Candidata à reitoria da UEM defende investimentos em serviços de acolhimento estudantil

Candidata pela Chapa 1 - 'UEM nos Une', Priscila Garcia Marques fala em melhorar as condições de permanência estudantil dos acadêmicos na instituição, caso seja eleita. Professora cita que a Universidade precisa de uma gestão 'desburocratizada' e de investimentos na infraestrutura do Restaurante Universitário.
Priscila Garcia Marques, do Departamento de Educação Física, é candidata pela chapa "UEM nos Une" | Foto: Arquivo/ASC-UEM
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A candidata à reitoria da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Priscila Garcia Marques, quer uma integração dos serviços de vigilância da instituição com as forças de segurança do Estado para melhorar o patrulhamento nas divisas do campus. Ela detalhou suas propostas em entrevista à Série de Entrevistas do Maringá Post com os candidatos a reitor. O pleito está previsto para o dia 17 de agosto.

Professora do Departamento de Educação Física e diretora do Centro de Ciências da Saúde, Marques é candidata pela Chapa 1 – ‘UEM nos Une’, tendo como vice a professora Maria Cristina Gomes Machado, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes.

Entre as propostas para uma futura gestão, caso eleita, Priscila falou em trabalhar para ‘desburocratizar’ processos internos para ter mais eficiência. Conforme a candidata, é necessário um maior investimento em sistemas integrados e infraestrutura. Ela também defendeu uma ‘gestão participativa’, como lançamentos de editais para que os estudantes possam dar sugestões práticas de melhorias para a instituição instituição.

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Entre os temas sensíveis, a candidata da Chapa 1 citou a urgência em investimentos nas condições de trabalho dos servidores do Restaurante Universitário, criticando a falta de materiais básicos, como bandejas e utensílios. Sobre a segurança do campus, Priscila falou sobre o objetivo de melhorar a iluminação do local com luminárias em led e ocupação de espaços hoje inacabados como uma forma de aumentar a sensação de segurança.

No ponto de vista prático, Marques também afirmou que trabalhará por uma integração da vigilância da UEM com as forças de segurança do Estado, em razão do campus ser um espaço público e que faz divisa com vários bairros. Ela também reforçou o desejo de melhorar as políticas de acolhimento e condições de permanência dos estudantes. Leia a entrevista completa abaixo:

P: Por que colocou seu nome à disposição para concorrer a reitoria?

R: “A motivação para a nossa candidatura é a transição que a Universidade precisa passar nesse momento, é uma transição necessária e o meu nome surgiu não como um projeto pessoal, porque sempre é uma decisão muito difícil assumir uma instituição desse porte, é um desafio, mas o chamado de colegas que compartilham a visão de uma gestão que precisa ser mais participativa, eficiente, conectada com os desafios contemporâneos da ciência e da sociedade que a UEM tem, sem perder de vista também a sua história, foi o que motivou a gente decidir concorrer ao pleito para a gestão de 2026 a 2030”.

P: Como acredita que sua vivência na Universidade pode colaborar com a condução administrativa da instituição?

R: “Quem conhece a Universidade sabe que ela tem dois vetores muito importantes de força, que são os seus desafios, que são rotinas, problemas diários, muitas vezes algumas complexidades que a instituição passa, mas também um vetor de potencialidade, a Universidade é um campo científico de muitos saberes, de muitas condições de contribuir com a sociedade, então essa é uma força que a gente acredita muito. A minha trajetória na direção do Centro de Ciências da Saúde, que completa esse ano seis anos, porque fui adjunta antes de eleger diretora, me permitiu entender onde o processo administrativo trava e onde a burocracia pode ser um pouco mais simplificada, porque, lógico, a gente não perde de vista que toda administração pública ela precisa ser burocrática por uma questão de governança e de transparência, mas muitos processos podem ser simplificados com a implantação de sistemas e tecnologias, então essa vivência que tive ao longo dos seis anos de experiência com o Conselho de Administração, antes no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, traz maturidade para tomar decisões necessárias, mas sem perder a essência acadêmica e do cuidado com as pessoas que estão aqui dentro do campus”.

