10 superstições bizarras do folclore japonês

O folclore japonês é muito influenciado pelo Xintoísmo e pelo Budismo, as duas religiões primárias no Japão. Esse é um rico mundo sobrenatural onde os espíritos se escondem em cada sombra e monstros seguem no encalço dos homens.

O folclore japonês é normalmente dividido em várias categorias: “mukashibanashi”, contos de antigamente; “namidabanashi”, histórias tristes; “obakebanashi”, histórias de fantasmas; “ongaeshibanashi”, histórias de retribuição da bondade;“tonchibanashi”, histórias de sabedoria; “waraibanashi”, histórias engraçadas; e “yokubaribanashi”, histórias de ganância.

10 superstições bizarras do folclore japonês

Além destas histórias e contos, o folclore japonês também reúne algumas superstições um tanto bizarras para nós. Vamos conhecer então, dez das superstições mais curiosas e bizarras do Japão.

10. Se perdendo à noite – Nurikabe

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De acordo com o folclore, o sobrenatural era uma ameaça tão grande para os viajantes japoneses durante a noite, como eram os animais selvagens e bandidos. A menos que você carregasse uma lanterna, a única luz para mostrar o caminho seria proveniente da lua e das estrelas, por isso era natural que muitos viajantes se perdessem na escuridão. A superstição, no entanto, atribuiu esses desvios à um monstro.

O Nurikabe era um youkai — um monstro/demônio; esse é um termo japonês utilizado para designar fenômenos, objetos e criaturas sobrenaturais — no formato de uma parede que aparecia no caminho dos viajantes. Normalmente invisível, ele impedia completamente uma estrada, forçando os viajante a seguirem ao seu redor. Como muitos youkais, porém, o Nurikabe era um malandro. Mesmo se alguém tentasse um caminho diferente, o muro iria alongar ou inexplicavelmente se levantar e mover-se. Dizia-se que quem encontrasse um Nurikabe, poderia se perder por dias.

A crença de que um Nurikabe poderia aparecer de repente e impedir o progresso de um viajante foi registrada pela primeira vez no Japão, mas há pelo menos alguns relatos em outros lugares. O autor do popular mangá de youkais, Gegege no Kitaro, disse em uma de suas enciclopédias youkai, que ele encontrou um Nurikabe durante o serviço militar nas selvas de Papua Nova Guiné. Tal encontro, é claro, deve ser tomado com certa descrença. Seguindo os passos dos autores históricos de enciclopédias youkai, eles costumam deixar uma série de histórias sem referências e provavelmente inventadas.

09. Passos misteriosos em salas vazias – Zashiki-warashi

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Grandes casas no Japão antigo eram praticamente abertas, com quartos separados por telas shoji. Isso facilitava a propagação de sons e fazia com que muitas vezes parecessem vir de lugares estranhos. Quando ruídos ou sons de passos vinham de uma sala vazia, a superstição dizia que um espírito chamado de Zashiki-warashi estaria habitando a casa.

Traduzido aproximadamente como “criança do quarto”, os Zashiki-warashi eram espíritos parecidos com crianças que viviam em cômodos vazios. Eles eram ditos como tendo, no máximo, 12 anos de idade e que ocasionalmente apareciam aos inquilinos da casa. Enquanto os ruídos que eles produziam eram misteriosos e suas aparições repentinas provavelmente teriam dado à maioria das famílias um choque, a tradição dizia que os Zashiki-warashi traziam boa sorte e prosperidade a quem eles “conviviam” na casa.

Infelizmente, eles também levavam embora essa “sorte” quando eles partiam. Os Zashiki-warashi mudavam-se de um lugar para outro sempre que desejassem. Em uma história, uma família teve a oportunidade de estar com dois deles, que trouxeram muita prosperidade enquanto eles estavam presentes. Eventualmente, eles partiram, e logo depois, quase toda a família morreu quando os servos deles, por engano, serviram-lhes uma refeição de cogumelos venenosos. A próxima família que os dois Zashiki-warashi foram morar, entretanto, tornou-se imediatamente próspera.

Devido à sua associação com a fortuna, tem sido teorizado que os Zashiki-warashi eram um dispositivo usado para explicar a súbita ascensão e queda de famílias ricas.

08. Crianças desaparecidas – Ubume

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Pode haver um sem-número de razões para o desaparecimento de uma criança, mas de acordo com a antiga superstição japonesa, a maioria das crianças desaparecidas foram arrebatadas por um youkai chamado de Ubume. Acreditava-se que os Ubume fossem os espíritos de mulheres que morreram no parto, embora também poderiam ter morrido durante a gravidez. De qualquer maneira, o seu apego ao seu filho perdido permaneceu após a morte e deu-lhes uma necessidade insaciável de ter um filho, que só era apaziguada sequestrando um.

