Padre Ângelo Banki celebra 40 anos em Paiçandu

Padre Banki

No próximo sábado, 2, às 19h, na Igreja Matriz de Santo Cura d´Ars, em Paiçandu, será celebrada missa de ação de graças pelos 40 anos do padre Ângelo Banki. São 55 anos de sacerdócio, 87 anos de vida. “Minha maior alegria é celebrar a santa missa”, diz ele. Confira material especial sobre a vida do religioso, um dos personagens mais conhecidos e respeitados da região de Maringá.

A Vocação – Nascido em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), cônego Ângelo Banki é o sétimo de dez irmãos. Seus pais, Júlio e Sofia Banki, deixaram Hiroshima e desembarcaram no Brasil em 1914, seis anos após os primeiros imigrantes nipônicos chegarem ao país. A situação era crítica, tanto que a família chegou a passar fome; mas o sonho dos imigrantes era ganhar dinheiro rápido e voltar para sua terra. Logo a família se converteu ao catolicismo. Aos 10 anos, quando o pai lhe perguntou se não queria ser padre, o menino Ângelo não teve dúvidas: ingressou no Seminário São Francisco Xavier, no Ipiranga, em São Paulo. Na adolescência estudou no Rio de Janeiro e mais tarde ganhou uma bolsa de estudos dos padres jesuítas para cursar Teologia no Japão. Ordenado em 18 de março de 1959, na Catedral São Francisco Xavier em Tóquio, no Japão, padre Ângelo chegou à Arquidiocese de Maringá em 1974. Nesse período os pais já haviam deixado São Paulo e vindo plantar café em Maringá, como muitos dos imigrantes japoneses que estavam no Brasil.
A chegada e a vivência em Paiçandu – A cidade ainda estava em processo de desenvolvimento, e segundo padre Ângelo, havia muito mato. O ano era 1974, precisamente 27 de janeiro. Havia muito trabalho a fazer, pois ele seria responsável por fundar a comunidade católica de Paiçandu. Junto com a cidade o sacerdote foi criando raízes: presenciou momentos importantes, viu muita coisa acontecer, como a criação de paróquias, capelas, e escolas. Atuou durante anos como professor de Inglês, Geografia e História. Bastava algum aluno gritar “Corinthians”, que o padre/professor caia na gargalhada e respondia: “Banzai, Banzai”, que quer dizer ‘Viva” em japonês. Todas as pessoas a quem se pergunte sobre padre Ângelo emitem a mesma opinião: “É um homem de fé” – exemplo de humildade, dedicação à Igreja, de muita sabedoria. Consolidou a Igreja Católica em Paiçandu, não esconde de ninguém o amor que tem pela cidade e pelo Brasil. Criou o jargão que diz: “Paiçandu cidade do futuro, recanto de paz”. Em conversas com moradores antigos, a maioria se recorda de que o sacerdote sempre visitou muito as casas/famílias. Ele não se importava muito se a família era católica, queria mesmo abençoar, e assim, 40 anos depois é respeitado por todos, independentemente do credo religioso. A quem encontra dá a bênção e todos a recebem com muito carinho. O sorriso que esconde seus “olhinhos” é marca registrada e o distribui também a todos. Por quase toda a vida levantava-se às 4h30 para fazer caminhada. Passou por alguns momentos difíceis com o mal de Alzheimer que o acometeu e, como consequência, gerou um diabetes bem acentuado,; porém os cuidados com a alimentação e a medicação adequada não o isentaram de ter qualidade de vida. Chegou a celebrar até sete missas ao dia, nunca se ouviu falar de alguma reclamação por conta disso ou daquilo. Hoje, ainda celebra na capela anexa à Paróquia Santo Cura d’Ars, às 6h, de segunda a sexta-feira e, nos finais de semana concelebra com padre Pedro Jorge, atual pároco, ou padre Alécio Carini, vigário paroquial. Depois de anos dedicados ao sacerdócio, Padre Angelo confessa: “Peço a Deus e à Virgem Maria que sempre perdoem minhas infidelidades e a pouca correspondência ao chamado divino, mas sempre procurei ser melhor”. Sinônimo de fé e amor incondicional, o que se vê na pessoa do Cônego Ângelo é uma trajetória de muita luta, conquistas e respeito pelo sacerdócio, pelo Reino de Deus, pela comunidade da cidade de Paiçandu. Missão cumprida – Banzai!!!
As crianças e a Eucaristia – Nenhuma criança que passou pelo padre Ângelo nunca deixou de receber balas. Seus bolsos sempre estão cheios e ele faz questão de abordar e entregar essas balas às crianças. Quando questionado sobre isso, o padre diz que se a Igreja gosta do padre poderá ficar mais perto de Jesus, ou seja, se aproximará também da Igreja. Essa predileção pelas crianças nunca foi escondida, pois cada vez que vê um pequenino, carinhosamente o trata de “anjinho sem asas”. Devoto da “Virgem Santíssima”, não é muito difícil vê-lo rezando o rosário – basta passar pelo portão de sua residência, que o cônego está lá, sentando em sua cadeira de descanso pedindo a intercessão de Maria. A sabedoria que brota em seu coração é perceptível. Quando fala da Eucaristia parece sair de si: “A missa é a presença de Jesus diante dos olhos de nossa fé. Minha grande e maior alegria é celebrar a missa”. Embora sua vida também tenha sido marcada por momentos de dificuldades, como o mal de Alzheimer e o consequente diabetes elevado, em nenhum momento ouviu-se qualquer reclamação e nunca deixou de celebrar a santa missa.
Padre Ângelo e o amigo fiel ‘Tiziu’ – Quem, em Paiçandu, não conhece o amigo fiel de Pe. Ângelo? A amizade com o vira-lata ‘Tiziu’ teve início quando o cachorrinho desamparado foi se abrigar no portão da casa do padre. Com todo o carinho, monsenhor Ângelo acolheu o animal e desde então vivem uma linda e leal amizade. Nunca se separam. Quando o padre vai à padaria, lá está o ‘Tiziu’ junto com ele; se for ao mercado, nem precisa convidar o ‘Tiziu’, ele vai assim mesmo; mas o que quase todos admiram é que nas celebrações das missas, lá está o ‘Tiziu’: acompanha o padre na procissão de entrada e permanece ao seu lado no altar durante toda a celebração. Padre Ângelo diz: “Acho que o Tiziu é mais devoto que muitos fiéis, pois ele não falta em nenhuma missa”. Essa amizade ficou conhecida em rede nacional.

