Uma árvore de trinta andares

O genial Adriano Celentano, ainda nos anos 70 já pressentia o futuro das grandes cidades e compôs esta obra prima. Bem atual a nós maringaenses:
Pela tua mania
de viver
numa cidade,
olha bem como
nos reduziu
a metrópole.
Belos como nós,
bem poucos, sabes,
haviam
e diziam:
“Aqueles vêm
do campo”.
Mas riam,
torciam-se de riso,
já sabiam
que bem cedo
tornaríamos também nós,
como eles.
Todos cinzentos,
como aranha-céus com a cara de cera,
com a cara de cera.
É a lei desta atmosfera
da qual não podes fugir
até quando tu vives na cidade.
Nua sobre a planta,
tomavas o sol comigo
e cantavam para nós,
sobre os galhos,
as cotovias.
Agora aqui,
na cidade,
os motores
dos carros
já nos cantam
a marcha fúnebre.
E as fábricas
nos perfumam
também o ar,
pintando
o céu de preto
que cheira à morte.
Mas a Prefeitura
diz que porem, a cidade é moderna.
Não deves reparar
se o cimento te fecha também o nariz,
a neurose é de moda,
quem não a tem, repudiado será.
Ai, eu não respiro mais,
me sinto
sufocar um pouco,
sinto o ar
que desce,
desce e não volta.
Vejo somente que
algo está
nascendo.
Talvez é uma árvore,
sim, é uma árvore
de trinta andares!
La la la la la la la la la…

Angelo Rigon


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