Eles aparecem em noites escuras e chuvosas, e são muitas vezes indistinguíveis de uma mulher que vive carregando uma criança, gritando por socorro. O Ubume pode aparecer de várias formas: uma mulher carregando um bebê, uma mulher grávida, ou uma cadáver encharcado de sangue carregando um feto subdesenvolvido. Outras vezes, eles simplesmente aparecem como mulheres horríveis, sangrentos, grávidas clamando desesperadamente pela noite para obter ajuda. Aparecendo ao entardecer em cruzamentos e pontes, o Ubume pediria aos transeuntes para segurar seu filho, enquanto ela corria para fazer algo. O bebê ficaria mais e mais pesado até que a pessoa segurando-o recitasse uma oração budista, após isso o Ubume voltaria e agradecia por trazer seu filho de volta ao mundo dos vivos. Há ainda outras histórias de Ubumes à procura de tutores para cuidar de seu bebê depois de sua morte, enquanto em outras ela fez isso por si mesma, fazendo visitas ocasionais à cidade para comprar suprimentos com moedas que se transformaram em folhas secas depois que ela desaparecia.

07. Sumiu o óleo da lanterna – Himamushi-nyudo

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O trabalho noturno era feito geralmente com lâmpadas de óleo no Japão antigo. Infelizmente para aqueles que trabalhavam à noite, o óleo preferido para o combustível do lampião, era o óleo de peixe, um dos favoritos de ratos e baratas. As pragas bebiam o óleo e forçavam o trabalhador a perder tempo espantando-as. Às vezes, porém, quando a perda de óleo parecia ser grande demais para que esses animais fossem os culpados de terem roubado, a superstição considerou que o ato foi realizado por um youkai chamado Himamushi-nyudo.

Dizia-se que a alma de uma pessoa que perdeu todo o seu tempo livre se tornaria um Himamushi-nyudo, que significa aproximadamente “lambedor de óleo” — e que interferia com o trabalho noturno dos outros. Apesar da superstição, a conexão com as baratas não foi perdida junto aos catalogadores youkai, e o monstro foi muitas vezes retratado junto com o simbolismo da barata. Como era acreditado que o inseto tenha nascido a partir das rachaduras nas kamas(foices japonesas), o Himamushi-nyudo era muitas vezes retratado com baratas e outros símbolos relacionados, como artemísia e galinhas, que acreditavam manter a praga à distância. Esta associação levou à sugestão de Himamushi-nyudo’s serem baratas gigantes antropomórficas.

06. Teto sujo e frio noturno – Tenjo-name

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Sem aquecimento moderno e isolamento térmico, as casas japonesas antigas provaram ser muito frias no inverno. Aquelas com tetos altos também ficavam bem escuras à noite. A superstição considerou que tanto o frio do inverno quanto a escuridão, eram causados por um monstro chamado Tenjo-name. A criatura flutuava na parte mais alta da sala, derrubando a temperatura e obscurecendo o teto. Era uma criatura alta, ossuda, com uma língua longa que usava para lamber os tetos. Quando o Tenjo-name lambia o teto, ao invés de limpo, ele ficava mais sujo.

Mesmo como uma superstição, botar a culpa de tetos sujos, frios invernais, e as trevas em um monstro, pode soar absurdo, e não se sabe realmente como era a crença global nesse conto em particular. Os historiadores modernos agora acreditam que o autor da histórica enciclopédia youkai em que o Tenjo-name apareceu pela primeira vez, provavelmente simplesmente o inventou sem qualquer crença anterior em sua existência.

05. Sensação de estar sendo observado – Mokumokuren

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No Japão antigo, refugiar-se em uma casa abandonada poderia ter sido necessário para a proteção contra as intempéries, mas como hoje em dia, muitas vezes provou ser uma experiência desagradável. Muitas vezes foi relatado que pessoas que dormiam em uma casa abandonada tiveram uma estranha sensação de que eles estavam sendo observados por uma presença invisível. Recusando-se a acreditar que essa sensação pudesse ser mera imaginação, a superstição considerou que os hóspedes não convidados estariam de fato sendo observados pela própria casa. Chamada de Mokumokuren, da velha casa abandonada brotariam centenas de olhos que os observariam incessantemente.

Realmente, assim como o item anterior, a ideia dos Mokumokuren soa meio bizarro e bem pouco crível até para os padrões do passado. Acredita-se ser uma outra criação do mesmo artista que inventou o Himamushi-nyudo. Enquanto o primeiro era muito feio e assustador, os olhos do Mokumokuren pareciam mais confusos do que sinistros. Eles são espiritos que vivem dentro de uma shõji (porta deslizante feita de papel de arroz). Se o shoji tiver buracos, os olhos podem ser vistos por dentro desses buracos. Caso uma pessoa veja um Mokumokuren de longe, talvez ela fique cega. O único jeito de remover esse espírito é furando as telas do shoji.

Mais de 80 de youkais de Sekien foram inventados, muitas vezes em sátira à monges sem escrúpulos e distritos da luz vermelha do Japão antigo.

