Reitor consegue apoio de entidades para defender a UEM

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O reitor da UEM, Mauro Baesso, reuniu hoje pela manhã representantes da chamada sociedade civil organizada para pedir novamente apoio para a instituição, cuja gestão enfrenta problemas para fechar a folha de pagamento desde o ano passado.
Na atual gestão, os gastos com pessoal cresceram; os assessores diretos do reitor, por exemplo, passaram de 13 para 39.

Em 2014 a UEM gastava R$ 62.130,22 por mês, R$ 869.823,08 por ano, pagando cargos comissionados. A gestão atual elevou os gastos para R$ 223.424,66 mensais, R$ 2.258.12216 anuais – ou R$ 3.127.945,24 por ano, considerando-se férias e 13º salário.
A UEM divulgou no início da noite release informando que a criação de um comitê, a elaboração de uma carta aberta e a realização de uma audiência pública foram algumas das decisões tomadas na reunião.
O prefeito de Maringá, Ulisses Maia – que, ao contrário do reitor, reduziu o número de CCs ao assumir a prefeitura – foi o primeiro a declarar “apoio incondicional” à universidade. Como ex-aluno, Maia lembrou que conhece bem a realidade da UEM e disse que estará presente, inclusive como interlocutor, nas ações criadas com o objetivo de defendê-la. “A UEM é nossa e vamos defender esse patrimônio”, disse o prefeito. Segue, abaixo, texto divulgado pela instituição.

OBRAS PARADAS
O grupo foi convidado a visitar algumas das obras paralisadas no câmpus, entre elas os blocos das engenharias, cuja construção teve início em 2008, com o investimento de R$ 2 milhões. As obras foram paralisadas em 2011, ainda na primeira gestão do governador Beto Richa, sem o término da segunda fase. “Esses novos blocos consolidariam os cursos de Engenharia de produção, Mecânica, Elétrica e de Alimentos. Ao invés disso, hoje os alunos estão espalhados em diferentes salas pelo câmpus, algumas em condições precárias de uso”, explicou o reitor Mauro Baesso.
A Casa do Estudante foi outra das obras visitadas. Com o lançamento da pedra fundamental em 2009, o local foi planejado dentro de uma política de assistência estudantil para facilitar a permanência dos estudantes na universidade. Em especial os que vêm de fora e não têm condições de se manter na cidade.

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Essas obras fazem parte do conjunto de 36 construções inacabadas e que dependem de recursos para serem concluídas. “São obras importantes que garantem a infraestrutura necessária para atender o movimento de expansão da UEM”, diz Carlos Augusto Tamanini, prefeito do câmpus.
Antes da visita pelo câmpus, todos os convidados reuniram-se no Gabinete do reitor, que aproveitou o momento para apresentar o atual cenário em que as instituições estaduais de ensino superior se inserem. Falando a partir da realidade local, Baesso lembrou que cerca de 30% do quadro docente da UEM é composto por professores temporários, sem que isso represente uma justificativa econômica, considerando que os custos de um professor efetivo e de um temporário se equivalem.
Ainda segundo o reitor, há cursos funcionando sem nenhum docente efetivo, como é o caso da graduação em Engenharia Elétrica.

FUTURO COMPROMETIDO
A falta de repasse para as obras, a não reposição do quadro funcional e outras decisões tomadas pelos poderes executivo e legislativo do Estado podem ter sérias implicações no futuro das universidades públicas paranaenses, segundo Baesso. Este cenário compromete a excelência do ensino e causa prejuízos para toda a comunidade local, em especial para o jovem que sonha em ingressar em uma instituição pública de qualidade.
“O Estado pode privatizar nossas instituições sem precisar lançar mão de nenhum decreto. Basta não autorizar a contração de efetivos”, desabafa o reitor, justificando o pedido de apoio da sociedade local. Principalmente porque os canais de comunicação com o governo estão cada vez mais inacessíveis.
Destacando o papel da Universidade para o crescimento de Maringá e Região, o presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, Ilson da Silva Rezende, lamentou o sucateamento da instituição. “A UEM sempre foi referência e o enfraquecimento institucional coloca em risco a visão de futuro da nossa cidade”, disse Rezende, declarando o apoio do Codem em defesa da UEM.
Outra manifestação de apoio foi dada pelo presidente da Ordem dos Pastores Evangélicos de Maringá, Pastor Noel Cruz, que se comprometeu em levar adiante o movimento, fazendo com que a comunidade conheça a realidade da UEM.
D. Anuar Battisti, arcebispo da Arquidiocese de Maringá, disse que todos ali poderiam ser porta-vozes da crise da UEM, cada qual na sua área de atuação e influência. Para o arcebispo, cruzar os braços seria como “assinar um atestado de óbito antecipado”. “Precisamos chamar nossos representantes para um diálogo”, pontua D. Anuar.

