Entenda de uma vez por todas o que é Bitcoin, a moeda virtual que já valeu mais que ouro

Se você costuma navegar na internet, é muito provável que você já tenha se deparada com o termo Bitcoin. Mas afinal, o que isso significa? Seria mais uma gíria ou algo relevante que você deveria conhecer bem? Se eu pudesse apostar, eu diria que a segunda alternativa é mais provável.

O Bitcoin nada mais é do que uma moeda digital. Da mesma forma que o dinheiro comum, como o real ou o dólar, é possível usar o Bitcoin por pagar por serviços ou até mesmo produtos através da internet. Contudo, por conta de algumas características bem peculiares, essa moeda digital já chegou a valer mais do que o ouro e ainda teve algumas associações com o crime.

Se você sempre sentiu curiosidade para saber o que significa o Bitcoin, mas nunca teve curiosidade para perguntar, chegou a sua hora. Agora se você nunca ouviu esse termo e ficou interessado, não precisa se preocupar. Este artigo tem o propósito de ser o texto definitivo sobre o assunto. Vamos cobrir todos os aspectos importantes e detalhes associados a misteriosa e polêmica moeda virtual Bitcoin.

Afinal, o que é o Bitcoin?

Ao contrário do que muitos podem imaginar, o Bitcoin não assume uma forma física em suas negociações. Podemos defini-lo como um sistema peer-to-peer (ponto-a-ponto) que realiza transações monetárias de valores que foram “minerados”. Sim, esse é o termo usado para a criação dessa moeda virtual.

Podemos dizer, portanto, que o Bitcoin pode ser “criado” pelas máquinas através de complexos sistemas de mineração. Mas uma das características mais importantes dessa moeda virtual é o seu aspecto anônimo. Todas as transações são criptografadas e acontecem em um ambiente chamado blockchain.

Funcionando de forma descentralizada, o blockchain é uma complexa rede de máquinas públicas composta por outras máquinas que se dispõem a verificar cada transação realizada. Se um número significativo de computadores e sistemas verificar uma transferência ou pagamento como verdadeiro, é provável que a transação seja aprovada.

Em 2016, um livro definitivo sobre o assunto foi publicado. Intitulado “Digital Gold: Bitcoin and the Inside Story of the Misfits and Millionaires Trying to Reinvent Money” (sem tradução para o português), de Nathaniel Popper, a obra conta um pouco da história do Bitcoin e como essa moeda virtual veio para reinventar o conceito que temos do dinheiro. A publicação foi considerada o livro do ano pelo jornal Financial Times e a escolha do editor pelo The New York Times.

Origem do Bitcoin

De acordo com as informações mais confiáveis, o Bitcoin foi criado por Satoshi Nakamoto em 31 de outubro de 2008. A ideia era que o sistema fosse usado como um sistema de transferência eletrônica de dinheiro ponto-a-ponto (peer-to-peer). Em 2009, Nakamoto liberou o código fonte do Bitcoin para que qualquer pessoa fosse capaz de minerá-lo.

Mas afinal, que é Satoshi Nakamoto? O fato é que ninguém realmente sabe se essa pessoa realmente existe ou se ainda existiu. Algumas pessoas possuem provas de que conhecem esse programador japonês, mas até hoje ninguém se pronunciou. Algumas teorias apontam para o fato de que esse nome é apenas uma fachada para esconder outra identidade.

Em janeiro de 2009, a primeira rede de Bitcoin foi criada pelo próprio Nakamoto com base no código fonte aberto liberado. Em seguida, o primeiro bloco da moeda virtual foi minerado (chamado de genesis block, liberando os primeiros Bitcoins para a existência, o que lhe rendeu um total de 50 unidades da moeda.

Um dos primeiros apoiadores dessa moeda virtual foi Hal Finney. O também programador fez o download do software de Bitcoin no mesmo dia em que ele foi liberado e recebeu a primeira transação da moeda virtual realizada no mundo. Para testar o sistema, Nakamoto transferiu a quantia de 10 Bitcoins para o seu apoiador, que passou a fazer parte da rede blockchain e ajudar na verificação de todas as transações.