04. Tremores inexplicáveis na casa – Yanari

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Em japonês moderno, yanari significa a agitação ou o chocalhar de uma casa, geralmente durante um terremoto. A palavra em si, no entanto, encontra suas origens no folclore antigo. No passado, qualquer ruído estranho que uma casa fizesse, seria causado por um youkai chamado de Yanari que estaria chacoalhando, martelando e batendo nas paredes. Embora os terremotos fossem comuns no Japão antigo, não se sabia que inúmeros terremotos de baixo nível ocorriam ao longo do dia e que não podiam ser sentidos. Quando uma casa balançava sem motivo aparente, pensavam ser o Yanari fazendo travessuras.

Mesmo casas modernas fazem sons quando elas se adaptam à fundação, e a queda noturna da temperatura faz com que os seus materiais entortem, e uma vez que as casas japonesas antigas eram muitas vezes construídas com bambu, madeira, palha e chão batido; eram provavelmente muito barulhentas durante a noite. Juntando isso, o vento e qualquer animal que possa ter subido no telhado, temos o resultado do que acusavam o Yanari de provocar.

03. Desaparecimentos – Kitsune

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De acordo com o antigo folclore japonês, animais comuns eram muitas vezes mais do que aparentavam. Raposas, em particular, seriam responsáveis por uma série de ocorrências sobrenaturais. Elas geralmente se limitavam a brincadeiras comuns, mas também podem ser responsáveis por façanhas mais sinistras que vão desde incêndios à sequestros. Uma crença comum é que, após o anoitecer, raposas (Kitsunes) apareciam como belas mulheres que seduziam os homens para longe de suas famílias.

Uma história conta sobre um homem amoroso que, ao caminhar pela cidade logo após o anoitecer, encontrou uma bela jovem. Por insistência dele, ela o levou até sua propriedade e os dois passaram a noite juntos. Na manhã seguinte, ele havia jurando amor eterno a ela e esqueceu-se completamente de sua vida anterior. Sua nova esposa ficou grávida, e nove meses depois deu-lhe um filho.

Enquanto isso, sua família procurava por ele incessantemente. Quando finalmente lhe deram por morto, eles oraram para a deusa Kannon para que encontrassem seu corpo. Kannon respondeu suas orações e o homem de repente apareceu se arrastando por debaixo das tábuas do chão de seu armazém, enquanto a família mágica de raposas que o havia sequestrado, correu para longe.

02. Levar um tombo – Kamaitachi

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Que alguém pode simplesmente cair de vez em quando, não parece fazer muito sentido para os supersticiosos japoneses, então eles diziam que as pessoas foram derrubadas por um monstro. Kamaitachi, ou “doninhas foice”, seriam bandos de doninhas monstruosas que cavalgavam os ventos e causavam cortes e arranhões em vítimas humanas inocentes.

Movendo-se mais rápido do que o olho humano pode ver, Kamaitachi trabalhava em grupos de três. A primeira iria derrubar a vítima, em seguida, a segunda, iria infligir cortes até que a terceira aparecesse em seguida e curasse os ferimentos, de modo que no momento em que a vítima percebesse o que estava acontecendo, ela ficaria apenas com feridas dolorosas que não possuíam nenhum vestígio de sangramento.. Os monstros seriam os responsáveis por todos os tipos de tombos, e depois de se levantar e encontrar um corte, a vítima iria exclamar que tinha sido cortada por uma Kamaitachi. Elas eram uma desculpa pronta para cortes e arranhões que alguém poderia não estar disposto a explicar. Vários relatos citavam pessoas que botavam a culpa de suas feridas em Kamaitachi’s em vez de admitir que haviam tomado um tombaço.

01. Paralisia do sono – Kanashibari

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Comparado a outros países, a paralisia do sono é bem mais comum no Japão, com uma estimativa de 40 por cento da população experimentando isso em algum momento de suas vidas. A prevalência, no entanto, é muito mais devida à fatores culturais do que genéticos. Chamado de Kanashibari, o que significa aproximadamente “atado ao metal,” é considerado um fenômeno bem conhecido no Japão. Com uma infinidade de blogs e programas de televisão sobre o assunto, os dorminhocos japoneses são simplesmente muito mais condicionados a reconhecer Kanashibari do que em quaisquer outras partes do mundo. Às vezes, porém, sendo incapazes de se mover enquanto estavam deitados, atribuem a paralisia à espíritos.

Desde crianças até estudantes universitários descrevem terem visto fantasmas ou intrusos que entram em seus quartos e os prende, enquanto eles dormem. As crianças dizem que dormir com um bicho de pelúcia chama a atenção desse fantasma, bem como dormir de costas. Outros dizem que por ter sido indelicado ou ter estudando muito. Alguns são tão fascinados por Kanashibari chegando ao ponto de usar essas técnicas para atrair o horror de ser preso por um “espírito”.

Fonte Listverse

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