CURIOSIDADES
Cônego Ângelo foi o primeiro sacerdote a celebrar uma missa no topo do Monte Fuji, o mais alto do Japão, com 3,7 mil metros, em 1954. Na ocasião, deixou por lá uma imagem de bronze da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Aos 72 anos resolveu que, caso viesse a falecer por aqueles dias ou nos próximos anos, não precisaria dar trabalho a ninguém. Para isso reservou o caixão e o túmulo e o epitáfio. Para a alegria dos paroquianos, com 86 anos, o padre está vivo, feliz e sorridente. O túmulo foi doado a um paroquiano pobre que faleceu há tempos. Agora sua reserva se encontra no distrito de Água Boa, num mausoléu da família Banki. O padre gostava de se comunicar bem, então levantou uma torre e instalou um alto-falante para dar recados ao povo. Entre os recados estavam as notas de falecimento. Um dia chegaram com o nome de um homem e disseram para fazer o anúncio do falecimento. Imediatamente o padre ligou o microfone e, como de costume, comunicou a morte para o povo. Passados alguns minutos voltaram a avisar que o homem não havia morrido. Então aconteceu a famosa “Nota de Desfalecimento”, onde teve que ser reanunciado que o homem estava vivo. (Com informações da Revista Maringá Missão e da jornalista Fabiana Ferreira)

Angelo Rigon


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