Porém, apesar de todas essas suspeitas, o criado do Bitcoin pode não ser Satoshi Nakamoto. Na verdade, de acordo com uma reportagem da Wired, Craig Steven Wright, é o verdadeiro criador dessa moeda virtual. Na matéria, ele apresenta uma série de razões que comprovariam esse fato. E os argumentos são realmente convincentes:

  • Em 2008, em um postagem em seu blog, Wright fala sobre a intenção de disponibilizar uma moeda virtual por meio de uma lista de e-mail meses antes do fato realmente acontecer. O documento apresentado pela figura excêntrica data de 2005, mostrando que ele estaria pensando nessa ideia há anos.
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  • Outras duas postagens no site mostram um pedido de inclusão e mensagens enviadas por meio do pseudônimo de Satochi, o que compra que ele também usava esse disfarce para realizar algumas conversas e troca de e-mails.
  • Por fim, uma mensagem arquiva descreve: “A versão Beta do Bitcoin vai ser disponibilizada amanhã. Esse é um sistema descentralizado, vamos tentar até concseguir”. Essa postagem teria sido compartilhada no dia 10 de janeiro, um dia antes do lançamento oficial do Bitcoin em todo o mundo.

Porém, ainda resta a dúvida: quem é o verdadeiro criador do Bitcoin? Até hoje ainda não descobrimos a verdade. Será que o verdadeiro Satoshi Nakamoto vai se revelar? Ou ele é realmente um pseudônimo criado por Craig Steven Wright?

Quem controla o Bitcoin?

Como já foi explicado, o Bitcoin foi criado para ser um sistema monetário totalmente descentralizado. Isso significa que não existe um órgão responsável por definir o seu valor ou até mesmo controlar a sua emissão. Tudo é controlado pela rede peer-to-peer (ponto-a-ponto) blockchain. Ela é a responsável por gerenciar as transações e confirmar a geração de novos Bitcoins.

Mas e quem é o responsável por controlar essa rede? Como você deve ter imaginado, ninguém. Ela é totalmente auto gerenciável, contando com a ajuda de todos os participantes do sistema para manter o seu funcionamento e validar cada operação, seja uma transação ou a mineração de novos Bitcoins.

No final das contas, o que qualifica uma máquina como pertencente da rede blockchain é a presença do software minerador. Qualquer um pode baixar e começar a utilizar essa máquina no intuito de criar e por tabela fiscalizar e confirmar transações e criação de Bitcoins (tarefas que são realizadas automaticamente). Porém, como eu ainda explicarei a seguir, isso não necessariamente é uma boa ideia para todos.

Outra característica que fortalece bastante a força do Bitcoin é o fato de que seu funcionamento está disponível através de uma licença de código aberto. Isso significa que qualquer pessoa poderia criar a sua própria versão modificada da moeda virtual. Entretanto, o que valida a existência (e o valor) do Bitcoin é a confirmação de outros nós do blockchain. É isso que torna essa moeda confiável e descentralizada.

Como funciona a mineração?

O processo de mineração é muito mais simples do que pode parecer. Na verdade, tudo se resume a gastar poder computacional para “gerar” blocos de Bitcoin que vão resultar em unidades da moeda virtual. O chamado “poder computacional” nada mais do que fazer o hardware trabalhar de forma exaustiva, realizado cálculos e mais cálculos, para resultar nos blocos de Bitcoin.

Porém, outro aspecto importante da rede blockchain é a validação ou confirmação. Se a sua rede de mineração estiver integrada a essa outra grande rede (e precisa estar para que tudo funcione), tudo o que você fizer será confirmado (ou não) por outros nós. Também é assim que todo o ecossistema se protege de pessoas mal-intencionadas que querem burlar os procedimentos e criar redes fantasmas de Bitcoins.

Portando, podemos dizer que a mineração de Bitcoins funciona da seguinte forma: o software, rodando em um hardware especializado, “escuta” as transações que são transmitidas por meio dessa rede P2P (peer-to-peer). Em seguida, executa tarefas apropriadas para confirmar essas transações. Esse trabalho é recompensado com comissões pagas na moeda virtual para o processamento mais rápido. Também é concedido uma quantidade de Bitcoins recém-criados e emitidos com base em uma fórmula fixa (e desconhecida por todos).

E a validação, como ela funciona? Para que cada transação ou criação de Bitcoin seja confirmada, ela precisa ser incluída em um bloco que estará acompanhada da prova matemática de trabalho. Esse é o fator que separa uma pessoa qualquer com uma máquina simples daquele que possui um hardware especializado para a mineração da moeda virtual.

