Maringá — A restrição ao uso de aparelhos celulares e telas em ambientes escolares consolidou-se como uma das principais frentes de discussão pedagógica e de saúde pública no país. O movimento, que ganhou tração com o avanço de legislações restritivas no Congresso Nacional, tenta frear os impactos do isolamento digital e da dispersão cognitiva entre crianças e adolescentes. No Paraná, esse debate foi antecipado por ações de fiscalização e conscientização que mapearam os gargalos do aprendizado na rede de ensino.
O panorama e os reflexos do uso indiscriminado da tecnologia foram detalhados pelo deputado estadual Evandro Araújo (PSD), presidente da Comissão da Criança, do Adolescente e da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Em entrevista ao jornalista Ronaldo Nezo no podcast Ponto a Ponto, do jornal Maringá Post, o parlamentar defendeu que o ambiente escolar precisa ser preservado como espaço de socialização ativa.
Araújo apontou que a dependência de dispositivos móveis tem gerado queda na interação presencial, com reflexos diretos no comportamento e na saúde mental dos estudantes. De acordo com o deputado, a hiperestimulação visual das telas concorre diretamente com o modelo tradicional de ensino, resultando em déficit de atenção e no aumento de quadros de ansiedade no ambiente familiar e escolar.
Pioneirismo legislativo e a perda de interação
“A tela tomou muito espaço na nossa vida”, advertiu o parlamentar. Ele ressaltou que o monitoramento da Comissão da Criança e do Adolescente identificou uma mudança drástica na rotina de convivência dos jovens, que muitas vezes deixam de interagir nos intervalos das aulas para se concentrarem exclusivamente nas redes sociais.
Diante desse diagnóstico, Araújo relembrou que o seu mandato na Alep foi um dos primeiros a capitanear o debate normativo para regulamentar a presença dos aparelhos nas salas de aula, servindo de embrião para discussões que posteriormente avançaram no Senado Federal. Para ele, a intervenção do poder público nesse campo tornou-se necessária para respaldar o corpo docente e os gestores escolares na manutenção da ordem pedagógica.
O deputado concluiu destacando que a restrição tecnológica deve vir acompanhada de campanhas educativas voltadas aos pais, uma vez que o hábito do uso excessivo de telas é frequentemente replicado dentro de casa. Na avaliação de Araújo, assegurar ambientes escolares livres da distração digital é um passo fundamental para garantir que as novas gerações desenvolvam habilidades de foco, resiliência e socialização essenciais para o futuro.
Serviço
A entrevista analítica completa com o deputado estadual Evandro Araújo está disponível no canal do Maringá Post no YouTube, com produção audiovisual do VMark Estúdio e condução do jornalista Ronaldo Nezo.


