P: Quais considera que são as suas principais propostas? Poderia detalhar?

R: “As propostas de uma chapa reitoria sempre são muito amplas, porque sempre há um apelo da comunidade universitária nesses momentos para que a gente tente olhar para várias questões que acontecem na rotina e no cotidiano da Universidade, mas a gente focou em pilares que são estratégicos. A Universidade precisa de uma gestão um pouco mais desburocratizada no sentido da eficiência, que é a otimização de recursos. A gente precisa investir em sistemas integrados, principalmente em tecnologias e na infraestrutura, porque se a energia na Universidade não melhorar, a rede de internet não melhorar, a gente também tem dificuldade de implantar essa gestão que a gente tanto busca. O outro pilar estratégico da nossa gestão é o fortalecimento do tripé universitário. É indiscutível a importância do ensino, da pesquisa, da extensão e da prestação de serviços, que nem sempre é muito falado, mas a UEM é uma grande prestadora de serviços para a sociedade, inclusive no sistema único de saúde somos um dos principais serviços. Então, a gente vai buscar uma gestão participativa, principalmente com os estudantes e os docentes, no sentido de promover editais que busquem soluções para a gestão em conjunto com os estudantes das mais diversas áreas do conhecimento, porque a cabeça jovem ela é sempre muito criativa e ela traz soluções muito importantes. E o terceiro pilar estratégico nosso é a necessidade da melhoria do serviço de acolhimento. A gente precisa investir bastante na saúde mental, a gente percebe que a sobrecarga de trabalho aqui dentro, muitas vezes a sobrecarga no próprio estudante acarreta muitos agravos da saúde. Também queremos investir na permanência estudantil, não só na condição de permanência desde a entrada no vestibular, mas também condições de ofertar espaços de convivência aqui dentro com boa qualidade”.

P: Uma pauta que ficou muito evidente nos últimos anos são as obras paralisadas no campus. Qual a sua proposta para resolver o problema?

R: “As obras paralisadas são um desafio de mais de 20 anos. É algo que salta aos olhos e a gente percebe que a própria comunidade universitária está bastante cansada de conviver com esqueletos de obras no campo, que torna até a segurança um pouco complicada aqui dentro. A gente sabe que a atual gestão tomou algumas medidas, buscou recursos para tentar retomar as obras, mas a gente não conseguiu ver muito avanço. E o primeiro passo, se a gente for eleita, eu e a professora Maria Cristina, é o levantamento técnico e jurídico desses contratos. A gente sabe que muitas licitações já foram conduzidas, algumas deram deserto, outras não prosseguiram. Então, a gente precisa propor uma força-tarefa para renegociar prazos, promover a repactuação de verbas, assim como orçamento, também junto aos órgãos de fomento, esse é o primeiro passo. A gente precisa priorizar também aqueles espaços de maior impacto coletivo, ou seja, são os blocos didáticos com laboratórios, porque a UEM cresceu muito e o espaço que ela possui hoje muitas vezes estrangula esses cursos de se tornar o exponencial que eles têm condições de se tornar. Mas existe uma ordem de blocos para serem retomados também, que foi estabelecido pelo Conselho de Administração em 2006, há 20 anos. Então, esse é um problema histórico da instituição, que precisa de cautela, mas que precisa de ação energética e rápida pra gente tentar pelo menos retomar a fila das obras paralisadas”.

P: Um outro assunto que, volta e meia, chama a atenção, é a qualidade das refeições do Restaurante Universitário. É possível fazer algo diferente?

