Megaestruturas captoras de energia estelar. Ficção ou realidade?

Por: - 23/06/2016

Depois de postar sobre a megaestrutura alienígena, o nosso leitor Paulo Cesar sugeriu nos comentários que nós falássemos sobre o Cérebro de Matriosca.

Eu dei uma pesquisada sobre o assunto e vi que tem muito a ver com o post, e o mais incrível é que o conceito surgiu pela primeira vez numa das mais importantes revistas científicas do mundo, a americana Science, há 50 anos. Seu principal mentor, o físico e matemático britânico Freeman Dyson, empresta seu nome ao conceito, que é conhecido como “esfera Dyson”.

De acordo com este conceito inicial, a ideia seria encerrar o Sol dentro de um globo de painéis solares virados para o interior, permitindo-nos roubar cada fagulha de sua gigantesca energia. De acordo com a revista “Popular Mechanics”, uma esfera como esta seria altamente instável e propensa a entrar em colapso.

Megaestruturas captoras de energia estelar. Ficção ou realidade?

Primeiro Conceito: Esfera Dyson

Na publicação original, feita nas páginas da Science, Dyson partiu de um raciocínio simples: ao longo da história, a humanidade tem aumentado exponencialmente seu consumo de energia, da queima de poucas toneladas de gravetos por ano na Pré-História à construção de gigantescas usinas elétricas no século 20. Ora, se os seres humanos realmente se espalharem pelo sistema solar e pelos sistemas estelares vizinhos no futuro, vão precisar de quantidades ainda mais alucinadas de energia para sobreviver. Portanto, nada melhor do que organizar sistemas que captem diretamente a radiação estelar para o nosso uso.

Como fazer isso? Eis a questão. Depois da proposta inicial da “esfera”, engenheiros, teóricos e até escritores de ficção científica se puseram a quebrar a cabeça na tentativa de propor uma forma viável de colocar o plano em prática. O ponto em comum em todas as variantes já imaginadas é o uso de um grande conjunto de painéis solares, voltados na direção da estrela-tomada, os quais, de preferência, cobririam a totalidade, ou pelo menos a maior parte, do astro. Fora isso, o desacordo impera entre os teóricos.

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O que parece quase certo é que seria absurdamente complicado construir uma esfera sólida em torno da coitada da estrela. O problema não é nem o calor, já que os proponentes dessa versão falam numa casca com raio de 1 UA (uma unidade astronômica, ou seja, a distância atual entre a Terra e o Sol). O que acontece é que uma estrutura desse naipe não teria interação gravitacional significativa com a estrela em seu interior – ou seja, precisaria de motores que a mantivessem no lugar o tempo todo, senão correria o risco de trombar com o astro.

Segundo Conceito: Enxame de Dyson

Por essas e outras, acredita-se que o melhor jeito de realizar o sonho da estrela-tomada envolva o uso de um arquipélago de satélites e estações espaciais, cobertos com sofisticados coletores de energia solar. Uma vez obtida a energia, ela poderia ser transmitida de um satélite para outro, e também para pontos distantes do espaço, por meio de potentes emissões de laser, digamos. Essa versão da ideia é conhecida como “enxame de Dyson”, mas ela tem outra desvantagem séria. A interação gravitacional entre o grande número de satélites poderia levar a frequentes trombadas, difíceis de evitar.

Terceiro Conceito: Bolha de Dyson

Por isso, um terceiro conceito, a “bolha de Dyson”, propõe equipar os satélites em torno da estrela com gigantescas velas (isso mesmo, como as de barcos), as quais seriam impulsionadas pelo “vento” de partículas que a estrela sopra através do espaço. Com isso, os coletores de energia ficariam sempre na mesma posição. Se você está achando que Dyson estava viajando na maionese, saiba que ele propôs a ideia, originalmente, como forma de buscar civilizações ETs avançadas, que provavelmente já teriam feito suas esferas Universo afora.

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Cérebro de Matriosca

Por outro lado, os nossos futuros descendentes podem não querer conquistar o sistema solar, porque o princípio de um Enxame de Dyson pode ser usado para construir algo muito mais tentador: um supercomputador gigantesco capaz de dar a cada ser humano o seu próprio paraíso sob medida, no qual poderíamos viver para sempre.

O Cérebro de Matriosca é uma hipotética megaestrutura proposta por Robert Bradbury, baseada na Esfera de Dyson, um computador de capacidade imensa. É um exemplo de gerador de energia de classe II proposto na Escala de Kardashev, utilizando quase toda a energia luminosa e térmica de uma estrela para fazer funcionar sistemas computacionais. Este conceito deriva das bonecas russas matrioscas. O conceito foi desenvolvido por Bradbury na antologia Year Million: Science at the Far Edge of Knowledge e atraiu o interesse de repórteres do Los Angeles Times e do Wall Street Jornal.

O termo “cérebro de matriosca” foi inventando por Robert Bradbury como uma alternativa ao “Cérebro de Júpiter” — um conceito similar ao cérebro de matriosca, mas otimizada para pequena escalas planetária para que se tenha um mínimo atraso na propagação da informação. Um cérebro de matriosca foi desenhado para utilizar o máximo possível de energia extraída de sua fonte primária, uma estrela, enquanto um cérebro de Júpiter é mais otimizado visando velocidade computacional.

Com base neste conceito, esta megaestrutura poderia cobrir hipoteticamente completamente uma estrela, capturando toda a sua força interior. Ele pensou num supercomputador capaz de usar toda essa energia para criar um universo simulado. Desta forma uma civilização inteira poderia elevar sua consciência e viver nessa realidade virtual, enquanto a estrela fornecer energia.

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Como um Enxame de Dyson, ele seria anexado a uma estrela, colhendo sua energia. Uma das ideias sugerida por Charles Stross, em sua novela Accelerando, usaria essa energia puramente para criar um paraíso virtual em que toda a nossa espécie poderia fazer upload de si mesmo. Imagine “Matrix”, mas com Neo passeando em uma bela paisagem, vivendo cada uma de suas fantasias ao longo do filme inteiro. É assim que seria a vida em um Cérebro de Matriosca, só que nós nunca ficaríamos velhos, nunca morreríamos e nunca experimentaríamos qualquer coisa além de felicidade. Seria como passar a eternidade em um paraíso.

De acordo com os estudiosos do assunto, um cérebro de Matriosca não precisaria ser tão grande. Arquitetos espaciais futuros poderiam construir um com aproximadamente o tamanho de uma estrela anã vermelha, que teria apenas 7,5 a 50% da massa do nosso Sol, e ainda poderiam alimentar seu paraíso virtual por impressionantes 10 trilhões de anos!

Stross ainda sugere que um computador como este seria suficiente poderoso para lançar um ataque e manipular as estruturas do universo em si (espaço e tempo, por exemplo). Em Godplayers (2005), Damien Broderick assume que um cérebro de matriosca poderia simular diversos universos alternativos. O futurologista e transumanista Anders Sandberg escreve um ensaio especulando as implicações da computação em massiva escala de máquinas como o cérebro de matriosca, publicado pelo Institute for Ethics and Emerging Technologies.

Será que chegaremos neste estágio de desenvolvimento? Ou, será que já existem outras civilizações neste imenso e infinito Universo que se utilizam de meios de extração e captação de energia?

Como diria o slogan de Arquivo-X: “A verdade está lá fora”.

Fontes: Superinteressante | HypeScience | Wikipédia

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