Homenagem a Horácio Raccanello

Há 12 anos morria um grande maringaense.

Confira o texto-homenagem de Mário Henrique Alberto:

Completa-se neste dia 3 de fevereiro 12 anos da morte de Horácio Raccanello Filho. Recém-formado pela Universidade de Direito do Largo do São Francisco, em 1966 o professor Horácio Raccanello Filho escolhe Maringá para estabelecer residência e desenvolver a advocacia. Intransigente defensor das liberdades individuais, foi aguerrido contestador do regime ditatorial da época, atuando como advogado de presos políticos e candidatando-se a cargos públicos eletivos quando grassavam pelo país todas as formas de abusos, torturas e mortes de quem não concordava com o regime.
Foi o candidato a prefeito mais votado nas eleições de 1976, não sendo declarado o eleito por conta do sistema de proporcionalidade que vigia à época, o qual considerava todos os votos da legenda e não só os do candidato.
Ainda que muitas vezes injustiçado na vida política, Horácio Raccanello Filho nunca deixou de acreditar na democracia como o único regime capaz de proporcionar à sociedade as mudanças de que ela necessita. Infelizmente não tivemos maturidade suficiente para elegê-lo parlamentar constituinte, o que acabou por sonegar ao Brasil um dos maiores constitucionalistas de sua época.
Como professor do curso de Direito da UEM, Horácio Raccanello Filho resgatava a cada aula a importância de se conciliar os conhecimentos jurídicos a um incessante aprimoramento da formação ética e humana.
Nunca é demais lembrar que, já secretário de Justiça do Estado do Paraná de 1982 a 1986, fazia suas viagens Maringá-Curitiba-Maringá a bordo de seu fusca 1969, cujo assoalho, um pouco gasto, proporcionava aos passageiros contemplarem as faixas de sinalização asfáltica que se passavam rapidamente abaixo de seus pés. O irmão José B. H. Raccanello conta ainda que não se cansava de ter que ir buscá-lo quando, já próximo à Maringá, era deixado na mão (i.e., na estrada) pelo seu quase sempre incansável possante, que bem poderia ser comparado ao Rocinante, o bravo cavalo de Dom Quixote de La Mancha.
Talvez não por coincidência, é do Grande Fidalgo de La Mancha o pensamento que exprime muito do que foi Horácio Raccanello Filho. Diz que ‘…aos cavaleiros andantes não pertence averiguar se os afligidos, acorrentados e opressos que se encontram pelas estradas vão daquela maneira por suas culpas, ou por serem desgraçados; só lhes toca ajudá-los como necessitados que são, considerando-lhes as penas, e não as tratantadas”.

Angelo Rigon


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