Como era uma cidade medieval?

Por: - 15/11/2016
Como era uma cidade medieval?

A Idade Média geralmente é lembrada pelo Sistema Feudal que predominou naquela época. Com isso, é fácil imaginar grandes pedaços de terra na Europa que pertenciam ao Senhor Feudal e as pequenas porções onde viviam os plebeus e camponeses. Porém, muitos desconsideram que foi durante esse período que a cidade medieval começou a tomar forma.

O declínio do Império Romano no século V e as invasões bárbaras constantes forçaram o surgimento de alguns aglomerados da população. O surgimento de uma nova classe social, a burguesia, favorecia ainda mais essa união. Enquanto juntos, o povo se protegia dos ataques inimigos e poderia desfrutar de algumas vantagens que não existiam no período em que viviam separados.

Cidade Medieval: como eram os centros urbanos na Idade Média?

O surgimento das cidades

As cidades medievais começaram a se desenvolver bastante a partir do século XI. Alguns fatores favoreceram bastante o surgimento de centros urbanos na Idade Média. Um deles, e provavelmente o principal, é o aumento da produção agrícola fruto de melhores técnicas para o plantio e colheita. Um exemplo é o uso de animais para a tração. A utilização de sistemas de irrigação para o sustento das plantações também é outro bom exemplo.

Esse fator, além de permitir fornecer alimentos para mais pessoas, acabou expulsando o pequeno agricultor de suas terras para dar lugar a grandes plantações. Sem lugar para ir, essa população decidiu se reunir em lugares específicos e sobreviver com base na troca e venda de alimentos. Isso serviu de base para o surgimento da cidade medieval.

Como outros fatores, poderíamos também mencionar o crescimento econômico da classe burguesa. Os comerciantes, que poderiam ser artesãos, ferreiros e até banqueiros, viram nessa aglomeração uma ótima oportunidade de vender seus produtos e serviços para a população. Estava desenhado o esboço das principais cidades da Idade Média.

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Um exemplo de cidade medieval na Idade Média

A cidade medieval

Ao contrário do que se pode imaginar, as cidade medieval não possuía luxo ou classe alguma. Com um crescimento não planejado e desproporcional, casas surgiam do nada uma do lado das outras, o que impedia a organização desses centros urbanos. Entretanto, uma regra era “respeitada” naquela época: todas as cidades cresciam ao redor de uma igreja.

Naquela época, a religião exercia um poder muito grande sobre os cidadãos. Manter esse controle era muito importante para igreja, um fator que acabou aproximando a população dos templos religiosos. A presença de uma fonte de água, como rios e lagos, também era quase certa, já que o povo também precisava disso para sobreviver.

Outra característica bastante marcante nas cidades medievais eram as muralhas que revestiam os centros urbanos. Tudo isso para proteger a população dos bárbaros que atacavam os camponeses e pessoas que vivam fora desses muros. Vale mencionar que, embora excluídos pelos Senhores Feudais, as cidades ainda ficavam próximas de alguns feudos. O objetivo era comercial, já que os excedentes poderiam ser vendidos nas cidades a preços altíssimos.

As cidades medievais cresciam perto de igrejas

Ruelas estreitas, mau-cheiro e podridão

Falando especificamente das cidades, a vida nos centros urbanos não era nada fácil. Assim como em muitas metrópoles de hoje, havia uma rua considerada principal. Ela geralmente era asfaltada e mais larga que as demais. As outras vias, em geral, eram estreias, lamacentas e precariamente cuidadas. Era praticamente impossível passar com duas carroças pela mesma rua sem esbarrar e deixar um rastro de estrago pelo caminho.

Outra característica marcante na cidade medieval era o mau-cheiro insuportável. Nesses centros urbanos, os animais, como cachorros, cavalos, mulas, galinhas e porcos, andavam livres pelas ruas, deixando seus excrementos por onde passavam. O resultado era vias extremamente imundas, com uma podridão estampada até mesmo nas ruas principais.

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Apesar disso, as cidades eram sempre apinhadas de gente. Além dos cidadãos, os centros urbanos eram lotados de comerciantes, ferreiros, sapateiros, vendedores, açougueiros, dentistas e muitos outros profissionais. Porém, isso acontecia durante o dia. À noite, a cidade ficava deserta e ninguém ousava andar pelas ruas escuras pela falta de iluminação pública. Afinal, naquela época ainda não existia a eletricidade como conhecemos hoje.

Havia lugares em que até havia toque de recolher. Tudo isso para evitar assaltos e assassinatos, crimes comuns naquela época. Os incêndios também eram constantes nas cidades. As casas, construídas com materiais muito inflamáveis, como palha e madeira, pegavam fogo com uma facilidade incrível. Isso acontecia principalmente porque quase todas as casas possuíam uma lareira. Isso era essencial para enfrentar as temporadas de frio intenso do inverno europeu.

Saneamento e condições precárias

As cidades medievais não eram imundas apenas por causa de fatores não ligados a população. Naquela época, não havia a consciência de saneamento básico que há hoje. Por isso, os dejetos humanos geralmente eram descartados nos rios, lagos ou deixados a céu aberto. Como você deve imaginar, isso agrava bastante o mau-cheiro que já imperava nos centros urbanos.

A podridão da cidade medieval

Essa condição precária também favorecia o surgimento de inúmeras doenças. Além daquelas originadas por causa da água podre, pestes também causavam condições gravíssimas. A peste negra, também conhecida como peste bubônica, era consequência direta das condições de saneamento e higiene da população naquela época.

A exceção

Embora esse cenário possa te causar um enojamento sem precedentes, havia uma parcela da população que não precisava enfrentar essas situações. Estou falando dos religiosos de alto escalão e nobres que viviam nas cidades. Esse pequeno grupo de pessoas vivam em fortificações construídas dentro dos muros. Como você também deve imaginar, a condição ali era outra.

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Além de limpos, os salões eram largos e espaçosos, algo que contrastava com as pequenas casas do resto da cidade medieval. As casas dos religiosos também eram de dar inveja. Elas foram construídas com base nas indulgências cobradas pelos padres e bispos, uma espécie de extorsão praticada pelos religiosos da época. A prática foi abolida ainda na Idade Média, mas permitiu que a igreja acumulasse uma boa fortuna.

Castelo em cidade medieval

Por fim, poderíamos desenhar as cidades medievais da seguinte maneira: grandes centros urbanos apinhados de pessoas, com ruas estreitas e extremamente malcheirosas. Sem saneamento básico, pavimentação e estrutura, essas cidades cresciam em uma velocidade inacreditável, propagando ainda mais um crescimento desenfreado e que levava podridão, doenças e miséria para mais cantos da Europa.

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