MARINGÁ (PR) — O exame de espermograma está deixando de ser uma ferramenta restrita à avaliação da fertilidade para se consolidar como um dos principais indicadores da saúde metabólica e cardiovascular do homem.
A mudança de paradigma foi debatida pelo médico urologista Dr. Pedro Menechini no podcast Ponto a Ponto, do jornal Maringá Post.
Menechini, que apresentou os conceitos em uma recente conferência do TEDx em Maringá, explica que a qualidade e os parâmetros do sêmen refletem diretamente o nível de estresse oxidativo e o equilíbrio do organismo masculino.
“O sêmen como um espelho da saúde global do homem. A gente sabe que um estresse oxidativo, um ambiente muito oxidativo, munido de radicais livres, tudo isso pode influenciar e refletir na qualidade seminal. Ou seja, a natureza meio que dando um recado assim: ‘Ó, se o teu corpo não está bem, como você vai se reproduzir?'”, pondera o especialista.
De acordo com o urologista, homens expostos a agentes químicos, pesticidas ou disruptores endócrinos — substâncias que afetam os eixos hormonais — costumam apresentar alterações severas na análise seminal. A tendência da medicina é adotar o teste na rotina de checape geral.
“A tendência atualmente no mundo é essa: que o espermograma seja visto como um hemograma. A gente faz um hemograma para ver como que está, se tem anemia, se tem alguma carência da parte imunológica ou até mesmo das plaquetas. […] O espermograma também. A tendência da ciência é que o espermograma passe a ser visto como um indicador de saúde global”, afirma Menechini.
O médico cita estudos europeus de larga escala que monitoraram pacientes por anos e identificaram um dado alarmante. Homens que apresentavam os piores resultados no espermograma registraram, historicamente, maiores índices de internação e óbito por doenças crônicas no futuro.
“Olha que interessante: ele serve como um espelho para a saúde global. E a partir dali você pode entrar com medidas preventivas para o desenvolvimento dessas doenças”, conclui o urologista, em entrevista conduzida pelo jornalista Ronaldo Nezo nas instalações da VMark Estúdio.