R: “O nosso restaurante universitário, embora eu tenha acompanhado as notícias que estão saindo, ele não é totalmente terceirizado ainda. Ele ainda está sob a administração da universidade, mas como a gente teve, pela lei do Estado, muitos cargos extintos ao vagar, a gente não conseguiu recompor quadro de pessoal próprio no restaurante. Então, hoje o restaurante tem muitos trabalhadores que são de empresa terceirizada, que é uma empresa que o Estado faz a licitação, não é a Universidade, e um pouco desse quantitativo também é quadro próprio. E aí a gente tem mesmo enfrentado esse problema. A segurança alimentar é a base da permanência estudantil na universidade, mas ninguém tem falado muito sobre a segurança do alimento, porque são dois conceitos diferentes, e a segurança do alimento é inegociável. A gente vai precisar revisar o modelo de gestão do serviço, porque precisa melhorar a qualidade e eficiência do custo-benefício também dessas refeições. Hoje, a gente não consegue saber, porque não tem catraca na entrada do RU, quanto custa e quantas refeições são servidas ao longo do dia, porque não há esse controle. Então, precisa revisar toda a estrutura, inclusive administrativa da rotina do restaurante. O fortalecimento da fiscalização dos contratos é uma função nossa. Os fornecedores dos alimentos também precisam ser rigorosamente controlados e a qualidade do controle do alimento. Então, a melhoria das condições desse serviço, ela vai precisar de uma revisão jurídica e administrativa, mas a gente percebe, estando aqui dentro da comunidade universitária, que também vai ser necessário investir nas condições de trabalho dos servidores, que estão muito precárias. Precisa haver investimento em utensílios. As nossas bandejas não são suficientes para o número de refeições que a gente serve no almoço, por exemplo, e não é ideal do ponto de vista microbiológico que a gente reutilize bandejas na mesma refeição, mas não tem o quantitativo necessário. Então, isso precisa ser revisto, faca, panela, curso de capacitação técnica e, principalmente, o que eles mais reclamam é a sala de descanso. Hoje, a sala foi desativada e eles não têm local de descanso. Isso é uma exigência trabalhista, né? Então, o restaurante universitário é uma questão bastante complexa e que precisa de atenção imediata, assim que começar o período de transição da nova reitoria”.

P: A segurança do campus também é um problema relatado pelos universitários. Como intervir nesta questão?

R: “A segurança no campus passa por um processo muito parecido do que tem no RU, com relação ao conjunto de trabalhadores terceirizados. E nem sempre a gente consegue contratar o quantitativo necessário. No entanto, a gente sabe muito bem que a segurança se faz com ocupação e otimização dos espaços. Então, a modernização da iluminação em áreas críticas, com LED, investimento em áreas de convivência, retomada de cantinas, retomada de estabelecimento de atividades de festivais culturais que povoam essas áreas, isso ajuda bastante na condição de segurança. No entanto, é possível rever as rotas de vigilância e a condição do sistema de monitoramento. O sistema de monitoramento por câmeras melhorou muito a segurança no campus, isso a gente precisa reconhecer, mas precisa de investimento sempre maior. E aí, um assunto bastante polêmico, mas que é necessário, é a integração com as forças de segurança pública nos locais onde estão a divisa do campus, porque o campus faz divisa com vários bairros e nesses locais é preciso contar com a segurança pública externa da universidade, no entanto, sem militarizar o ambiente acadêmico. Isso é muito importante frisar porque a militarização do campo acadêmico, do ambiente acadêmico, é uma coisa que a gente sempre precisa combater pela condição histórica que foi a luta das universidades ao longo do tempo pela autonomia”.

P: Nos últimos quatro anos, a atual gestão da UEM foi marcada por uma maior aproximação com as instituições políticas do Estado. É um caminho que pretende seguir?

R: “A UEM é um órgão do Estado e não do Governo. Isso é muito importante, eu já respondi logo de início, porque às vezes é possível que inclusive os reitores confundam isso. Mas a aproximação institucional, ela é bastante necessária porque a gente precisa garantir muitas vezes verbas e projetos que vêm extra ao orçamento, porque o orçamento que é votado no Estado pela LOA é para manutenção das despesas correntes. Ela tem muito pouca margem para investimento. Mas a gente não pode abrir mão da autonomia acadêmica, então o diálogo, se a gente for eleito, ele vai ser pautado pelo respeito à missão que a UEM tem, que é uma missão científica e de formação humana, de formação de cidadãos líderes, éticos e competentes para a área de conhecimento que eles estão sendo formados, pelo interesse da nossa comunidade também, é garantindo e buscando garantias de que o governo atenda as demandas que a universidade tem. Então a universidade, ela precisa estar a serviço da sociedade e não de interesses políticos”.