CARTA ABERTA
Representando a Ordem dos Advogados do Brasil-Subseção de Maringá, Ana Cláudia Bandeira, garantiu que levará todas essas demandas para a OAB Paraná, uma vez que os problemas enfrentados são comuns a todas as instituições estaduais de ensino superior. Ana Cláudia também citou o alto índice de aprovação dos alunos de Direito da UEM nos exames da Ordem, justificando a qualidade do ensino.
Além disso, ela sugeriu a elaboração de uma carta aberta, assinada por todas as entidades presentes, como manifestação ampla de apoio à UEM. A sugestão foi elogiada pelo reitor e teve aprovação geral dos presentes.
Outra proposta bem recebida foi a feita pelo representante do Sindicato dos Comerciários de Maringá, Walter Fernandes, que sugeriu a criação de uma comissão, integrada por um representante de cada entidade. A ideia é que essa comissão apresente as demandas da UEM em uma audiência com o governo do Estado e com os parlamentares.

AUDIÊNCIA PÚBLICA
Os vereadores Carlos Mariucci e Sidney Teles representaram a Câmara Municipal de Maringá. Mariucci destacou que, no próximo dia 27, deve ser marcada uma audiência pública na Câmara, chamando todas as lideranças políticas da cidade e região, para discutir estratégias de defesa da UEM.
O presidente da Seção Sindical dos Docentes da UEM, Edmilson Silva, destaca que todas as manifestações de apoio fortalecem e alegram a comunidade universitária, pois são demonstrações de que a luta pelo ensino público de qualidade não é solitária.
Lembrando que a UEM foi criada a partir de um movimento da sociedade maringaense, Silva falou que a união em defesa da Universidade resgata um sentimento de pertencimento, de que a UEM é de todos. Para ele, as dificuldades impostas a todas as universidades atinge diretamente o interior do Estado, pois são recursos financeiros que deixam de ser investidos nas cidades.
O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino de Maringá, Nelson Garcia, também falou do papel de destaque da UEM e da importância da luta conjunta em benefício da Universidade.
Alunos de diferentes cursos ainda se manifestaram em defesa da UEM. O acadêmico Phil Natal, do curso de Comunicação e Multimeios, falou de várias conquistas obtidas a partir de movimentos organizados. Para ele, esse movimento está ajudando a construir o futuro da Universidade, que depende da união de forças.
Leonardo Fagundes, diretor do DCE, também declarou o apoio do Diretório Central dos Estudantes, em defesa da universidade pública e de qualidade.
O reitor, Mauro Baesso, e o vice-reitor, Julio Damasceno, agradeceram tantas manifestações de apoio. Para eles, apesar dos sérios problemas enfrentados, esse momento de união dá esperanças de futuro melhor para a UEM. “É para isso que estamos lutando”, diz Damasceno.
A reunião também contou com a presença do diretor da Associação Comercial e Industrial de Maringá, Mohamad Ali Awada, do presidente do Convention Visitors Bureau de Maringá, Dirceu Gambini, de representantes dos Sindicados da Construção Civil, do Vestuário e dos Metalúrgicos, entre outros.

Angelo Rigon

Jornalista em Maringá. Começou em jornal aos 14 anos, foi editor-chefe dos três jornais diários de Maringá. Pioneiro em blog político, repórter e apresentador de programa de televisão, apresentador de programa político nas rádios Jornal, Difusora e Banda 1, comentarista das rádios Metropolitana e Guairacá, editor de diversos jornais e revistas, como Umuarama Ilustrado, Correio da Cidade, Expresso Paraná, Maringá M9 e Página 9. Atualmente integra o cast da Jovem Pan Maringá.

25 pitacos em “Reitor consegue apoio de entidades para defender a UEM

  1. É Rigon, você que sempre escreve contra a UEM. Agora está na hora de colocar as barbinhas de molho. A UEM é uma instituição de respeito e merece todo o apoio das entidades locais.

    Repito: ou escreve contra a UEM ou dá espaço para os que tem dor de cotovelo.

    • Acho que ninguém é contra a UEM…mas sim contra as mazelas que existe dentro da academia.
      Iniciar obras sem planejamento. ..são 36 inacabadas…e depois ficar pedindo pinico pra sociedade ai é muito fácil. Dinheiro publico jogado no ralo por irresponsáveis que fazem a gestão….

  2. engraçado o Rigon falar dos ccs da uem, mas ja questionei varias vezes aqui no blog sobre os da prefeitura que tiveram um aumento significante em relação aos outros anos, mas ninguém fala nada.

  3. Estudei na UEM, mais este bando de gente idiota ir apoiar o atual reitor nessa situação de aumento de gastos desenfreados com pessoal, me desculpem mais isso não é defender a UEM e sim defender um modelo de gestão que conhecemos bem como foi feito no Brasil pelo governo do PT e que sabemos muito bem onde pode parar. Hipocrisia.

  4. Prof. Luiz Gonzaga diz:

    Independente das diferentes ideologias e necessidades de ajustes administrativos e um repensar sobre a necessidade de reavaliar o tipo e a necessidade de realização de pesquisas por demanda que possam gerar tecnologias e patentes em todos os níveis e qualidade de vida. Vale dizer que a SCO tem sim, a obrigação de ajudar a resgatar o respeito pelas Universidades Estaduais Paranaenses, da mesma forma que as Universidades precisam buscar formas de sustentabilidade e principalmente mais interação com a sociedade.

