união de todos os brasileiros e governo, e cá entre nós, não querendo ser pessimista, será muito difícil. Nestas condições eu pergunto: O Brasil é realmente independente?
Akino Maringá, colaborador

Angelo Rigon


Um pitaco em “O Brasil é realmente
independente?

  1. 7 DE SETEMBRO – por trás do grito “independência ou morte” a história nos diz que ter coragem para tomar decisões é uma virtude de poucos.

    E tomar decisões corresponde a não agradar a todos…

    Bem, mas de quem era a voz que pronunciou essas palavras?

    Pedro de Alcântara… (o nome é extenso, paramos por aqui), veio ao Brasil aos 7 anos com sua família, depois que o exército de Napoleão invadiu Portugal.

    Cresceu vendo a família ter constantes conflitos, devido aos casos extracongulgais de seus pais.

    Mesmo vivendo longe de seus país de origem aprendeu latim, francês, ingles e alemão.

    Aos 23 anos seu pai e família retornam para Portugal em um clima de retomada do poder de Portugal em relação a sua colônia Brasil.

    Aos 24 anos não cedendo as pressões de Portugal, à beira do rio Ipiranga, proclama “independência ou morte”

    Na época os Estados da Bahia e Pará foram contra essa decisão.

    3 anos depois a independência foi reconhecida por Portugal e Inglaterra.

    Aos 33 anos retorna a Portugal para se tornar Dom Pedro IV e deixa seu filho de 6 anos com o trono do Império do Brasil.

    Aos 35 anos depois de participar vários conflitos em Portugal, acaba morrendo de tuberculose.

    195 anos depois, frente a atual conjuntura econômica brasileira, a frase “independência ou morte” ainda é válida, mas estamos aguardando representantes para entoarem esse discurso e agir de forma correta.

    Como diz Cortella: “Faça a coisa certa, pois é a única coisa a ser feita”

    O filme do Brasil de sucesso já foi escrito:

    “Gigante pela própria natureza És belo, és forte, impávido colosso. E o teu futuro espelha essa grandeza”

    Só está faltando os protagonistas…

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