O problema de consumo de energia

Essa prova matemática é muito difícil de ser criada e exige um processamento gigantesco. Bilhões e mais bilhões de cálculos são exigidos para se chegar o resultado, motivo pelo qual apenas máquinas muitíssimo poderosas são capazes de realizar isso com folga. Todo esse processo exige que os mineradores façam esses cálculos para que os seus blocos posam ser aceitos pela rede e sejam recompensados pelo trabalho.

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A prova matemática de trabalho criado por esses supercomputadores é projetada para depender de informações presentes no bloco anterior. Essa obrigação acontecer para manter uma ordem cronológica de todo o processo, o que também faz com que seja extremamente difícil reverter operações anteriores ou enganar o sistema. Isso exigiria um poder de processamento muitíssimo alto para criar os blocos de Bitcoin subsequentes.

Quando acontece de dois blocos serem encontrados ao mesmo tempo, o que acontece a todo momento, a rede de mineração trabalha sobre o primeiro bloco que recebem e passam para a cadeia mais longa assim que o próximo bloco é encontrado. Esse simples fato faz com que todo o processo de mineração seja um consenso global e totalmente baseado no poder de processamento das máquinas.

Muito embora qualquer um posso modificar o código fonte do programa do Bitcoin e implementar uma versão alterada, ele dificilmente conseguirá bons resultados. A conexão com a blockchain e a validação dos nós impede que qualquer transação ou criação de Bitcoin que não respeite as regras do protocolo sejam totalmente descartadas. Se a confirmação da rede P2P, tudo o que a máquina faz é desconsiderado, mesmo que um grande poder de processamento seja gasto.

O problema de consumo de energia é o fato de que, por vezes, é normal a máquina gastar mais energia elétrica do que é capaz de produzir em Bitcoins. É por isso que existem máquinas especializadas para realizar essa tarefa, com baixíssimo consumo de energia e alto poder de processamento. Além disso, há as chamadas “fazendas de mineração”, grandes quantidades de máquinas usadas exatamente para o fim de minerar Bitcoins.

Como funcionam as transações?

Por mais incrível que pareça, realizar uma transação de Bitcoin é relativamente simples. É lógico que a sua validade, como bem explicado acima, precisa ser confirmada pela rede blockchain. Mas depois de validada, todo o processo acontece naturalmente.

Toda a operação é realizada a partir de um aplicativo de carteira chamado Bitcoin Wallet. Esse software pode ser usado tanto no computador como em smartphones. Para realizar uma transação, basta apenas digitar a conta de destino, o valor de pagamento e clicar para enviar. Alguns programas de carteira ainda permite a digitalização de código QR ou transações via NFC.

Vale ressaltar que todas as transações com Bitcoins ficam armazenadas na cadeia de blocos de maneira totalmente pública. Porém, isso não significa que podemos identificar as duas pontas de uma transação. Os donos da carteira são completamente anônimos, o que garante a segurança das operações dentro dessa grande rede. Por mais que seja possível saber de onde a operação veio e para onde ela está indo, é impossível saber que a executou e quem a está recebendo.

Se por um acaso um usuário perder o acesso a sua carteira, os Bitcoins contidos nela se perderão para sempre também. Mesmo que a moeda virtual continue existindo na cadeia de blocos, não é possível descobrir a chave privada que permite que essas moedas possam ser utilizadas novamente. Portanto se você tiver uma carteira de Bitcoin, cuide dela com carinho.

Associação ao crime

O anonimato é o principal responsável por associarmos o Bitcoins a atividades ilegais. O fato de você não poder conhecer o dono de cada carteira é o que permite que a moeda virtual seja usada para adquirir produtos ilegais. Isso acontece especialmente na Deep Web, lugar onde o anonimato também impera. Por lá, diversos serviços e produtos podem ser adquiridos por Bitcoins.

Entre eles, podemos mencionar drogas, órgãos roubados, armas, materiais nucleares e serviços como assassinato, sequestro e até mesmo ataques terroristas. Porém, vale ressaltar que o Bitcoin não é necessariamente algo ruim. Na verdade, é o seu uso que é feito de maneira inadequada, sendo utilizado para cometer crimes e comprar produtos e serviços proibidos.

A polêmica existe exatamente no anonimato, o que também é o mecanismo que permite que o sistema funcione adequadamente. Se cada um dos nós pudesse ser facilmente identificado, as transações poderiam ser validadas por interesse, diminuindo a confiabilidade da gigantesca rede de Bitcoins. Portanto, não caia na falácia de que essa moeda virtual é algo ruim. São as atitudes do ser humano que corrompem a reputação do Bitcoin.

