Fiocruz: Temer volta atrás

De Ilimar Franco:

Depois de dois dias de intensa negociação, o presidente Michel Temer decidiu voltar atrás e nomear Nísia Trindade para a presidência da Fiocruz. As conversas envolveram o presidente, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Ricardo Barros (Saúde), Moreira Franco e o coordenador da bancada do Rio na Câmara, Hugo Leal (PSB).

– Ficou bem para a Fiocruz. Encontramos uma boa solução. A primeira colocada será nomeada, mas com o compromisso de participação da segunda na gestão – disse Temer.
O presidente relata que as duas conversaram separadamente, pela manhã, com os ministros Eliseu Padilha, Ricardo Barros e Moreira Franco. Quando ficou tudo acertado, Temer pediu que elas fossem ao Palácio para tirar uma foto. E brincou sobre os posts e fotos pedindo Fora Temer ou o criticando por ter aplicado mais um golpe.
– Dizem que as duas são fora Temer, mas esse governo não leva em conta essas coisas – afirmou Temer.
Nísia foi a mais votada em eleições entre os funcionários da fundação. Elas ocorreram no final de novembro e Nísia Trindade recebeu 2.556 votos em primeira opção (59,7 %) e 534 votos em segunda opção.
Nísia ingressou na Fiocruz em 1987 e é vice-presidente de Ensino e Comunicação. Exerceu funções de coordenação, dirigiu a Editora da Fiocruz e foi vice do Instituto Oswaldo Cruz.
A solução foi uma derrota política do ministro Ricardo Barros e do deputado Hugo Leal, pois ambos defendiam a nomeação de Tania. Estes haviam convencido o presidente a nomear a segunda colocada, Tania, que recebeu 1.695 votos em primeira opção (39,6 %) e 656 votos em segunda opção. Ela é pesquisadora da Fiocruz desde 1983, foi chefe de laboratórios e de departamentos (1991-2005) e integrou a direção do Instituto Oswaldo Cruz (2005-13).
A reação do presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, pesou. Ele ligou da da Europa para a Restinga de Marambaia, onde Temer passava o final do ano. A posição assumida por acadêmicos, cientistas, intelectuais e parlamentares de esquerda também contribuiu para que o governo repensasse a solução que fora adotada.
A Fundação Oswaldo Cruz teve sua origem em 25 de maio de 1900, com a criação do Instituto Soroterápico Federal, na fazenda de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro. Ele foi criado para fabricar soros e vacinas contra a peste bubônica.
E depois, sob o comando de Oswaldo Cruz (médico bacteriologista), o Instituto foi responsável pela reforma sanitária que erradicou a epidemia de peste bubônica e a febre amarela da cidade do Rio.
Tania é pesquisadora da Fiocruz desde 1983, foi chefe de laboratórios e de departamentos (1991-2005) e integrou a direção do Instituto Oswaldo Cruz (2005-13).
PS – Lauro Jardim também comentou sobre a derrota política de Ricardo Barros.

Angelo Rigon


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