  5. Que tal as lideranças pedir também para diminuir o numero de assessores. Vamos investir realmente na instituição. Por que do jeito que vai ta parecendo certas prefeituras. Haja CCs.

  6. Comunidade acadêmica diz:

    Esse blog divulgou, que os conselhos haviam solicitado a lista de todos os CCS, dessa gestão? Será que a lista foi divulgada?

    A UEM, sendo pública a transparência, não é obrigatória?

    Como a população pode confiar, se não há transparência?

  7. A quantidade de obras inacabadas, é culpa de quem?
    Eles querem chamar atenção para as obras inacabadas, mas

    ….. POR QUE A UEM INICIOU TANTAS OBRAS, AO INVÉS DE INICIAR UMA TERMINAR, E COMEÇAR OUTRA?

    Qual é a situação das outras Universidades com relação as obras? estão na mesma situação, a UEL, Cascavel, Ponta Grossa, alguém sabe?

  8. Acredito que a população, que vive uma grande crise econômica está a favor de quem faz as coisa corretas, sem irregularidades, sem desperdiçar o dinheiro do povo, agora os
    CCs por si só já são um desperdício, seja na prefeitura ou na UEM, e qdo se extrapola, pior ainda.

    Não dá para acreditar nas gestões que administram dessa forma, a prefeitura do município mudou, mas a UEM…. piorou, pelos que se houve pela cidade e outros.

    Não vimos essa gestão da UEM terminar de construir uma sala, para as aulas didáticas, e tirar os alunos das piores situações de improviso, que se estendem por anos, e isso vem bem antes da tal falada casa dos estudantes, mas não mediu esforços para a pesquisa, que foi inaugurada, inovação tecnológica.

    Então, toda essa noticia na tv e divulgação das obras que estão e continuarão lá, para chamar a atenção parece estranho.

    • Pra quem quiser ver de perto, dê um pulinho lá no DFI, bloco H-57 e veja com os próprios olhos como a pesquisa anda bem, só pra eles é claro!

      Por ser uma instituição pública e transparente, peça para entrar no bloco citado acima e veja como vários equipamentos caros são armazenados. Vários deles estão no chão, juntando aranhas e escorpiões, tudo comprado com dinheiro público. Sem falar nas paredes do bloco, que estão rachando e descolando das colunas e do resto da estrutura. É uma prova explicita do descaso da atual gestão com a coisa pública!

  9. A UEM só sobrevive graças aos resultados científicos e administrativos, nos últimos 40 anos de muita luta e conquista, mesmo quando a politica de governo federal e estadual queriam desestabiliza-la para terceirizar. Nossa cidade é o que é graças a esta Instituição, sua folha de pagamento vem integralmente para o município não vai para bancos da Suíça e paraísos fiscais. Sabemos que o FIES financiou e fez com que algumas Universidades/Faculdades crescessem assustadoramente enquanto a UEM fazia gestão com verbas que “pingava”, foi saqueada nesses últimos 40 anos em seu espaço territorial de quase 80 alqueires para menos de 40 alqueires e ainda com posseiros a mando de grupos forte que se instalaram em nossa cidade. Sempre defendi e vou morres defendendo SAÚDE, EDUCAÇÃO E SEGURANÇA para todos, sem atravessadores e sem terceirização.

    • Eu me lembro quando o Prefeito era Silvio Magalhães Barros (pai) e o Reitor na época conseguiu a área hoje onde está a UEM, naquela época a coisa era muito difícil e o Reitor foi pedir apoio do Prefeito, sabe o que ele disse? “Vende a área que você conseguiu e pega o dinheiro e resolva seus problemas” hoje os filhos desse prefeito se formaram na UEM, a mesma UEM foi quem alavanco sempre a economia do município………vergonha daqueles que sugam a instituição.

  10. o reitor não faz a parte dele. não tem o apoio nem dos funcionários.
    obras paradas = ego de professores. professor é bom na sala de aula.
    90 assessores = 90 professores fora da sala de aula = precisa contratar.

  11. cada dia na vida nos nos deparamos com decepções…. Dom ANuar defender uima causa onde TODOS sabem que é má gestão. corrupção, desvio de verbas… `e pra acaba com tudo.. Nem um dos ´presentes questionou o MEU imposto municipal, estadual e federal que esta desviado…. vai la em cascavel na estadual de Lá.. o reitor so inicia outra obra apos terminar a que esta em andamento…. aqui sao 36….. tenham vergonha na cara em apoiar um gestor e gestores sem moral…. desculpe descepçao.

  12. população cansada de impostos diz:

    Concordo com prof da Zuem, pois, quem defende os cidadãos nos inúmeros impostos que pagamos e para onde vão?
    para as pesquisas citadas, onde ?
    Essas geram mais privilégios para poucos, do que o retorno esperado a população.
    Por isso perguntamos, onde estão o resultado dessas pesquisas e qto se gasta com equipamentos, bolsas de profs, viagens, e outros e qual o retorno para quem paga tantos impostos?
    Onde isso é divulgado?
    Então, não podemos saber da importância, de nada.

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