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Como comprar Bitcoins?

É simples: existem diversas empresas especializadas na compra e venda de Bitcoins para pessoas comuns, como eu e você. Essas companhias, chamadas de corretoras, atuam inclusive aqui no Brasil. Da mesma forma que outras moedas, como o euro e o dólar, é preciso trocar uma quantia de dinheiro para conseguir o Bitcoin.

Porém, um aviso para os que estão pensando em entrar nesse mercado e começar a especular. A volatilidade da moeda é muito grande e todos os dias existem saltos e quedas grandes o suficiente para deixar até mesmo os mais experientes trades preocupados com o futuro da moeda. E, assim como qualquer moeda ou ação de uma empresa, o valor de mercado do Bitcoin é determinado pela oferta e pela demanda.

O maior valor do Bitcoin aconteceu em fevereiro de 2017. Na madrugada do dia 24, uma unidade dessa moeda virtual chegou a valer US$ 1.206,60, o equivalente a R$ 3.753 na cotação atual da época. Com essa alta expressiva, o valor de mercado de todos os Bitcoins emitidos até o momento chegou a cada dos US$ 20 bilhões, uma quantia bem maior do que a economia de alguns países e cidades grandes.

Falando nelas, eis uma lista atualizada das cidades e seus respetivos países mais interessados na mineração de Bitcoins:

  1. Lagos (Nigéria)
  2. São Francisco (Estados Unidos)
  3. Amsterdã (Alemanha)
  4. Nova York (Estados Unidos)
  5. Toronto (Canadá)
  6. Cingapura
  7. Los Angeles (Estados Unidos)
  8. Viena (Itália)
  9. Melbourne (Austrália)
  10. Sydney (Austrália)

No Brasil, também há um ranking bem interessante. Ele mostra quais são os estados que buscaram mais informações sobre o Bitcoin até o momento. Você vai ficar surpreso por saber qual é o estado que encabeça o topo do ranking:

  1. Acre
  2. Distrito Federal
  3. Amapá
  4. Mato Grosso do Sul
  5. Roraima
  6. Rio Grande do Norte
  7. Mato Grosso
  8. Rondônia
  9. Santa Catarina
  10. São Paulo

Vale ressaltar que ainda há outras critomoedas em circulação. Todas elas surgiram por conta da demanda criada pelo Bitcoin e recentemente a moeda virtual mais famosa e usada ficou abaixo de 50% frente as concorrentes. Para um nome que estava dominando, trata-se de uma grande perda. Confira o nome de algumas outras moedas virtuais:

O Bitcoin é seguro?

Por mais que a fama do Bitcoin não seja das melhores, é possível afirmar que há muita segurança nas transações com essa moeda virtual. Até mesmo grandes redes do varejo aceitam pagamentos através desse método. Isso significa que até mesmo os grandes players estão interessados em montar um portfólio de Bitcoin, o que favorece o crescimento dessa moeda.

Entre elas, podemos mencionar empresas como:

Entretanto, é necessário fazer uma ressalva muito importante. Trata-se de um caso que aconteceu em 2014 e assustou muita gente que estava pensando em apostar no Bitcoin. A MtGox, conhecida então como a maior casa de câmbio de Bitcoins do mundo, simplesmente desapareceu do mercado levando consigo todo o dinheiro investido por seus clientes.

No total, foram 127 mil pessoas prejudicadas por conta da abertura da falência da empresa. O rombo estimado foi de US$ 500 milhões, o que ultrapassa a cifra de R$ 1,5 bilhão. A MtGox, uma empresa registrada no Japão, recorreu ao processo de liquidação de empresa em 24 de abril de 2014. Essa é uma prova do perigo de se apostar em uma moeda virtual que ainda é muito nova. É difícil dizer que isso com certeza vai acontecer novamente, mas é um risco bastante provável.

Como já foi dito, a rede de Bitcoin não possui uma central de controle e nem uma autoridade para fiscalização. Isso significa que, embora não tenha o rastreio, toda a validação é realizada por uma gigantesca rede de computadores que não irá falhar. Portanto, se você está pensando em apostar nesse negócio, saiba que ele pode ser bastante lucrativo e é confiável na medida do possível.

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